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domingo, 17 de abril de 2011

UM relato de uma obsesseiva compulsiva

Vida contabilizada

Sou uma jovem de 23 anos que sofre de Transtorno Obsessivo Compulsivo. Acreditem que viver com esta doença não tem sido nada fácil e me tem limitado a vida.

Já na infância surgiram os primeiros sinais. Era uma maníaca das limpezas e da arrumação. Tinha que estar tudo imaculado e no seu devido lugar. Depois comecei a ganhar rituais de repetição. Contava as peças de roupa inúmeras vezes, só acendia a televisão depois de contar até 50, para me deitar tinha que bater com os pés 10 vezes, verificava o despertador 12 vezes, rezava seis vezes por noite, batia com a almofada 8 vezes... enfim, tudo era contabilizado na minha vida, até situações básicas como ir à casa de banho.

Na escola tentava disfarçar estes meus rituais, mas os meus colegas acabavam por se aperceber e afastavam-se de mim, gozando comigo e com as minhas "pancadas", que era como chamavam a estes meus rituais. Relações de amizade e amorosas não conseguia ter.  Fazia tudo sozinha, tal como ir ao cinema, às compras, à ginástica, mas até fazer isto me cansava, porque tudo implicava rituais específicos. A verdade é que estava constantemente esgotada, porque a minha cabeça não parava de pensar um segundo que fosse. A altura mais tranquila era quando adormecia, o que também só acontecia à base de medicamentos.

Com 20 anos já parecia uma pessoa de idade, tal não era o desgaste mental. Por mais que tentasse controlar a situação não conseguia. Os meus pais já não sabiam o que fazer. Andei em psicólogos e psiquiatras, mas de nada adiantou. Já só me restava mais uma tentativa de tratamento para o meu transtorno obsessivo compulsivo, que era ir para a clínica. Como já me sentia sem forças, entrei cheia de ânimo. Foi muito difícil, principalmente a adaptação, porque partilhar o espaço com inúmeras pessoas, sendo a maioria desorganizada, tirava-me do "sério". Comecei a focar a minha atenção noutras coisas. Tanto a equipa terapêutica, como os pacientes foram incansáveis comigo. Cada mês ia destruindo um ritual, sem que o substituísse. No fim, os meus traços de TOC eram minímos e mais controlados.

Hoje já é raro o momento em que ainda recorro a um ritual e mal sinto que vou vacilar, ligo a pedir ajuda. Consegui arranjar trabalho e namorado. Ele sabe do meu passado e ajuda-me. O certo é que aprendi a viver sem ter que usar "muletas" e pela primeira vez estou a perceber e a sentir o que é ser feliz.
Hélia Fernandes

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