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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A paz reside nos intestinos






Por Dr. Alberto Gonzalez
O sistema digestivo, após uma refeição, usa de todos os recursos para obter os nutrientes que irão sustentar a vida. Basicamente são: enzimas que degradam gorduras, proteínas e carboidratos, ácidos e bases para 'digerir' grandes moléculas, emulsificantes, quelantes, um verdadeiro laboratório bioquímico, à nossa disposição. Tudo funcionando naturalmente, permitindo que aquilo que usamos como alimento possa ser transformado em nutrição e energia. 
O tubo digestivo deve ter a capacidade de selecionar o que é bom (nutrição) e o que é ruim (excreção). Defender-se de um intruso com más intenções, e manter os que pegam carona e nos ajudam: das bactérias. São em média um quatrilhão de bactérias que, dependendo da alimentação, podem ser grandes amigas ou grandes inimigas da saúde.
Para manter essa enorme população de bactérias, nem sempre pacíficas, as paredes do tubo digestivo contam com a maior massa de tecido do corpo humano: o sistema de células M e as placas de Peyer. Esse sistema imunológico pode identificar e destruir microorganismos e moléculas que não nos servem ou selecionar e absorver moléculas complexas que sejam necessárias à economia e saúde do organismo.

Os processos digestório e imunológico permitem a absorção de enzimas da dieta, e podem neutralizar e destruir bactérias nocivas ou relacionar-se diplomaticamente com elas, e até dar suporte a populações de bactérias benéficas.
Se ingerirmos alimentos cozidos antes de um exame de sangue (café com leite e pão com manteiga por exemplo), nosso corpo iniciará uma resposta imune que eleva a contagem de glóbulos brancos a um valor parecido ao de uma apendicite aguda. Essa resposta orgânica é chamada de leucocitose digestiva. É por isso que os laboratórios pedem sempre que se fique em jejum antes de um exame de sangue. Esse fato, entretanto, não ocorre após a ingestão de alimentos crus.

As bactérias podem gerar efeitos diametralmente opostos na nutrição e vitalidade, dependendo do seu gênero:
• Benéficas: trabalharão incessantemente fermentando, degradando, digerindo, produzindo vitaminas (como as do complexo B), interferon (o mais potente remédio contra os vírus), antioxidantes, degradando colesterol nocivo e mantendo nosso sistema imune estável, saudável e ativo.
Elas se nutrem basicamente de fibras e alimentos de origem vegetal, principalmente os íntegros,  maduros e frescos, ou seja, não refinados, cozidos, fritos, aditivados ou congelados.
• Nocivas: trabalharão incessantemente produzindo colesterol nocivo, enterotoxinas, produtos carcinogênicos e imunodepressores, radicais livres e tornando o sistema imune instável, deprimido e auto-agressivo.
Elas se nutrem de alimentos industrializados e vazios de nutrientes, açúcar, refinado( sacarose), farinhas e amidos refinados, aditivos sintéticos, produtos de origem animal.

Anatomia inteligente dos intestinos
Apesar de ocupar um pequeno espaço dentro do abdomen, as pregas intestinais fazem com que a área do intestino aumente 3 vezes. Um aumento adicional de sete a dez vezes é garantido por centenas de milhares de pregas minúsculas: as vilosidades. E, ainda por cima, dentro das vilosidades, na borda das células intestinais, estão as microvilosidades (bordas em escova) que fazem essa área aumentar mais 15 a 40 vezes. E é nesses recantos que as bactérias habitam mas, a qualidade delas determina a nossa saúde.
Hipócrates afirmava em 400 a.C. que somos aquilo que comemos. Verdade absoluta, mas hoje a ciência da probiótica deixa claro que: Somos o que temos de bactérias em nosso intestino.
Os alimentos cozidos, irradiados, embutidos, os açúcares e as gorduras saturadas são os alimentos prediletos de bactérias hostis. Alimentando-se assim, mantemos em nosso intestino um viveiro de serpentes venenosas, que transformam tudo o que aparece em toxinas fortíssimas e degradam substâncias presentes nessa forma de dieta, em produtos que fabricam o câncer, podendo agir diretamente na parede do intestino ou ser absorvidos, gerando um enorme problema para nosso corpo se livrar. Causa surpresa que esses alimentos sejam considerados inofensivos pela Saúde Pública.
Michael Gershon, um eminente pesquisador americano, publicou em 2002 o livro O segundo cérebro. Simultaneamente, no Brasil, foi publicado pelo Dr. Helion Póvoa o livro 

O cérebro desconhecido:
Nosso tubo digestivo, feioso, na obscuridade abdominal, capaz de produzir puns e coco, é na verdade um cérebro sensível, pensante, emocionável, irritável, magoável. Além de ter memória emocional, é capaz de emitir sinais transmissores sutis ao cérebro branquinho e chique lá de cima, na cabeça.

Assim, o que temos nos intestinos pode influenciar nosso pensamento e felicidade. De forma análoga, a ciência comprovou que o uso de tranquilizantes ou terapia pode fazer uma pessoa melhorar no âmbito psicológico, mas se nada mudar na alimentação, os intestinos desses mesmos indivíduos continuarão a apresentar suas próprias psiconeuroses.
Existem milhões de neurônios no tubo digestivo, fazendo-o senhor de seu próprio controle, e há relativamente poucas conexões com o sistema nervoso central, além das fibras vagais. 

O que é mais surpreendente ainda: se fossem desligados de vez todos esses circuitos integrativos, ainda assim o tubo digestivo seria capaz de funcionar com algum grau de coordenação. Segundo Gershon, "a voz do cérebro certamente se faz ouvir no intestino, mas não em linha direta com todos os membros da congregação entérica”. Esse e outros fatos comprovados pela ciência levaram os fisiologistas a determinar o que hoje se denomina de "divisão entérica" do sistema nervoso, ou seja, a parte do sistema nervoso relativa especificamente aos intestinos.
O tubo digestivo tem importantes efeitos sobre o comportamento humano. E um complexo computador de informações do ambiente que pode harmonizar-se com o hospedeiro ou rebelar-se contra ele.


O maior mediador do pensamento, a serotonina, tem 95% de sua produção nos intestinos.
Se considerarmos ainda que os intestinos possuem funções de regulação de todas as glândulas do corpo, que é estratégico para a formação do sangue, que é a base de nossa imunidade, e a origem de nossa alegria interior e bem-estar, poderemos afirmar: A paz começa nos intestinos.

1 comentários:

Vera Lúcia disse...

Puxa, AnaLuz,
Que matéria!
Eu nunca poderia imaginar que o nosso tubo digestivo tivesse tamanha influência em nosso pensamento e felicidade. Muito interessante!
Beijos.

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