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sábado, 3 de março de 2012

Descubra como suplantar medos e vícios emocionais


Por Lygya Maya


Muitas pessoas focalizam a atenção delas nos assuntos do corpo, mente e espírito, mas ignoram o nível emocional.  Seus esforços nas teorias analíticas de pensamento não as deixavam explorar a raiz dos sentimentos inconfortáveis gerados pelo medo e vícios destrutivos a saúde e ao sucesso.  Muitos de nós distraímos nossa atenção com conversas em que falamos mal do governo, da vizinha e do namorado para nos livrar da responsabilidade perante situações difíceis.

Outro dia em um restaurante durante o almoço, estava falando exatamente sobre isso, éramos quatro conversando sobre a corrupção tão conhecida por nós em nosso governo, enquanto meus colegas falavam sobre isso eu comia calmamente pensando, como eu poderia fazer para desviar a atenção da conversa do negativo fora de si para o positivo dentro de si.

Assim que terminei perguntei a eles a queima roupa, “Quem colocou nossos governantes no poder?”, houve uma pausa na mesa e a resposta de alguém foi ouvida num volume baixo, “nós”.
“Quem deixa que as coisas aconteçam como acontecem porque acha que não se pode fazer nada sobre isso?” Pausa novamente, a resposta veio desta feita mais alta, “nós” seguida de um argumento sobre outra trapaça governamental de votação de um de nossos estados. Geralmente quando um grupo discute um assunto falando mal do outro isso gera mais excitamento do que falarmos de nós mesmos com soluções para nos apoderarmos do que é de nosso direito, combinar e organizar nossos pensamentos para nos forçar a agir em prol de um mundo melhor ao invés de culpar os outros por nossas limitações. Por isso não desisti e perguntei, “Qual a solução para isso?” Todos concordaram que não havia solução para isso.

Daí eu retruquei, bom...a partir do momento que vocês “acreditam” que não há solução para isso ou aquilo vocês estão certos, não vai haver solução nunca mesmo. Já eu prefiro pensar, que sou líder dos meus pensamentos e meus sentimentos e ninguém vai poder interferir nisso, que podemos mudar nossa realidade constantemente agindo em prol da justiça em todas as oportunidades que nos cercam e a todos que cruzam nossos caminhos. A gente nunca sabe o que aquela ação positiva vai gerar no futuro.

Os olhares estavam cravados em mim e seus olhos bem abertos como se eu estivesse falando uma coisa absurda, minha interpretação dos olhares eram que eu estava sendo muito otimista e fora da realidade.  Continuei... se temos medo das dificuldades e dos desafios e só falamos dele sem fazer nada para ultrapassá-los nunca arriscaremos uma vitória seja ela em qualquer nível que for.

O assunto voltou a ser focalizado na culpa dos outros e esqueceram completamente o que eu tinha dito, daí perguntei mais uma vez, “quem é responsável por nossa felicidade o governo ou nós mesmos?”  mas uma vez os olhares pasmos pararam no ar sem responder, continuei, nada é impossível se quisermos que assim seja, a prova é que atletas estão quebrando record sempre comprovando que não importa a dificuldade de ganhar o mais importante é “acreditar” que tudo é possível. Já pensou se os atletas só falassem de como se sentiam limitados em relação ao Record mundial eles nunca ultrapassariam seus próprios records, não é mesmo?

A ficha continuou sem cair e cansados de serem questionados resolveram levantar e ir embora pra me distrair e parar de perguntar tanta pergunta sem nexo para eles

Não é curioso? Que a maioria da nossa população prefira discutir horas a fio sobre “os problemas do país e nada sobre a solução do mesmo?”. Afinal de contas somos a maioria, ou não somos?


O medo de ultrapassar os próprios medos gerados por nossas experiências e influencias de infância se torna então um vício ao invés de nos proteger, como seria o caso do medo de um incêndio ou desastre automobilístico, nos limita em relação ao sucesso em todos os sentidos. Incluindo nossa autoestima que se torna baixa por causa da constante impressão de que somos “nada” ou seja, o dito popular “Eu? Quem sou eu para mudar alguma coisa?”.  Este tipo de crença nos leva a inércia e a falta de motivação a atuar como lideres na nossa família, nossos colegas, comunidade etc... Não precisamos falar para milhares de pessoa para fazer a diferença necessária, basta sentir, falar e agir em prol da justiça do dia a dia e pronto, esta feita sua contribuição para a humanidade. Assim como podemos ser viciados em falar mal dos outros também podemos criar hábitos positivos em que falamos sobre as mudanças que necessitamos fazer em nós mesmos para mudar a situação ao nosso redor. Pode até ser que não mudemos os governo de imediato mas podemos e devemos mudar nossa maneira de agir em relação a nós, afinal de contas, como podemos querer mudar os outros quando nem sabemos como mudar a nós mesmos?

Os vícios emocionais em geral são criados pelos seguintes medos:

❊ O Medo do que pensamos que esta por vir, às vezes não há nada por vir, mas criamos um drama e ficamos viciados em acreditar nele 100%

❊ O Medo de sentir dor emocional. Nos distraímos para não sentir a tal da dor muitas vezes inconscientemente.

❊ O Medo de lidar com um desafio por pensar que não somos capazes de ultrapassá-lo.

❊ O Medo de que não sejamos fortes o suficiente para conquistar o sucesso ou alguém que queremos.

❊ O Medo de que ninguém nos ame e por isso mesmo não nos amamos também. Muitos de nós achamos isso inevitável, essa linha de pensamento acaba nos destruindo mais e mais.

❊ E ainda há aquele medo que é o medo de “sentir” por não querer ser vulnerável em relação a alguém ou a uma situação.


“Medo de sentir atrai vício de distrair”

Não é a toa que o mundo do entretenimento é um dos mais populares negócios do planeta.  Quanto mais medo se tem de sentir, mais medo se tem de agir. Essa limitação é proveniente da herança emocional da infância, se nada fazemos para mudar esse medo que nos limita, mas iremos criar defesas e limitações.

Outro medo muito popular é o medo de falar em publico, esse medo é o medo comentado por muitas revistas americanas alem de palestrantes famosos que é o medo numero um da humanidade sendo seguido pelo medo da morte. Mas eu acho que não é o medo de falar que aterroriza e sim o medo de se envergonhar por algo dito errado ou algum comentário injusto ou coisa parecida que aterroriza a pessoa. Isso é causado pela insegurança do individuo naquilo que vai ser dito e como vai ser dito. Eu mesma já fui deste grupo e confesso que trabalhei muito para chegar até o microfone sem tremer a voz e me sentir nervosa antes de entrar para o palco e falar sem medo.

Viramos vitimas de nós mesmos, quando não superamos as vibrações emocionais necessitadas de liberação para fluir positivamente sem obstáculos mentais ou espirituais.  É como se precisássemos daquela energia acumulada durante anos para ser renovada e usada para o futuro sucesso que tanto queremos obter.  Se assim não o fazemos iremos virar pessoas vulcânicas como explico no meu “Livro Ame as emoções que você odeia!” em detalhes.

Chamo de pessoas vulcânicas aquelas que não conseguem controlar suas emoções e depois se arrependem do que falaram ou fizeram. O processo emocional é extremamente sensível e por não receber a atenção devida por parte de seus criadores, no caso “nós”, se acumula causando eventualmente danos irreparáveis.

Nada terá muito valor em nossas vidas, caso não tenhamos força suficiente para lidar com as vibrações emocionais produzidas por nós mesmos, através de nossas interpretações criadas desde a infância.

Somos o poder energético capacitado para viver o presente da vida com todas as nossas emoções incluídas. Sendo sorrindo ou chorando devemos entender que as duas emoções têm sua proposta para liberar energias criadas por nós.

Para finalizar com honras vejamos a solução para o medo, mesmo sentindo medo, agir em relação a ele com coragem até que o mesmo não nos amedronte mais.  Por exemplo: se tivéssemos medo de andar de bicicleta e quiséssemos andar na mesma, a solução seria treinar em uma assim mesmo (com medo) para que pudéssemos “aprender” a andar nela e assim fazendo acabaríamos com o medo, não é mesmo?

A coragem irá se tornar nossa amiga se exercitarmos o músculo do atrevimento em relação a nossas crenças limitadas, inseguranças inúteis e autoconfiança menos prezada. Agora é só praticar vamos lá...

Sua na coragem de viver feliz...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)


O que é o TDAH?
Certamente você já ouviu falar ou já conviveu com um menino irrequieto, excessivamente agitado, que não pára um minuto, "ligado na tomada de 220 volts", que tem "bicho-carpinteiro". Ou então uma menina avoada, distraída, que está sempre "viajando nas nuvens", no "mundo da lua".
Essas características estão presentes no TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade). O TDAH é um transtorno mental típico da infância, atingindo cerca de 4% das crianças, e que pode persistir por toda a vida. É mais freqüente em meninos que meninas, numa proporção aproximada de 2:1 e ocorre no mundo todo.
Sabe-se hoje que ela decorre de fatores genéticos e ambientais; é freqüente que na família de um portador de TDAH haja outros parentes (em geral pais ou irmãos) com a mesma doença. Os fatores ambientais mais bem estudados estão relacionados a complicações durante a gestação. É bem sabido que o TDAH é um tipo de doença cerebral, cujas alterações biológicas vêm sendo muito estudadas. Isto é importante, pois é preciso superar o preconceito de que se trata de crianças "burrinhas" (como frequentemente são chamadas aquelas muito distraídas) ou "mal-educadas" (as hiperativas).
Os sintomas no Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)
As principais queixas estão descritas no próprio nome da doença: dificuldade de manter a atenção e hiperatividade-impulsividade. Na criança o principal prejuízo ocorre na escola: a criança não consegue se concentrar na aula, distrai-se com facilidade, comete erros por distração embora saiba a matéria.
A hiperatividade-impulsividade se manifesta pela dificuldade de permanecer sentada por tempo prolongado (por exemplo, na sala de aula), movimenta-se na cadeira, mesmo parada continua mexendo os pés ou mãos, tem atitudes precipitadas, freqüentemente interrompe os demais, não consegue esperar por sua vez, tem explosões exageradas de raiva.
Para se chegar ao diagnóstico de TDAH na criança, é preciso que vários destas queixas (Veja TABELA) estejam presentes em pelo menos dois ambientes diferentes (por exemplo, na escola e em casa). É também necessário que o inicio da doença tenha sido antes dos 7 anos de idade e que os sintomas causem prejuízo significativo no cotidiano da criança. Na maioria dos casos, há uma combinação dos sintomas de desatenção e de hiperatividade-impulsividade; menos freqüentemente, há predomínio apenas dos sintomas de desatenção ou de hiperatividade-impulsividade.

TABELA: Sintomas para diagnóstico de TDAH na criança
1. Não consegue prestar muita atenção a detalhes ou comete erros por descuido nos trabalhos da escola ou tarefas.
2. Tem dificuldade de manter a atenção em tarefas ou atividades de lazer.
3. Parece não estar ouvindo quando se fala diretamente com ele.
4. Não segue instruções até o fim e não termina deveres de escola, tarefas ou obrigações.
5. Tem dificuldade para organizar tarefas e atividades.
6. Evita, não gosta ou se envolve contra a vontade em tarefas que exigem esforço mental prolongado.
7. Perde coisas necessárias para atividades (p. ex: brinquedos, deveres da escola, lápis ou livros).
8. Distrai-se com estímulos externos.
9. É esquecido em atividades do dia-a-dia.
10. Mexe com as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira.
11. Sai do lugar na sala de aula ou em outras situações em que se espera que fique sentado.
12. Corre de um lado para outro ou sobe demais nas coisas em situações em que isto é inapropriado.
13. Tem dificuldade em brincar ou envolver-se em atividades de lazer de forma calma.
14. Não pára ou freqüentemente está a "mil por hora".
15. Fala em excesso.
16. Responde às perguntas de forma precipitada, antes de elas terem sido terminadas.
17. Tem dificuldade de esperar sua vez.
18. Interrompe os outros ou se intromete (p.ex. mete-se nas conversas / jogos).

(Adaptado do questionário SNAP-IV)

O TDAH na vida adulta
À medida que a criança cresce, ocorre uma diminuição progressiva dos sintomas, sendo que em cerca de 50% dos casos os sintomas desaparecem completamente ao chegar à idade adulta. Em 50% dos casos, persistem os sintomas, especialmente os de desatenção, não havendo mais mudanças na sua intensidade ao longo da vida adulta.
Para detectar a doença no adolescente ou no adulto, é utilizada basicamente a mesma lista de sintomas descritos para as crianças (vide TABELA), porém, adaptando-se para o contexto do adolescente ou adulto.
Nos adultos as queixas ocorrem principalmente no trabalho: desorganização, dificuldade para desempenhar tarefas que requerem longo período de concentração, dificuldade para cumprir horários e compromissos, dificuldade para permanecer sentado em reuniões (sensação "interna" de inquietação), perda ou esquecimento de objetos, tendência a tomar decisões "sem pensar", com arrependimento posterior.
É importante salientar que o diagnóstico de TDAH no adulto só é realizado se houver a história de TDAH desde a infância; portanto, o TDAH não começa na idade adulta. O diagnóstico do TDAH deve ser feito de forma criteriosa, por profissional tecnicamente capacitado, a partir das informações colhidas junto aos pais e professores e da observação minuciosa da criança.
No caso de adolescentes e adultos (que muitas vezes não se lembram de como eram quando crianças), é preciso recorrer àqueles que convivem com o portador de TDAH e que muitas vezes o observam de modo mais detalhado e percebem as suas falhas. Nas crianças os sintomas devem estar presentes por pelo menos 6 meses e devem ser nitidamente diferentes do que é esperado para uma criança da mesma idade.
Tratamento
O tratamento do TDAH na infância é muito importante, pois os prejuízos na vida da pessoa vão se acumulando ao longo do tempo. Há um desgaste muito grande dos pais e professores, essas crianças muitas vezes perambulam de escola em escola, sem conseguirem se adaptar às mesmas. Na adolescência é sabido que os portadores de TDAH têm um risco maior de fazer uso de drogas ilícitas (particularmente maconha e cocaína) e o uso de drogas diminui com o tratamento médico. No adulto os prejuízos profissional e pessoal são também bastante significativos, é freqüente que ele se sinta incapaz, tenha baixa auto-estima, pois está sempre aquém do que é capaz.
O tratamento do TDAH é feito com medicamentos que melhoram a atenção e diminuem a hiperatividade-impulsividade, independentemente da idade. São utilizados no nosso meio os psicoestimulantes (especialmente o metilfenidato) e alguns antidepressivos. O tratamento na criança é em longo prazo, com reavaliações periódicas para ver como está evoluindo o TDAH. Eventualmente a medicação poderá vir a ser suspensa se os sintomas melhorarem completamente ao longo dos anos. No adulto o tratamento é eficaz enquanto o medicamento está sendo utilizado, havendo uma volta à condição anterior se o tratamento é interrompido.
Alem da medicação, abordagens psicopedagógicas e comportamentais para as crianças e abordagens psicoterápicas para os adultos auxiliam no controle do TDAH e melhoram a capacidade da pessoa para enfrentar suas dificuldades cotidianas.


Prof. Dr. Mario R. Louzã
Médico psiquiatra e psicanalista, doutor em Medicina pela Universidade de Würzburg, Alemanha. Médico Assistente do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Uma grande aflição - Síndrome do Pânico


O transtorno - ou síndrome - do Pânico é caracterizado por crises intensas, repentinas e graves de ansiedade e medo. Geralmente são acompanhadas de vários sintomas físicos como palpitações, respiração rápida ou sensação de asfixia, visão turva, tonturas e sentimentos de irrealidade (despersonalzção ou desrealização). 

Existe além desses, um constante sentimento de medo de morrer, de perder o autocontrole ou de ficar louco.
O ataque de pânico deve ocorrer de forma inesperada (espontâneo, não evocado, "vindo do nada"), sem associação a um ativador situacional (um objeto ou uma situação qualquer do dia a dia). Pelo menos dois ataques de pânico são necessários para o diagnóstico, mas a maioria dos indivíduos tem um número consideravelmente maior de ataques.
Ataques ligados a determinadas situações ou objetos podem ocorrer, mas são menos comuns.

Há uma preocupação intensa acerca do próximo ataque de pânico, podendo levar ao desenvolvimento de um comportamento de esquiva que pode satisfazer os critérios sintomáticos para agarofobia.


  

O diagnostico neste caso passa a ser Transtorno de Pânico com Agorafobia. Embora a Agorafobia possa desenvolver-se a qualquer momento, seu início se dá geralmente durante o primeiro ano da ocorrência dos ataques de pânico. O curso da Agorafobia e seu relacionamento com o curso dos Ataques de Pânico são variáveis. Em alguns casos, uma diminuição ou remissão dos Ataques de Pânico pode ser seguida por uma diminuição correspondente na esquiva e ansiedade agorafóbicas.
O transtorno depressivo agudo  é outro transtorno que ocorre com frequência (50-65%) em indivíduos com Transtorno de Pânico. Em aproximadamente um terço das pessoas com ambos os transtornos, a depressão precede o início do Transtorno de Pânico. Nos dois terços restantes, a depressão ocorre ao mesmo tempo ou após o início do Transtorno de Pânico.
A idade de início para o Transtorno de Pânico varia muito, sendo mais típica em indivíduos que estão na fase final da adolescência e adultos na faixa dos 30 anos. Apenas um pequeno número de casos começa na infância, e o início após os 45 anos é bastante incomum, mas pode ocorrer.
O curso habitual é crônico, porém flutuante. Alguns indivíduos podem ter surtos episódicos com anos de remissão neste intervalo, e outros, podem ter uma sintomatologia severa contínua.

Critérios Diagnósticos para Síndrome do Pânico

  • Ataques de Pânico recorrentes e inesperados.
  • Pelo menos um dos ataques foi seguido por um mês (ou mais) de uma (ou mais) das seguintes características:
    - preocupação persistente acerca de ter ataques adicionais.
    - preocupação acerca das implicações do ataque ou suas consequências (por ex., perder o controle, ter um ataque cardíaco, "ficar louco").
    - uma alteração comportamental significativa relacionada aos ataques.
  • Ausência ou presença de Agorafobia.
  • Os Ataques de Pânico não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., droga de abuso, medicamento) ou de uma condição médica geral (por ex., hipertiroidismo).
  • Os Ataques de Pânico não são melhor explicados por outro transtorno mental, como
    - Fobia Social (por ex., ocorrendo quando da exposição a situações sociais temidas),
    - Fobia Específica (por ex., ocorrendo quando da exposição a uma situação fóbica específica),
    - Transtorno Obsessivo-Compulsivo (por ex., quando da exposição à sujeira, em alguém com uma obsessão de contaminação),
    - Transtorno de Estresse Pós-Traumático (por ex., em resposta a estímulos associados a um estressor severo) ou
    - Transtorno de Ansiedade de Separação (por ex., em resposta a estar afastado do lar ou de parentes queridos).

Fonte: http://www.galenoalvarenga.com.br/

O que é a bulimia?








É o transtorno alimentar caracterizado por episódios recorrentes de "orgias alimentares", no qual o paciente come num curto espaço de tempo grande quantidade de alimento como se estivesse com muita fome. O paciente perde o controle sobre si mesmo e depois tenta vomitar e/ou evacuar o que comeu, através de artifícios como medicações, com a finalidade de não ganhar peso.


Generalidades
Existe uma tendência popular em achar que a bulimia é o contrário da anorexia. A rigor o contrário da anorexia seria o paciente achar que está muito magro e precisa engordar, vai ganhando peso, tornando-se obeso e continua a julgar-se magro e continua comendo. Isso seria o oposto da anorexia, mas tal quadro psiquiátrico não existe. Na bulimia o paciente não quer engordar, mas não consegue conter o impulso para comer por mais do que alguns dias. O paciente com bulimia tipicamente não é obeso porque usa recursos extremos para eliminar o excesso ingerido. Enquanto a comunidade psiquiátrica mundial não reconhecer o binge como uma patologia à parte seremos obrigados a admitir que há 2 tipos de pacientes com bulimia: os que tentam eliminar o excesso ingerido por vômitos ou laxantes e os pacientes bulímicos que não fazem isso e acabam engordando, esse segundo tipo pode vir a constituir num outro transtorno alimentar, o Binge.  



Os pacientes com bulimia geralmente apresentam 2 a 3 episódios por semana, o que não significa que no resto do tempo esteja bem. Na verdade esses episódios só não são diários ou mesmo mais de uma vez ao dia porque o paciente está constantemente lutando contra eles. Esses pacientes pensam em comer o tempo todo. A média de fracassos na tentativa de conter o impulso são duas vezes por semana.

Como é o bulímico?
Basicamente é um pacient
reconhece o absurdo de seu comportamento,e com vergonha de seu problema, com sentimento de inferioridade e auto-estima baixa. O paciente  mas por não conseguir controlá-lo sente-se inferiorizado, incapaz de conter a si mesmo, por isso vê a si como uma pessoa desprezível. Procura esconder dos outros seus problemas para não o desprezarem também. Os pacientes bulímicos geralmente estão dentro do seu peso ou um pouco acima. Tentativas de dieta estão sempre sendo realizadas. Tentativas de adaptar os afazeres e compromissos rotineiros com os episódios de ingestão e auto-indução de vômito tornam seu estilo de vida bizarro, pois os episódios devem ser feitos às escondidas, mesmo das pessoas íntimas. Uma alternativa para a manutenção de seu problema escondido é a opção pelo isolamento e distanciamento social, que por sua vez gera outros problemas. Assim como a anorexia, a Bumilia geralmente ocorre no adolescente, predominantemente nas mulheres. Os assuntos das conversas preferidos são relacionados a técnicas de emagrecimento. É comum o comportamento de esconder alimentos para futuros episódios.
 


É interessante notar que a bulimia não constitui uma completa perda do controle. O paciente consegue planejar seus episódios, esperar para ficar sozinho e guardar alimentos, por exemplo. Essa incapacidade parcial é intrigante para os leigos. Muitas vezes os maridos das pacientes julgam que a paciente faz tudo porque quer e critica a esposa aumentando sua culpa. Essa atitude deve ser evitada, pois além de não ajudar, atrapalha diminuindo ainda mais a auto-estima da paciente que sucumbe aos esforços por tratar-se. A bulimia muitas vezes sucede aos episódios de anorexia.

Tratamento
Os antidepressivos tricíclicos já foram testados e apresentaram respostas parciais, ou seja, os pacientes melhoram, mas não se recuperam completamente. Carbamazepina e lítio também foram testados com uma resposta ainda mais fraca. Os antidepressivos IMAO também apresentam uma melhora similar a dos tricíclicos, porém melhor tolerado pelos pacientes por terem menos efeitos colaterais. Mais recentemente os antidepressivos inibidores da recaptação da serotonina vêem sendo estudados com boas respostas, mas não muito superiores às dos tricíclicos. Os estimulantes por inibirem o apetite também apresentaram bons resultados, mas há poucos estudos a respeito para se embasar uma conduta terapêutica.
Muitos pacientes só com psicoterapias apresentam remissão completa. Não há uma abordagem especialmente recomendada. Pode-se indicar a psicanálise, a terapia cognitivo-comportamental, terapias de grupo, grupos de auto-ajuda, psicoterapias individuais.
 
Problemas Clínicos
Os repetidos episódios de auto-indução do vômito geram problemas noutros sistemas do corpo. Ao se vomitar não se perde apenas o que se comeu, mas os sucos digestivos também. Isso pode acarretar desequilíbrio no balanço dos eletrólitos no sangue, afetando o coração, por exemplo, que precisa de um nível adequando dessas substâncias para ter seu sistema de condução elétrica funcionante. As repetidas passagem do conteúdo gástrico (que é muito ácido) pelo esôfago acabam por ferí-lo podendo provocar sangramentos. 
Casos extremos de rompimento do estômago devido ao excesso ingerido com muita rapidez já foram descritos várias vezes. O intestino grosso pode sofrer conseqüências pelo uso repetido de laxantes como constipação crônica, hemorróidas, mal estar abdominal ou dores. 

Nos dias atuais, o culto ao corpo perfeito acaba influenciando pessoas, principalmente mulheres, a usarem de todo e qualquer artifício para se manterem magras. A bulimia é um transtorno alimentar que se caracteriza pela ingestão de uma grande quantidade de alimentos, geralmente ricos em calorias, seguida por métodos compensatórios. Esses métodos compensatórios podem ser: o uso de laxantes ou diuréticos, a prática de exercícios físicos intensos ou a indução do vômito. Pessoas que apresentam esse transtorno alimentar geralmente têm peso normal e seguem dietas severas. Além disso, alguns fazem jejuns rigorosos e ingerem anorexígenos, medicamentos que diminuem o apetite e causam agitação, dependência e inúmeros efeitos indesejáveis.

A bulimia e a anorexia são diferentes. Na bulimia ocorre a compulsão por alimentos seguida por métodos compensatórios. Na anorexia a pessoa deixa de se alimentar, perdendo peso rapidamente, chegando às vezes a um estado de desnutrição severa que pode levar à morte.
Geralmente a pessoa bulímica tem baixa autoestima e obsessão com o peso e a forma de seus corpos. Quando autoinduzem o vômito, o fazem às escondidas.

Arritmias cardíacas, inflamação da garganta e glândulas salivares, sangramento do esôfago, problemas gastrintestinais, cáries e desidratação são comuns em pacientes com bulimia. Alguns pacientes podem apresentar também fadiga, desmaios, ressecamento da pele, irregularidade ou perda da menstruação, constipação, oscilações de humor e depressão.
A bulimia pode ser causada por fatores psicológicos, biológicos, familiares e culturais (como o culto ao corpo perfeito). Geralmente a pessoa que tem bulimia esconde isso dos familiares por ter vergonha de seus ataques compulsivos por comida, e julga esse comportamento como uma falta de controle próprio, o que ajuda na baixa autoestima.
A bulimia tem cura e seu tratamento consiste em medicamentos antidepressivos, hábitos alimentares saudáveis e terapia individual ou em grupo.

Paula Louredo
Graduada em Biologia

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A paz reside nos intestinos






Por Dr. Alberto Gonzalez
O sistema digestivo, após uma refeição, usa de todos os recursos para obter os nutrientes que irão sustentar a vida. Basicamente são: enzimas que degradam gorduras, proteínas e carboidratos, ácidos e bases para 'digerir' grandes moléculas, emulsificantes, quelantes, um verdadeiro laboratório bioquímico, à nossa disposição. Tudo funcionando naturalmente, permitindo que aquilo que usamos como alimento possa ser transformado em nutrição e energia. 
O tubo digestivo deve ter a capacidade de selecionar o que é bom (nutrição) e o que é ruim (excreção). Defender-se de um intruso com más intenções, e manter os que pegam carona e nos ajudam: das bactérias. São em média um quatrilhão de bactérias que, dependendo da alimentação, podem ser grandes amigas ou grandes inimigas da saúde.
Para manter essa enorme população de bactérias, nem sempre pacíficas, as paredes do tubo digestivo contam com a maior massa de tecido do corpo humano: o sistema de células M e as placas de Peyer. Esse sistema imunológico pode identificar e destruir microorganismos e moléculas que não nos servem ou selecionar e absorver moléculas complexas que sejam necessárias à economia e saúde do organismo.

Os processos digestório e imunológico permitem a absorção de enzimas da dieta, e podem neutralizar e destruir bactérias nocivas ou relacionar-se diplomaticamente com elas, e até dar suporte a populações de bactérias benéficas.
Se ingerirmos alimentos cozidos antes de um exame de sangue (café com leite e pão com manteiga por exemplo), nosso corpo iniciará uma resposta imune que eleva a contagem de glóbulos brancos a um valor parecido ao de uma apendicite aguda. Essa resposta orgânica é chamada de leucocitose digestiva. É por isso que os laboratórios pedem sempre que se fique em jejum antes de um exame de sangue. Esse fato, entretanto, não ocorre após a ingestão de alimentos crus.

As bactérias podem gerar efeitos diametralmente opostos na nutrição e vitalidade, dependendo do seu gênero:
• Benéficas: trabalharão incessantemente fermentando, degradando, digerindo, produzindo vitaminas (como as do complexo B), interferon (o mais potente remédio contra os vírus), antioxidantes, degradando colesterol nocivo e mantendo nosso sistema imune estável, saudável e ativo.
Elas se nutrem basicamente de fibras e alimentos de origem vegetal, principalmente os íntegros,  maduros e frescos, ou seja, não refinados, cozidos, fritos, aditivados ou congelados.
• Nocivas: trabalharão incessantemente produzindo colesterol nocivo, enterotoxinas, produtos carcinogênicos e imunodepressores, radicais livres e tornando o sistema imune instável, deprimido e auto-agressivo.
Elas se nutrem de alimentos industrializados e vazios de nutrientes, açúcar, refinado( sacarose), farinhas e amidos refinados, aditivos sintéticos, produtos de origem animal.

Anatomia inteligente dos intestinos
Apesar de ocupar um pequeno espaço dentro do abdomen, as pregas intestinais fazem com que a área do intestino aumente 3 vezes. Um aumento adicional de sete a dez vezes é garantido por centenas de milhares de pregas minúsculas: as vilosidades. E, ainda por cima, dentro das vilosidades, na borda das células intestinais, estão as microvilosidades (bordas em escova) que fazem essa área aumentar mais 15 a 40 vezes. E é nesses recantos que as bactérias habitam mas, a qualidade delas determina a nossa saúde.
Hipócrates afirmava em 400 a.C. que somos aquilo que comemos. Verdade absoluta, mas hoje a ciência da probiótica deixa claro que: Somos o que temos de bactérias em nosso intestino.
Os alimentos cozidos, irradiados, embutidos, os açúcares e as gorduras saturadas são os alimentos prediletos de bactérias hostis. Alimentando-se assim, mantemos em nosso intestino um viveiro de serpentes venenosas, que transformam tudo o que aparece em toxinas fortíssimas e degradam substâncias presentes nessa forma de dieta, em produtos que fabricam o câncer, podendo agir diretamente na parede do intestino ou ser absorvidos, gerando um enorme problema para nosso corpo se livrar. Causa surpresa que esses alimentos sejam considerados inofensivos pela Saúde Pública.
Michael Gershon, um eminente pesquisador americano, publicou em 2002 o livro O segundo cérebro. Simultaneamente, no Brasil, foi publicado pelo Dr. Helion Póvoa o livro 

O cérebro desconhecido:
Nosso tubo digestivo, feioso, na obscuridade abdominal, capaz de produzir puns e coco, é na verdade um cérebro sensível, pensante, emocionável, irritável, magoável. Além de ter memória emocional, é capaz de emitir sinais transmissores sutis ao cérebro branquinho e chique lá de cima, na cabeça.

Assim, o que temos nos intestinos pode influenciar nosso pensamento e felicidade. De forma análoga, a ciência comprovou que o uso de tranquilizantes ou terapia pode fazer uma pessoa melhorar no âmbito psicológico, mas se nada mudar na alimentação, os intestinos desses mesmos indivíduos continuarão a apresentar suas próprias psiconeuroses.
Existem milhões de neurônios no tubo digestivo, fazendo-o senhor de seu próprio controle, e há relativamente poucas conexões com o sistema nervoso central, além das fibras vagais. 

O que é mais surpreendente ainda: se fossem desligados de vez todos esses circuitos integrativos, ainda assim o tubo digestivo seria capaz de funcionar com algum grau de coordenação. Segundo Gershon, "a voz do cérebro certamente se faz ouvir no intestino, mas não em linha direta com todos os membros da congregação entérica”. Esse e outros fatos comprovados pela ciência levaram os fisiologistas a determinar o que hoje se denomina de "divisão entérica" do sistema nervoso, ou seja, a parte do sistema nervoso relativa especificamente aos intestinos.
O tubo digestivo tem importantes efeitos sobre o comportamento humano. E um complexo computador de informações do ambiente que pode harmonizar-se com o hospedeiro ou rebelar-se contra ele.


O maior mediador do pensamento, a serotonina, tem 95% de sua produção nos intestinos.
Se considerarmos ainda que os intestinos possuem funções de regulação de todas as glândulas do corpo, que é estratégico para a formação do sangue, que é a base de nossa imunidade, e a origem de nossa alegria interior e bem-estar, poderemos afirmar: A paz começa nos intestinos.

Hipocondriaco - preocupação excessiva prela saúde





 A preocupação excessiva com doenças

Vamos entender um pouco mais o que acontece com as pessoas que estão constantemente buscando um diagnóstico numa peregrinação constante em consultórios médicos, e os exames realizados não confirmam a preocupação. Nessa busca por um diagnóstico ou por alguém que confirme suas suspeitas, são alvos fáceis de "charlatões", acreditando em cada receita milagrosa que prometem.
Quando há:
- preocupação com o medo de ter uma doença grave;
- interpretação muitas vezes errônea de um ou mais sintomas somáticos;
- preocupação persistente, apesar de exames e uma avaliação médica não confirmarem sua suspeita;
- preocupação com a doença temida se torna uma característica central da pessoa;
Nesses casos, damos o nome de hipocondria, que se estende um pouco mais do termo utilizado popularmente em quem toma muitos remédios. A hipocondria pode iniciar em qualquer idade, mas surge com maior freqüência em adultos, tanto em homens como em mulheres. Preocupações com a saúde em pessoas idosas tende mais a ser realista e dificilmente constitui hipocondria.
Podemos perceber no hipocondríaco um desespero permanente em descobrir a causa pelo que sente, os sintomas aparecem e desaparecem com irregularidade, transferindo-se de uma parte para outro do corpo. Para eles suas dores são perfeitamente reais, e ocupam a maior parte do seu tempo, chegando muitas vezes a incapacitá-lo para a vida normal e seus afazeres. É muito comum se aborrecerem com os profissionais ou não acreditarem em estar obtendo os cuidados médicos adequados, quando estes não encontram nada que justifique seus sintomas, pois os exames não confirmam suas suspeitas, e são resistentes à psicoterapia quando são encaminhados para tal tratamento. Quando isso ocorre, buscam outro profissional "mais capacitado".
Podemos perceber uma série de etapas que se seguem nessa busca que se inicia a cada tratamento:
- Os pedidos do paciente para que lhe seja aplicado um tratamento, defronta-se com a decisão do médico de proceder com exames, testes e remédios, procurando evitar admitir uma possível causa orgânica;
- Após cada tentativa o paciente sente um certo alívio, seguido de piora, resultando novamente em nenhuma alteração de seus sintomas;
- Paciente e médico ficam frustrados e o ciclo recomeça novamente, agora com outro profissional.
Inconscientemente, acredita que seu sofrimento físico pode ser uma proteção contra perigos mais ameaçadores, e assim sente que pode ser perigoso curar-se, ou seja, por mais que diga que deseje se curar, inconscientemente não deseja. Isso acontece porque a maioria dos sintomas psicossomáticos proporciona um benefício, inconsciente, primário, que é o alívio para sua angústia ou culpa. Para algumas pessoas é aceitável terem sintomas físicos, mas não aceitam que tenham conflitos emocionais. O sofrimento físico nos dias de hoje ainda desperta a possibilidade de ajuda, enquanto o emocional é desprezado ou não considerado digno de atenção. Muitas vezes recorrem à doença para compensar a falta de amor que sentem. Podem desejar ainda punir ou induzir a culpa nas pessoas que em seu modo de pensar o levaram a ter tais sintomas/doenças. Todo esse sofrimento manifestado pelos sintomas é como se fosse um castigo, que geralmente resulta de sentimentos de culpa inconscientes, que não são percebidos por quem os sente, mas nem por isso deixam de existir.
A maioria dos hipocondríacos pode ter manifestado forte ódio por seus pais ou irmãos, sentindo uma culpa inconsciente por ter desejado algumas vezes a morte de um deles. Como sabemos, o inconsciente é primitivo e incapaz de distinguir realidade de fantasia, acreditando que a culpa só poderá ser aliviada através de seu intenso sofrimento.
Os sintomas podem também constituir uma forma de afirmação de identidade, pois em geral não sentem segurança de seu valor, apresentando baixa autoestima. O fato de ter alguém para ouvi-lo e dar-lhe atenção pode assegurar-lhe que realmente existe e é digno de merecer atenção, o que explica sua busca constante por cuidados médicos, pois geralmente são pessoas com intensa necessidade de atenção e cuidados. O rancor por não terem recebido amor, proteção, afeto pode ser transferido para os profissionais quando estes não correspondem às suas expectativas, quase sempre frustradas. Seus sintomas podem representar uma linguagem corporal para expressar sua necessidade de cuidados.
Se você convive com alguém que apresenta essas características, abaixo segue algumas orientações em como lidar:
- Escute: O que eles mais precisam é de alguém que os ouçam com atenção. O que mais buscam é alguém em que possam confiar.
- Leve a sério seus sintomas: Não lhe diga que suas dores são fantasias ou imaginação de sua cabeça. Procure explicar que a tensão é capaz de gerar muitos sintomas.
- Dê atenção aos seus sentimentos: Encoraje-o a falar sobre seus medos e necessidades. Incentive-o a perceber que pode haver conflitos emocionais. Talvez possa fazê-lo compreender que o excesso de preocupação com sua saúde poderá levá-lo a negligenciar outras áreas importantes de sua vida.
- Destaque os aspetos positivos: Não supervalorize seus sintomas, isso poderá deixá-lo mais apavorado. Também não sugira mais exames, nem novos remédios, pois eles têm tendência a tomar medicação em exagero e tornarem-se dependentes dos mesmos.
- Incentive-o: Buscar outros objetivos ou algo que lhes dê sentido à vida pode ajudar a enfrentar e superar sua busca por atenção.
Há ainda a hipocondria inversa, onde em vez de recorrerem a sintomas físicos para expressar suas dificuldades emocionais, usam sintomas emocionais para mascarar um sintoma físico. O que pode se tornar muito perigoso, pois podem negar e ignorar uma doença até que se torne fatal. Diferente da hipocondria, que quando lhe é perguntado como se sente, responde com sintomas físicos; a hipocondria inversa responde com sentimentos, mesmo que tenha dor física.
Enfim, o hipocondríaco preocupa-se de maneira obsessiva com sua saúde, demonstrando muitas vezes uma certa satisfação em sentir-se doente; porém, dificilmente aceitam esse fato, pois demonstram relutância em livrar-se dos sintomas físicos devido aos ganhos secundários. Podemos perceber que tudo gira em torno do físico, não do espiritual; o medo da morte é projetado no corpo, de modo que temem morrer pelos mais diferentes sintomas. E quem tem medo de morrer na verdade tem muito medo de viver.

Por: ROSEMEIRE SACO

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Psicossomática IX: A dor da Emoção





"A dor não surge apenas por estimulação periférica,
mas também por uma experiência da alma,
que reside no coração".
Platão


O que podemos dizer sobre aquela dor que muitos definem como dor d'alma ou dor no coração, mas que, na verdade, não há nada que a comprove nos exames laboratoriais? É claro que sabemos que a dor, tanto física quanto emocional, é essencial para a sobrevivência e integridade de nosso organismo, mas em alguns momentos pensamos que não conseguiremos suportá-la. Mas qual o significado da dor emocional?

Dor, etimologicamente, origina-se do latim dolore. Sofrimento moral, mágoa, pesar, aflição, dó, compaixão. É, também, a emoção típica de uma tristeza profunda, causando muitas vezes o choro. A dor pode ser usada pelo inconsciente com a finalidade simbólica de expressar uma mensagem para o mundo ou para alguém em especial, podendo ser nós mesmos. Isto significa que a dor pode querer dizer algo, pode ter um significado. "Quando uma pessoa usa a expressão: "você feriu os meus sentimentos", poderá estar dizendo a pura verdade. Uma dor de rejeição não é menor do que aquela que sentimos ao esmagar o dedo. Não há dor maior ou menor, independente do que a gerou. É preciso entrar em contato não com os fatores externos que desencadearam a dor, mas seu significado dentro da psique, pois a dor muitas vezes é o inconsciente se expressando de forma simbólica.

Existem vários tipos de dor citados na literatura, mas quero me referir aqui à dor que vem de dentro, sem nenhum estímulo concreto externo; a dor emocional, chamada de dor psicogênica (de origem psíquica) que é aquela onde não é encontrada nenhuma doença ou lesão, sendo considerada um sintoma freqüente em pessoas com conflitos emocionais e com tendência a negar esses conflitos, que podem se fazer presentes através da dor. É muito comum a dor ser mais intensa em quem tem dificuldade para expressar o que sente, havendo um bloqueio da expressão afetiva. Nesse caso, a pessoa carrega uma agressividade contida, como uma energia represada, reprimida, e que precisa ser liberada, extravasada, podendo se tornar agressiva não apenas com os outros, mas principalmente consigo mesma.

Mesmo a dor física sem causa concreta depende da sensibilidade de cada um e que se diferencia pelo limiar doloroso. Em períodos de muita tensão esse limiar também poderá diminuir, pois está relacionado com as endorfinas (substância liberada no interior do organismo) que podem ser entendidas como analgésicos. E o nível das endorfinas está relacionada com nosso estado emocional. As pessoas deprimidas tendem a ter essa taxa baixa e sentirá dor com mais intensidade. Não podemos negar que mesmo na dor física a emoção é um fator importante.

A maneira de encarar um dano sofrido pode determinar a intensidade e duração da dor, podendo tornar-se mais intensa quando ignorada ou punida. É preciso compreender como a pessoa está sentindo a dor e o que isso representa. Na verdade, a dor emocional é uma só: ela depende exclusivamente de quem a sente, geralmente sentida em silêncio, no escuro do quarto, sem que ninguém mais saiba, porque em geral ela será reprimida se a expressar, assim como aprendemos desde crianças.

Na dor psicogênica há alguns traços importantes nos chamados pacientes propensos à dor, como:
 

- Proeminência de culpa;
- História de sofrimentos freqüentes;
- Intensos impulsos agressivos não satisfeitos;
- Aparecimento de dor diante de uma perda, real ou ameaçada.
 

É interessante notar que o que deu origem ao termo inglês pain que traduzido significa dor, foi a palavra latina "poena" e a grega "poiné", ambas significando castigo, punição, fazendo assim uma conotação entre castigo e dor. Muitas vezes a dor é sentida como um castigo/punição para muitas pessoas, principalmente quando se sentem culpadas. A culpa geralmente intensifica a percepção da dor, trazendo em si uma necessidade inconsciente de punição, muitas vezes dificultando a busca pela elaboração e compreensão do conflito que a causou. A culpa sempre gera uma necessidade de autopunição.

Na dor emocional, não há lesão nem doença, porém a impressão física parece real. Há uma angústia no corpo todo, provocando um aperto no peito, dificuldade de respirar, uma sensação que o coração vai partir. É comum a expressão: "dói na alma, no fundo do coração". A dor, no coração do nosso ser, é o sinal incontestável da passagem de uma prova. Quando uma dor aparece, podemos acreditar que estamos atravessando uma prova decisiva. A prova de uma separação, deixando-nos súbita e definitivamente, nos transtorna e nos obriga a nos reconstruir. Seria falso acreditar que a dor psíquica é um sentimento exclusivamente provocado pela perda de um ser amado. Ela também pode ser dor de abandono, quando o amado nos retira subitamente o seu amor; de humilhação, quando somos profundamente feridos no nosso amor-próprio; da decepção; da espera. Os motivos que nos causam dor podem ser muitos, mas em geral a dor só existe sobre um fundo de amor. Mas como reconstruir diante de tanta dor?

A dor não tem apenas aspectos negativos, é uma forma de aviso, alarme, um enorme sinal dizendo que algo está errado, e que devemos nos conscientizar dos sentimentos originais reprimidos e negados. Quanto mais importante é o fator desencadeante da dor, ou seja, a origem da dor original, mais ela será sentida. Por isso é muito comum a dor intensa, sem fim, em términos de relacionamentos, diante da morte de uma pessoa amada, enfim, nas situações de perdas.
Se a dor emocional implica em sofrimento, e esse é resultado de um conflito reprimido, podemos sim, buscar identificar a origem dessa dor, confrontar tudo que ela carrega, explorar toda a situação envolvida, identificar culpas, histórico de vida, enfim, enfrentando aquilo que tanto nos machuca através do processo terapêutico, podemos evitar assim que uma doença se instale. A dor é sempre um sinal de aviso! Cabe a cada um se perguntar: "o que essa dor está querendo transmitir? O que preciso entender, aprender?" E é claro, é preciso querer ouvir a resposta!

Todo sofrimento que advém da dor emocional pode ser uma forma de conduzir, nós, seres humanos, tão (in)certos do que queremos para nós, que esse momento de sofrimento, desespero, em que "inconscientemente" nos referimos a dor emocional, dor d'alma, pode ser percebido como um sinal da necessidade em buscar uma maior espiritualidade e autoconhecimento. A dor emocional pode ser uma das formas de nos levar a Deus, cada um da forma que o concebe, mas do ponto de vista psicológico pode ser entendido como a busca de si mesmo. Ou seja, a compreensão da mensagem, ainda que simbólica, transmitida pela dor emocional, pode ser o diferencial que pode nos conduzir ao crescimento e a cura.

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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Compreender a depressão e o seu impacto nas relações






A depressão afecta toda a família... Todos nos sentimos tristes ou “em baixo” de vez em quando — isto é uma parte normal da vida. Sentimentos tristes ou negativos que tornam difícil lidar com o dia a dia, podem assinalar uma doença chamada depressão.

A depressão pode causar um verdadeiro sofrimento — tanto para a pessoa afectada como para os membros da família e outros entes queridos. Quando uma pessoa está deprimida, pode achar difícil ir trabalhar, cumprir as tarefas diárias e até levantar-se da cama. Algumas vezes, a pessoa deprimida também acha difícil dar o primeiro passo na busca de ajuda.
Aqueles que estão ligados a quem sofre de depressão são frequentemente vítimas ignoradas, uma vez que o impacto da depressão nas suas vidas é pouco valorizado.
As pessoas que sofrem de depressão podem suscitar sentimentos de frustração, culpa ou mesmo irritação nos que lhes são queridos, os quais podem ressentir-se dos problemas da pessoa deprimida ou ter dificuldade em compreender as suas causas. Estes sentimentos são normais, mas ajuda ter meios saudáveis para lidar com eles.

Felizmente, a depressão é uma doença que se trata - e apreender o máximo que se puder acerca desta perturbação e do seu tratamento poderá ajudar. Esta brochura descreve situações concretas relacionadas com a depressão e dá sugestões práticas que podem ajudar toda a família a lutar contra os efeitos da depressão.

Qual a importância das relações familiares na depressão?


As relações de apoio entre membros da família (incluindo os cônjuges) são vitais no tratamento diário desta doença.


Reconhecer a depressão...
os sintomas podem ser por
vezes surpreendentes

A depressão afecta o humor da pessoa, a visão sobre a vida, o comportamento e até algumas funções corporais, tais como dormir, comer ou o próprio nível de energia. A pessoa depressiva sente quase sempre tristeza ou preocupação, e está frequentemente irritável ou ansiosa. Muitas pessoas com depressão costumam ter baixa da auto-estima e pensamentos negativos (noutras palavras, elas poderão pensar frequentemente, “Eu não consigo fazer isso” ou “Isto não vai resultar”).
A depressão tem diversos sintomas — alguns mais fáceis de reconhecer e outros mais difíceis. O primeiro sinal de depressão é, muitas vezes, uma mudança do comportamento normal da pessoa — podendo, por exemplo, tornar-se irritável e afastar-se ou começar a ter problemas com o sono ou o apetite. Sintomas comuns de depressão incluem3:

  • Sensação de tristeza, desânimo, melancolia
  • Perda de interesse por coisas que eram apreciadas (sexo ou outras actividades)
  • Perda de apetite ou peso (ou, por vezes, aumento de peso)
  • Dificuldade em dormir ou dormir em demasia
  • Agitação ou lentificação psicomotoras
  • Sensação de cansaço, lentidão ou inquietação
  • Sensação de incapacidade ou culpabilidade
  • Problemas em concentrar-se, pensar, recordar ou tomar decisões
  • Pensamentos de morte ou suicídio

Dois casos muito diferentes de Depressão

O modo como estes sintomas se manifestam pode variar de pessoa para pessoa.
Por exemplo, a Joana, de 19 anos, embora não se sentisse cansada, confessou ao seu médico que estava a ser difícil cumprir com o seu trabalho e compromissos sociais.
A sua mãe contou que a Joana andava a dormir 10 a 12 horas todos os dias, muito mais do que as suas normais 7 a 8 horas.
Tinha dores de cabeça, outras dores e problemas de estômago.
Embora possa parecer surpreendente, sintomas físicos como estes são comuns em pessoas com depressão.
Marcos, de 51 anos, contou que se encontrava frequentemente rabugento e sentia que ele e a sua esposa estavam sempre a discutir. Também referiu que a sua esposa era muito crítica em relação a ele e que era frequentemente hostil e se zangava. Além disso, Marcos sentia dificuldades em dormir à noite e estava a perder peso. 
O aumento da irritabilidade e das discussões andam muitas vezes de mãos dadas com a doença depressiva: em parte é por isto que a depressão num membro da família tem um impacto significativo nas emoções e no comportamento de outros membros da família — e no relacionamento do casal ou de toda a família.
O diagnóstico de depressão é feito normalmente quando uma pessoa sente cinco (ou mais) dos sintomas habitualmente descritos para a definir. Tais sintomas, ocorrem quase todos os dias durante, pelo
menos, 2 semanas. É obrigatório que pelo menos um dos sintomas seja o humor depressivo ou a perda de interesse ou prazer. 
Crianças e adolescentes podem ficar irritáveis em vez de tristes. Se algum destes sintomas ocorrer – e se se mantiver – é importante falar com o seu médico para se certificar se poderão corresponder a sinais de depressão.

Quem é afectado pela depressão
A depressão pode atingir todos os tipos de pessoas. Certos grupos podem ser mais propensos a deprimir-se. Por exemplo, as mulheres têm quase duas vezes maior probabilidade de terem sintomas da depressão do que os homens. Crianças e adolescentes podem também deprimir-se. Os sintomas da  depressão num adolescente são semelhantes aos do adulto, mas podem também incluir comportamentos inapropriados ou uma diminuição no desempenho escolar.
Aproximadamente 5% da população sofre, por ano, de alguma forma de depressão,
e muitas mais sentem os efeitos da depressão no seio da família6. Felizmente, o tratamento pode reduzir a gravidade e extensão dos episódios depressivos na maior parte das pessoas.

Causas da depressão
A depressão não é fruto de um único factor. Alguns acontecimentos com significado existencial — como um divórcio ou a perda de alguém querido — podem despoletar sintomas de depressão. Mas algumas pessoas deprimem mesmo quando a sua vida corre bem. A tendência para deprimir pode ocorrer numa família e parece haver um factor genético (ou herdado) em muitos casos de depressão4. Por exemplo, se um gémeo tem uma Doença Depressiva Major, há uma probabilidade de cerca de 50%
de que o outro exiba também sintomas de depressão, alguma vez, durante a sua vida. Além disso, filhos pais e parentes de uma pessoa com uma Doença Depressiva Major são duas ou três vezes mais propensos a terem este tipo de depressão, do que os parentes em primeiro grau de pessoas sem esta doença.
Causas físicas podem também contribuir para o desencadeamento da depressão e acredita-se que os sintomas possam também ser despoletados pelo desequilíbrio ou diminuição do nível de substâncias químicas (chamadas neurotransmissores, que incluem a serotonina e a noradrenalina) ou dos sinais que estas transportam para o cérebro. Muitos dos actuais medicamentos antidepressivos actuam regulando o nível destes neurotransmissores. Outras doenças, o uso de certos medicamentos e
a ingestão excessiva de álcool ou drogas, podem também contribuir para o desenvolvimento da doença depressiva4.
As causas da depressão são diferentes para cada indivíduo. Contudo, é importante que todos os membros da família compreendam que a pessoa não é “culpada” pela depressão e que, simplesmente, “tentar reagir” não irá resolver o problema.
E, quaisquer que sejam as causas, a maior parte das pessoas tratadas começam a sentir-se melhor após algumas semanas de tratamento médico. A depressão não é causada por uma fraqueza pessoal ou por falta de controlo – é uma doença médica que pode ser tratada.

Existe mais do que um tipo de depressão?
Sim. Na Doença Depressiva Major há perda de interesse por coisas que antes eram apreciadas, sensação de tristeza, desânimo, melancolia e ainda pelo menos três dos seguintes sintomas: perda ou aumento de peso; insónia ou hipersónia; agitação ou lentificação psicomotoras; sensação de cansaço ou inquietação; sentimentos de incapacidade; problemas na concentração e pensamentos suicidas.
Algumas pessoas têm um tipo diferente de Doença Afectiva, conhecido como Doença Bipolar, ou Doença Maníaco-Depressiva.
As pessoas com esta perturbação sofrem um ou mais episódios maníacos (um estado anormal de humor que se encontra persistentemente exaltado, eufórico, expansivo ou irritável e que aparece conjuntamente com outros sintomas), os quais podem ser seguidos ou precedidos de episódios depressivos major.
Existem tratamentos eficazes para as Doenças Afectivas. Um profissional de saúde é a pessoa a consultar para que o diagnóstico seja efectuado e para que se tome a decisão mais apropriada em relação ao tratamento. O plano de tratamento tem de envolver um médico, caso a medicação seja considerada necessária.

A importância do Tratamento
A depressão responde bem ao tratamento. Hoje em dia, existem muitas opções de tratamento eficazes, e a maior parte dos doentes com depressão pode esperar uma melhoria com o tratamento. O objectivo da terapêutica medicamentosa é controlar
os sintomas e tratar a doença, permitindo que a  pessoa deprimida se sinta melhor
e retome a sua rotina diária normal.
A psicoterapia pode ser usada para ajudar a pessoa e a família a aprender novos comportamentos e estratégias de actuação. A psicoterapia (falar sobre as emoções e a depressão com um profissional qualificado), pode também ajudar a reduzir e tratar os sintomas. O programa de tratamento varia de pessoa para pessoa e cada caso deve ser avaliado individualmente. Por vezes, a combinação de tratamentos resulta numa melhoria mais consistente a curto e longo prazo.

Quanto tempo demora a ficar-se melhor?

Muitas pessoas começam a sentir-se melhor 3 a 4 semanas após o início da terapia. Contudo, é importante ter em conta que a recuperação de uma depressão nem sempre se processa de forma linear — por outras palavras, o doente depressivo poderá viver uma mistura de “bons” e “maus” dias, mesmo após os sintomas começarem a diminuir.

O profissional  responsável pelo tratamento pode sugerir que a pessoa deprimida mantenha um diário que a ajude a verificar se os sintomas estão a melhorar.
Por exemplo, o Dr. Kelsey, Professor do Departamento de Psiquiatria e Ciências Comportamentais, da Universidade de Medicina Emory, usa uma escala de depressão  para ajudar os seus doentes a terem a noção de como se sentem. Nesta escala, 0 — indica “Sinto-me pior do que alguma vez me senti”; 1 — “Sinto-me mal a maior parte do tempo”; 2 — “Sinto-me triste/infeliz algumas vezes”;  3 — “Sinto-me contente a maior parte do tempo” e 4 — “Sinto-me melhor do que alguma vez me senti”.

Tomar breves notas acerca dos padrões de sono ou de outras actividades diárias pode também ser útil.
O cônjuge ou outro membro da família podem dar uma ajuda preciosa nesta área, uma vez que alguns doentes deprimidos podem sentir-se demasiado tristes ou cansados para registarem os seus próprios sintomas (pelo menos nos primeiros dias ou semanas da terapia).
A depressão pode também ser uma doença recorrente. Estudos mostraram, contudo, que o tratamento médico contínuo pode ajudar a prevenir o regresso dos sintomas (uma recaída ou nova ocorrência). O tratamento pode também aumentar a probabilidade de uma pessoa permanecer bem. Os tratamentos para a depressão incluem medicação, psicoterapia, ou a combinação de ambos.
Os medicamentos para o tratamento da depressão são conhecidos como antidepressivos. Existem muitos tipos de medicamentos antidepressivos e cada um actua de um modo ligeiramente diferente do outro. É importante que os membros da família compreendam que pode levar algum tempo até encontrar o medicamento que melhor actua e que é mais fácil de tomar — seja paciente e lembre-se que um tratamento eficaz pode trazer verdadeiros benefícios.
As medicações antidepressivas podem ajudar a normalizar os desequilíbrios químicos por vezes associados à depressão. Como foi anteriormente mencionado, pensa-se que estes medicamentos actuam regulando o nível de substâncias químicas especiais (neurotransmissores) que transmitem sinais no cérebro. Existem numerosos antidepressivos. Os medicamentos mais antigos incluem os antidepressivos tricíclicos tais como a amitriptilina, a nortriptilina, a imipramina, a clomipramina e os inibidores da monoaminoxidase (MAOIs). Os antidepressivos tetracíclicos antigos incluem a trazodona e a maproptilina.
Nos últimos anos, um número de novos medicamentos têm sido introduzidos.
Estes, incluem os inibidores da serotonina (SSRI) como a fluoxetina, paroxetina, fluvoxamina e sertralina, os inibidores da serotonina e da noradrenalina como a venlafaxina, além de outros compostos.
Devido ao facto de todos estes agentes serem bastante eficazes e bem tolerados, são agora vulgarmente utilizados no tratamento da depressão. O seu médico pode fornecer-lhe informações mais completas sobre a medicação antidepressiva.

Quais são alguns  dos efeitos secundários que podem ocorrer durante o tratamento com antidepressivos?

Os antidepressivos tricíclicos podem causar sonolência, boca seca, aumento de peso, visão turva, obstipação, e tonturas, entre outros efeitos secundários.
Os novos antidepressivos podem causar náuseas, diarreia, alterações do peso, tremores, insónia e outros efeitos secundários. Muitos destes efeitos secundários desaparecem ou diminuem com o decorrer do tempo. Geralmente, os novos antidepressivos são bem tolerados pela maioria dos doentes deprimidos.
Quando surgem efeitos secundários, é importante informar o médico. Muitas vezes, uma simples mudança – como ajustar a dosagem ou tomar o medicamento com (ou sem) comida – pode eliminar o problema. Alternativamente, uma vez que existe uma variedade de medicamentos eficazes disponíveis, o médico poderá aconselhar a mudança para outra medicação. Como membro da família, é importante apoiar a pessoa deprimida que sofre com os efeitos secundários, encorajando-a a falar com o médico.
Como se constatou anteriormente, a psicoterapia pode também ajudar a reduzir os sintomas e a tratar  depressão. O terapeuta e o doente podem discutir experiências, relações, acontecimentos, sentimentos e percepções importantes para o doente, o que poderá ajudar a clarificar questões penosas.
Uma vez que a depressão “mexe” com outros membros da família, a participação de toda a família em algumas sessões de aconselhamento poderá  ser útil. O doente e seus familiares poderão discutir esta hipótese com o terapeuta responsável pelo tratamento.
Para algumas pessoas, particularmente aquelas com depressões mais ligeiras, a psicoterapia poderá ser o único tratamento a seguir. O médico psiquiatra poderá ajudar a decidir se a psicoterapia é adequada ao tratamento do doente.

Como posso falar dos meus problemas quando estou deprimido?


O estigma associado aos sintomas depressivos impede muitas pessoas de procurarem ajuda mas, como esta brochura mostra, existem numerosos tratamentos eficazes.
É por isso que é necessário encontrar um médico, psicólogo ou outro profissional de cuidados de saúde com o qual se sinta à vontade para conversar. Poderá necessitar de falar de questões delicadas, uma vez que a depressão pode afectar todos os aspectos da vida familiar – desde a rotina normal da família até ao relacionamento sexual entre o casal. Encontrar uma solução é importante! Trata-se da sua saúde e da sua vida. A educação e o esclarecimento irão ajudar a combater a depressão.

Para iniciar uma conversa ou discussão, poderá achar útil apontar algumas questões antes de se dirigir ao consultório médico ou à sessão de aconselhamento.
Durante a visita, não hesite em tirar notas. Desse modo poderá rever o que o médico ou terapeuta lhe foi dizendo.

Como familiar de que modo posso ajudar?


É importante que os familiares possam fornecer à pessoa deprimida um ambiente carinhoso e de apoio. É natural que se espere que os sintomas da depressão desapareçam rapidamente, mas é preciso reconhecer que o doente irá progredir ao seu próprio ritmo. Tente não se colocar a si e à pessoa deprimida em situações que possam provocar desapontamentos e tente não pressionar o doente a animar-se.
Lembre-se que o primeiro tratamento pode não ser a melhor resposta para a depressão e que o processo de tentativa e erro pode levar algum tempo. Encoraje a pessoa com depressão. Registe quaisquer melhorias. Considere uma reavaliação posterior com o médico, ou até a procura de uma segunda opinião se as semanas passarem e os sintomas permanecerem inalteráveis ou piorarem.
Algumas pessoas têm de experimentar mais do que um tratamento ou trabalhar com mais de um profissional de saúde, antes de encontrar a combinação certa entre a relação pessoal e o tratamento indicado.
O desânimo provocado pela depressão pode levar o doente a pensar que não vale a pena consultar um médico ou tomar medicação. Ajude-o a seguir as instruções
do médico.
Finalmente, procure ser sensível. Trate a pessoa tão normalmente quanto possível, mas não o faça como se nada se passasse. A pessoa depressiva apreciará que não se ignore a sua doença.
Lembre-se que procurar tratamento é um sinal de força e é o primeiro passo para se sentir melhor. Reconheça que a melhoria sintomática é uma etapa em direcção a um objectivo mais global — resolver os problemas relacionados com o episódio depressivo, melhorando o relacionamento e os aspectos afectivos e emocionais que terão conduzido à depressão. Este processo demora algum tempo, mas pode levar a uma vida mais saudável e feliz.

O modo como a depressão afecta os comportamentos e as Relações
A depressão está muitas vezes ligada a uma mudança no comportamento. Os doentes deprimidos revelam muitas vezes dificuldade em se relacionar com os outros. Além disso, dão sinais subtis a que se deve estar atento: por exemplo, há estudos que mostram que as pessoas depressivas mantêm menos contacto visual
e falam mais baixo ou lentamente. Podem também falar num tom monocórdico.
A sua conversação pode ser dominada por pensamentos negativos, incluindo a tristeza e o desespero.

A depressão pode também ter um impacto significativo no padrão de comportamento dos outros membros da família. Por exemplo, a depressão é muitas vezes acompanhada por um aumento das discussões conjugais. Os cônjuges de pessoas deprimidas têm tendência a ficarem frustrados com estes.
No geral, as relações das pessoas deprimidas com os seus cônjuges são caracterizadas por um maior nível de irritação e hostilidade.
Os problemas conjugais parecem ter uma forte influência no decurso da depressão. Contudo, um apoio conjugal forte, poderá resultar em melhorias mais rápidas e  duradoiras dos sintomas depressivos. De igual modo, o apoio e participação de outros familiares pode ser essencial na diminuição desses sintomas. A colaboração de todos os familiares poderá ajudá-los a lidar com os seus sentimentos e a fortalecer a sua relação.
A depressão pode também afectar a ligação entre pais e filhos. As pesquisas sugerem que os pais depressivos têm mais dificuldades em interagir com os seus filhos e poderão retirar menos prazer da paternidade. O impacto da depressão poderá ter efeitos duradoiros no bem-estar psicológico e social dos filhos.

Reconhecendo como o humor afecta as relações


O humor afecta as relações criando um padrão negativo de comportamento. Todas as tardes, depois do trabalho, Isabel costumava perguntar a seu marido Samuel, como tinha corrido o trabalho. Samuel, habitualmente, apenas queria descansar e esquecer o trabalho e por isso limitava as suas respostas a pequenas frases, como “correu bem, querida”. Isabel sentia que Samuel estava propositadamente a esconder-lhe como tinha decorrido o dia. Uma vez que a depressão encorajava os pensamentos negativos, ela começou a acreditar que ele não a achava suficientemente importante para partilhar a sua vida e passou a sentir-se rejeitada. Isto veio agravar o seu desânimo e a diminuir a sua auto-estima.

Ressentimento como resultado da sobre–compensação da pessoa depressiva.
Depois de um casamento de 10 anos, o Nuno e a Susana mudaram-se para uma nova cidade, para a qual o Nuno tinha sido transferido pela sua empresa. A Susana, que era professora, teve dificuldade em encontrar um emprego na nova cidade. Várias semanas após a mudança, começou a ficar menos activa na procura de emprego e a encontrar poucos motivos para sair de casa. Nenhum dos dois conhecia muitas pessoas na nova cidade. Mas, enquanto o Nuno se relacionava diariamente com os seus novos colegas, a Susana passava a maior parte do seu tempo sozinha e isolada.
No espaço de 6 meses, Susana passou a dormir 10 a 12 horas por dia e a queixar-se de cansaço. Foi-lhe diagnosticada uma depressão. Tentando ajudar, Nuno parou de fazer “jogging” três vezes por semana de modo a ficar em casa e apoiar a Susana.  Isto, por sua vez, fez com que ele se sentisse ressentido e zangado.

Alguns estudos têm mostrado que o envolvimento e apoio familiar pode ter grande influência no decurso da doença depressiva.
Quando apropriado, encoraje toda a família a envolver-se no processo de recuperação e, se possível, peça o apoio de amigos se os membros da família não estiverem disponíveis. Algumas famílias beneficiam da participação em terapia familiar ou aconselhamento. Trabalhar com um terapeuta pode também ajudar os casais e famílias a aprenderem estratégias de comunicação mais eficazes e a melhorar a maneira de combater a depressão em casa. Um grupo de apoio para pessoas com doença depressiva e seus familiares pode também tranquilizar e informar, assim como serem encorajados por outros que tenham vivido experiências semelhantes.

Responder à ameaça de suicídio


As pessoas com depressão têm um maior risco de suicídio.
Se um familiar com depressão expressou pensamentos suicidas, chame o seu psiquiatra imediatamente. Perante um perigo iminente, não hesite em chamar o 112 ou levar o doente deprimido à urgência. Não menospreze nem espere pura e simplesmente que a crise passe, embora seja importante não entrar em pânico nesta situação. Mantenha uma comunicação aberta com o seu familiar, colocando questões directas e que mostrem a sua preocupação. Deixe que a pessoa deprimida saiba que a vida dela é muito importante e valiosa para si. Lembre-lhe que estes pensamentos suicidas são sintomáticos de uma doença médica e que existem tratamentos disponíveis e eficazes.
Uma vez que nem sempre é possível prevenir o suicídio, torne-o mais difícil, removendo de casa armas, álcool e medicamentos desnecessários. Se um familiar depressivo tentar o suicídio, procure não atribuir culpas. Os seus sentimentos são sintomas de uma doença. Os membros da família devem procurar aconselhamento para serem ajudados perante o choque que é ter um membro da família com uma doença que pode levar ao suicídio.

Estratégias de luta para toda a Família
Quando alguém está com sintomas de depressão, a melhor forma de lidar com a doença é estar preparado. E isso significa aprender acerca da depressão e dos seus efeitos, para ajudar a compreender o que está a acontecer e desenvolver estratégias de actuação. A seguinte lista do que Deve e Não deve fazer elaborada pelo Dr. Kelsey oferece um ponto de partida. Lembre-se que nem todas as sugestões se podem aplicar a uma determinada situação particular, mas muitas vezes a ideia pode ser adaptada de modo a ajustar-se a necessidades específicas. Poderá também ser útil discutir estas sugestões com um profissional de saúde – quer o médico de família, o psiquiatra ou o terapeuta – porque ele poderá estar apto a fornecer mais ideias  ou a mostrar modos de usar estas sugestões, no seio de um ambiente familiar específico.

Deve:
Estar atento aos hábitos de dormir. O aumento ou a diminuição do sono podem ser sintomas de depressão. Alguns passos simples podem melhorar os seus hábitos de sono:
  • Mantenha horas certas para se deitar e para se levantar de manhã.
  • Reduza ou elimine a ingestão de cafeína (vigie a cafeína dos refrigerantes, café ou chá).
  • Durma num quarto fresco (o que pode ajudar ao sono).
  • Evite o exercício extenuante antes da hora de dormir.
  • Use a cama apenas para dormir ou para actividade sexual (não leia, não veja televisão ou trabalhe na cama).
Tentar fazer escolhas de vida saudáveis sempre que possível (isto ajuda a pessoa deprimida e a família a lidar com a doença).
  • Evite a ingestão de álcool.
  • Faça exercício regularmente (lembre-se de consultar um médico antes de começar um novo programa de exercícios).
  • Tenha em atenção a ingestão de comida. Muitas pessoas com depressão têm um apetite reduzido e, nestes casos, uma nutrição apropriada é essencial. Outros sentirão uma necessidade compulsiva de comida, como chocolates ou hidratos de carbono, mas depois sentem-se culpados por se permitirem estes excessos.
Reconhecer que a pessoa está doente e que o tratamento é prioritário.

Reconhecer que os sintomas da depressão podem mudar o comportamento de uma pessoa e porque a depressão é uma doença médica, a pessoa pode não ser capaz de controlar o seu comportamento mesmo após o diagnóstico da depressão ter sido feito. Todos nós sabemos que uma pessoa com uma perna partida continua a sentir dores e a ter dificuldades em andar mesmo depois do raio-x ter mostrado a causa da dor, mas podemos não nos lembrar que uma pessoa com o diagnóstico de depressão pode continuar a sentir-se mal.

Ter em atenção que o doente deprimido tem uma visão negativa da vida. A tendência para pensar que tudo é mau ou irremediável pode ser parte do estado depressivo. Os familiares necessitam de compreender e de tentar encontrar maneiras para lidar com a frustração que poderá surgir de vez em quando.

Reconhecer que os membros da família podem ter de se ajustar à partilha de responsabilidades em casa. Quando a depressão diminui a capacidade de uma pessoa no desempenho das suas tarefas em casa, os familiares poderão ter dificuldades em se adaptarem à nova situação.
Às vezes poderá ser útil tornar mais flexível a manutenção da casa e preparar refeições mais simples. O cônjuge ou os filhos poderão assegurar mais tarefas domésticas.

Reconhecer que os membros da família estão a passar por um período desgastante. Os familiares não deverão ficar surpreendidos se se sentirem mais fatigados ou menos tolerantes, uma vez que a depressão pode ser acompanhada de um aumento do nível de stress na família. Torna-se, por isso, muito importante que os familiares mantenham as suas rotinas normais e que dispensem tempo para cuidarem de si próprios.

Discutir abertamente com o médico os progressos e efeitos do tratamento.

E EM RELAÇÃO AOS FILHOS?

As crianças são muito sensíveis ao modo como os pais se relacionam um com o outro e, normalmente, sentem quando alguma coisa está errada. Além disso, muitas crianças têm uma imaginação muito activa e podem imaginar que uma situação é pior do que realmente é, ou que a depressão é por sua culpa. O doente deprimido deverá falar directamente com a criança sobre a doença ou poderá pedir a um amigo próximo ou ente querido que o faça. A idade e a maturidade emocional dos filhos deverá orientar a decisão do que deve ser dito.

Explique aos filhos o que se está a passar.


Se existirem crianças na família, reserve-lhes algum tempo para lhes explicar a situação. Um pai poderá dizer à criança: ”Tenho andado doente ultimamente, não tenho? Tenho uma doença chamada depressão. O médico está a ajudar-me a ficar melhor.  Mas, entretanto, poderei não ser capaz de passar tanto tempo contigo como gostaria. Continuo a gostar muito de ti.” Ou o companheiro poderá dar uma explicação:
“A vossa mãe está doente. Os médicos estão a ajudá-la a ficar boa, mas por vezes ela vai sentir-se triste ou mal humorada.  Não foi nada que vocês tenham feito, mas ela precisa da vossa paciência e compreensão.”

Se a criança tiver idade suficiente, ajude-a a compreender a depressão. O objectivo é deixar os filhos expressarem os seus sentimentos e fazer perguntas sobre depressão. É natural que queira proteger os seus filhos de situações dolorosas, mas é-lhes mais fácil lidar com a dor que compreendem do que com os males que imaginam. Sem conhecerem algo sobre a depressão, os filhos poderão ficar magoados ou confusos por uma aparente falta de atenção ou por pedidos e exigências descabidas.

Permita a participação da criança nas sessões de aconselhamento familiar
. Se a criança tiver idade suficiente, poderá ser útil para ela conversar com um terapeuta acerca dos seus sentimentos.
Tal poderá também servir como uma oportunidade para a criança aprender sobre a depressão.

Não Faça:

  • Não exclua a pessoa deprimida dos assuntos ou discussões familiares.
  • Não tente fazer tudo pela pessoa deprimida, embora possa parecer que é a melhor maneira de a ajudar. Embora o doente depressivo possa não ser capaz de fazer tudo, aceitar algumas responsabilidades pode melhorar a sua auto-estima. Cuidado com palavras como “deixa estar, eu faço isso”, depois da pessoa deprimida já ter iniciado a tarefa. Tente dar ao doente deprimido, pelo menos, a oportunidade de completar a tarefa.
  • Não critique ou culpe a pessoa pelo comportamento depressivo.
  • Não espere que a pessoa “saia dessa” sem mais nem menos.
  • Não tenha receio de colocar questões. Com a depressão, muitas pessoas precisam de aprender a pedir e aceitar ajuda exterior pela primeira vez nas suas vidas.
    Um médico, os hospitais, uma biblioteca e os grupos de apoio são boas fontes de informação sobre a depressão.
  • Não tome decisões importantes sobre a sua vida (casar-se ou divorciar-se, mudar de emprego ou de residência) durante uma doença depressiva, se tal for possível evitar.
  • Não tente remediar todos os maus hábitos durante a recuperação da depressão.
    À medida que os sintomas da depressão vão melhorando e o indivíduo se sente bem com as mudanças que estão a acontecer na sua vida, o doente deprimido tem uma tendência natural para pensar que é uma boa altura para deixar de fumar ou para abandonar hábitos pouco saudáveis.

MÉTODOS CONSTRUTIVOS DE LUTA

Aumente a quantidade de tempo gasto com alguém querido na realização de tarefas agradáveis. Tente fazer uma lista de pequenas acções que podem ser feitas frequentemente durante o dia e que mostram sentimentos positivos e carinhosos.  Por exemplo, diga “obrigado” após a realização de uma tarefa ou “isso estava mesmo bom”, quando algo foi bem feito. Outra boa maneira de aumentar a empatia é dar à pessoa querida um abraço ou uma palmada casual nas costas. Mas seja sincero.
Procure ser melhor ouvinte. Resuma o que a outra pessoa disse para ter a certeza que ambos se compreenderam e coloque questões para as clarificar. Um médico ou terapeuta pode ajudar esta prática familiar e melhorar estas aptidões.
Faça um esforço consciente para cooperar na resolução dos problemas. Lembre-se que as soluções em que ganham ambos são sempre melhores do que as soluções em que um cônjuge ou familiar “perde” algo do que queria. Na resolução dos problemas dever-se-á definir a questão, pensar em soluções e avaliar se essas soluções se adequam às necessidades.
Transforme a expressão de preocupação e estima pelos seus familiares num hábito. Sinta-se livre para tecer elogios e esteja atento aos aspectos positivos das pessoas que lhe estão próximas.

Encontrar ajuda e apoio
Lidar com a depressão na família pode ser um grande desafio... mas também representa uma oportunidade para as pessoas queridas se tornarem mais próximas e ganharem uma maior compreensão das forças e fraquezas de cada um. Quando um casal ou família se une para ultrapassar os tempos difíceis, todos beneficiam. Durante a recuperação, o apoio e a ajuda dos outros (fora da família) pode ser inestimável.

Referências:
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  4. Kaplan HI, Sadock BJ, Grebb JA. Mood disorders. In: Kaplan and Sadock's Synopsis of Psychiatry: Behavioral Sciences, Clinical Psychiatry. 7th ed. Baltimore: Williams & Wilkins; 1994:516-572.
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