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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Hipocondriaco - preocupação excessiva prela saúde





 A preocupação excessiva com doenças

Vamos entender um pouco mais o que acontece com as pessoas que estão constantemente buscando um diagnóstico numa peregrinação constante em consultórios médicos, e os exames realizados não confirmam a preocupação. Nessa busca por um diagnóstico ou por alguém que confirme suas suspeitas, são alvos fáceis de "charlatões", acreditando em cada receita milagrosa que prometem.
Quando há:
- preocupação com o medo de ter uma doença grave;
- interpretação muitas vezes errônea de um ou mais sintomas somáticos;
- preocupação persistente, apesar de exames e uma avaliação médica não confirmarem sua suspeita;
- preocupação com a doença temida se torna uma característica central da pessoa;
Nesses casos, damos o nome de hipocondria, que se estende um pouco mais do termo utilizado popularmente em quem toma muitos remédios. A hipocondria pode iniciar em qualquer idade, mas surge com maior freqüência em adultos, tanto em homens como em mulheres. Preocupações com a saúde em pessoas idosas tende mais a ser realista e dificilmente constitui hipocondria.
Podemos perceber no hipocondríaco um desespero permanente em descobrir a causa pelo que sente, os sintomas aparecem e desaparecem com irregularidade, transferindo-se de uma parte para outro do corpo. Para eles suas dores são perfeitamente reais, e ocupam a maior parte do seu tempo, chegando muitas vezes a incapacitá-lo para a vida normal e seus afazeres. É muito comum se aborrecerem com os profissionais ou não acreditarem em estar obtendo os cuidados médicos adequados, quando estes não encontram nada que justifique seus sintomas, pois os exames não confirmam suas suspeitas, e são resistentes à psicoterapia quando são encaminhados para tal tratamento. Quando isso ocorre, buscam outro profissional "mais capacitado".
Podemos perceber uma série de etapas que se seguem nessa busca que se inicia a cada tratamento:
- Os pedidos do paciente para que lhe seja aplicado um tratamento, defronta-se com a decisão do médico de proceder com exames, testes e remédios, procurando evitar admitir uma possível causa orgânica;
- Após cada tentativa o paciente sente um certo alívio, seguido de piora, resultando novamente em nenhuma alteração de seus sintomas;
- Paciente e médico ficam frustrados e o ciclo recomeça novamente, agora com outro profissional.
Inconscientemente, acredita que seu sofrimento físico pode ser uma proteção contra perigos mais ameaçadores, e assim sente que pode ser perigoso curar-se, ou seja, por mais que diga que deseje se curar, inconscientemente não deseja. Isso acontece porque a maioria dos sintomas psicossomáticos proporciona um benefício, inconsciente, primário, que é o alívio para sua angústia ou culpa. Para algumas pessoas é aceitável terem sintomas físicos, mas não aceitam que tenham conflitos emocionais. O sofrimento físico nos dias de hoje ainda desperta a possibilidade de ajuda, enquanto o emocional é desprezado ou não considerado digno de atenção. Muitas vezes recorrem à doença para compensar a falta de amor que sentem. Podem desejar ainda punir ou induzir a culpa nas pessoas que em seu modo de pensar o levaram a ter tais sintomas/doenças. Todo esse sofrimento manifestado pelos sintomas é como se fosse um castigo, que geralmente resulta de sentimentos de culpa inconscientes, que não são percebidos por quem os sente, mas nem por isso deixam de existir.
A maioria dos hipocondríacos pode ter manifestado forte ódio por seus pais ou irmãos, sentindo uma culpa inconsciente por ter desejado algumas vezes a morte de um deles. Como sabemos, o inconsciente é primitivo e incapaz de distinguir realidade de fantasia, acreditando que a culpa só poderá ser aliviada através de seu intenso sofrimento.
Os sintomas podem também constituir uma forma de afirmação de identidade, pois em geral não sentem segurança de seu valor, apresentando baixa autoestima. O fato de ter alguém para ouvi-lo e dar-lhe atenção pode assegurar-lhe que realmente existe e é digno de merecer atenção, o que explica sua busca constante por cuidados médicos, pois geralmente são pessoas com intensa necessidade de atenção e cuidados. O rancor por não terem recebido amor, proteção, afeto pode ser transferido para os profissionais quando estes não correspondem às suas expectativas, quase sempre frustradas. Seus sintomas podem representar uma linguagem corporal para expressar sua necessidade de cuidados.
Se você convive com alguém que apresenta essas características, abaixo segue algumas orientações em como lidar:
- Escute: O que eles mais precisam é de alguém que os ouçam com atenção. O que mais buscam é alguém em que possam confiar.
- Leve a sério seus sintomas: Não lhe diga que suas dores são fantasias ou imaginação de sua cabeça. Procure explicar que a tensão é capaz de gerar muitos sintomas.
- Dê atenção aos seus sentimentos: Encoraje-o a falar sobre seus medos e necessidades. Incentive-o a perceber que pode haver conflitos emocionais. Talvez possa fazê-lo compreender que o excesso de preocupação com sua saúde poderá levá-lo a negligenciar outras áreas importantes de sua vida.
- Destaque os aspetos positivos: Não supervalorize seus sintomas, isso poderá deixá-lo mais apavorado. Também não sugira mais exames, nem novos remédios, pois eles têm tendência a tomar medicação em exagero e tornarem-se dependentes dos mesmos.
- Incentive-o: Buscar outros objetivos ou algo que lhes dê sentido à vida pode ajudar a enfrentar e superar sua busca por atenção.
Há ainda a hipocondria inversa, onde em vez de recorrerem a sintomas físicos para expressar suas dificuldades emocionais, usam sintomas emocionais para mascarar um sintoma físico. O que pode se tornar muito perigoso, pois podem negar e ignorar uma doença até que se torne fatal. Diferente da hipocondria, que quando lhe é perguntado como se sente, responde com sintomas físicos; a hipocondria inversa responde com sentimentos, mesmo que tenha dor física.
Enfim, o hipocondríaco preocupa-se de maneira obsessiva com sua saúde, demonstrando muitas vezes uma certa satisfação em sentir-se doente; porém, dificilmente aceitam esse fato, pois demonstram relutância em livrar-se dos sintomas físicos devido aos ganhos secundários. Podemos perceber que tudo gira em torno do físico, não do espiritual; o medo da morte é projetado no corpo, de modo que temem morrer pelos mais diferentes sintomas. E quem tem medo de morrer na verdade tem muito medo de viver.

Por: ROSEMEIRE SACO

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A Ansiedade




A ansiedade é uma das coisas que emperram nossa vida,
que acaba com nossa alegria e bem estar. No corpo ela se
manifesta de diversas formas:  aperto no peito, falta de
ar, aflição, suores, comer demais, o ansioso perde o senso,
sente uma agitação aflita (diferente daquele que faz tudo
rapidinho, este não sente aflição). A ansiedade também
imobiliza a cabeça. O que acontece na cabeça então? Medo,
irritação. A cabeça fica um tumulto, abobada, perturbada.
E estraga o seu melhor, e você não dá o que tem, e a
vida fica sem gosto, sem prazer. Se sente fora de tudo,
parece que anula tudo o que está acontecendo, sai fora da
realidade. É doença, por causa do efeito,cansa, acaba com o
vigor. Tira o gosto de viver, causa sérias doenças físicas e
psíquicas.
 
Ela pode ser vencida completamente ou então diminuída.
 


Como a gente FAZ a ansiedade? Indo para o amanhã.
Existe o amanhã? Não,como também não existe o passado
Só temos o agora e só podemos estar no presente. Então a
ansiedade é um fenômeno da imaginação, e esta é ótima
quando bem usada, porém quando mal administrada traz
resultados nefastos. E não adianta falar “VOU LARGAR” É
preciso sim controlar sua imaginação. Eu tenho o arbítrio
para isto.

Como você sabe FAZER a ansiedade, tem que saber
também COMO DESFAZER . Quando você está
fazendo você vai para o futuro e fica lá inventando moda.

Você não está planejando, programando, e isto sim é até
bom, porém você está procurando PROBLEMAS. E aí é
que começa o pior jogo que se pode fazer o jogo do “E
SE...” Isso é terrível, pois imagina sempre o pior e fica lá
tentando resolver o problema (preocupação). Se
(pré)ocupando com algo imaginário. Você produz medo e
ainda fica: “O QUE QUE EU VOU FAZER SE... ? 




 Ex.: vou fazer uma festa daqui 15 dias, e começo agora com os “e
se...”, não estou planejando as coisas necessárias, bebidas,
comidas, etc., e sim conjeturando sobre o que pode
acontecer na festa, se fulano vem, se vai esfriar o tempo, se
a comida vai ser suficiente. E assim coloco agora toda a
energia sobre algo que irá ocorrer somente daqui a 15
dias. Esta energia represada dentro de mim vai provocar a
ansiedade, pois o fato não está ainda ocorrendo para que ela
seja usada. E o que vai acontecer? No dia da festa, após a
mesma, você estará exaurido completamente. Não foi a festa
que cansou, e sim todas as suas expectativas colocadas nos dias
que a precederam.
 

O que é preocupação? É algo que ainda não está e pelo qual
você já está se ocupando, ou seja você está se ocupando
com uma coisa que ainda não existe e que talvez nem vá
existir. E a tendência da preocupação é sempre para o
pior.


Nós aprendemos desde crianças que preocupação é coisa de
gente séria, gente responsável. As pessoas acham que se
preocupar é consideração com os outros: “estou
preocupada com você, pois as coisas podem não dar certo”
Que horror! Você precisa disso?! Isso é doença! Não ajuda a 

pessoa e ainda destrói, isso sim.
 

Viver bem é cabeça boa, cabeça fresca.

Retirado de: -  Curso Vida e Consciência - Gasparetto (continua)

domingo, 23 de outubro de 2011

COM MEDO DE TUDO !


Um dos distúrbios de ansiedade, a doença faz parte da vida de 3% da população mundial. Mas tem tratamento:

De repente o coração dispara. O peito aperta, as mãos transpiram e os braços começam a formigar. A cabeça gira e parece que tudo treme por dentro. Como se não bastasse, o ar some e é necessário respirar mais rápido para não se sufocar. Parece que a morte está chegando. Se ao menos desse para sair correndo ou, quem sabe, segurar a mão de alguém... Impossível controlar a avalanche de sensações, o imenso pavor.

A cena acima é uma típica crise de síndrome do pânico
, doença que não escolhe conta bancária, cor da pele nem país, prefere as mulheres na proporção de três para um e faz, ou fará, parte da vida de 3% da população mundial.

Medo desproporcional:
A síndrome é caracterizada pela repetição de crises que surgem aparentemente sem motivo, chegam ao pico em 10 minutos e duram cerca de 40. Vive-se um medo desproporcional. A pessoa pode até pensar que está tendo um infarto e correr ao pronto-socorro. Mas será liberada pelos médicos por estar bem clinicamente. Seu problema é outro. "A cabeça tira conclusões erradas", explica Márcio Bernik, coordenador do Laboratório de Ansiedade do Hospital das Clínicas, em São Paulo.

Rotina limitada:
As conseqüências são terríveis. Há sempre o temor de uma nova crise e o indivíduo passa a evitar situações que acredita desencadear o problema. Cerca de dois terços dos pacientes desenvolvem a agorafobia, medo de locais públicos. Receiam passar mal e não encontrar socorro.

O transtorno do pânico não é privilégio da vida moderna. Já teve vários nomes, como síndrome do coração do soldado, por causa da Guerra Civil Americana (1861-1865), em que surgiram alguns casos. O médico austríaco Sigmund Freud a enquadrou na neurose da angústia. Só nos anos 80 a doença teve o diagnóstico bem definido (veja o quadro à direita).

Fatores biológicos, genéticos, ambientais e psicológicos mesclam-se durante o ataque. Sabe-se que há problemas com certos neurotransmissores, porque as crises melhoram com drogas capazes de regulá-los. Os mecanismos acionados pelo cérebro, porém, são pouco conhecidos. "Provavelmente não existe um centro do pânico", explica o psiquiatra Renato Ramos, da Universidade de São Paulo (USP). "Várias estruturas cerebrais devem estar envolvidas."

Estudos indicam que existem de 17% a 35% de fatores genéticos. "Herda-se a vulnerabilidade", conta o psiquiatra Francisco Lotufo-Neto, da Faculdade de Medicina da USP. É aí que entram o estresse e a dificuldade para resolver os problemas.

Segundo Rosana Laiza, presidente da Associação Nacional da Síndrome do Pânico, é possível definir um perfil de quem desenvolve a doença. "Normalmente é uma pessoa perfeccionista, que não relaxa e quer controlar tudo", conta, baseada nos cerca de mil casos encaminhados à Associação nos últimos 16 anos. "Também é agarrado à imagem da mãe."

A ação dos remédios:
Há quem questione a conclusão. "É complicado avaliar alguém depois de doente", rebate a psicóloga Lígia Ito, do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Polêmicas não faltam. Afinal, trata-se da cabeça, de emoções.

Apesar das divergências, há tratamento. Começa com remédios, principalmente antidepressivos, que atuam sobre os neurotransmissores. "Há várias opções e o médico seleciona aquele que irá causar menos efeitos colaterais conforme o paciente", explica a psiquiatra Helena Calil, da Universidade Federal de São Paulo.

Segundo pesquisa do Hospital das Clínicas paulistano, se tirada a droga após um ano de tratamento, 20% dos pacientes ficam bem, 40% têm recaída imediata e outros 40% recaem depois de uma situação de estresse. Há quem seja medicado por toda a vida.

Depois de medicado, inicia-se a terapia de auxílio. O paciente se expõe, sistematicamente, a uma das situações que teme, como enfrentar uma fila. Mede o grau de ansiedade a cada tentativa e aprende técnicas de relaxamento. "Também o ajudamos a confrontar os pensamentos catastróficos com a realidade", conta a psiquiatra Valéria Lauriano, de São Paulo.

"No lugar de pensar que o avião vai cair, lembramos que é um transporte seguro." Quando a pessoa chega ao objetivo sem sentir desconforto, escolhe outra situação que antes a aterrorizava. "Tudo é feito aos poucos", avisa Lotufo-Neto. "Além disso, indicamos psicoterapia para reacomodar problemas com relacionamentos e auto-imagem." Faz sentido: quem tem pânico questiona sua capacidade de enfrentar o mundo e se sente inferiorizado.

"Quem passou pelo problema sempre fica com alguma coisinha", acredita Antônio Santos. "Como o sujeito que comia coalhada assoprando a colher porque certa vez tinha se queimado com leite quente." Mas é difícil medir as seqüelas psicológicas — saber se o indivíduo está agitado por causa da doença do passado ou porque, como todo mundo, tem seus momentos normais de ansiedade.

Investigação psicológica:
Rosana Laiza também indica o relaxamento autógeno, técnica de autocontrole que possibilitaria regular o batimento cardíaco. E aplica a psicoterapia para resolver os males que estariam no fundo das crises. "Levamos o paciente a entrar em contato com sua infância."

Para o psiquiatra e psicanalista Oswaldo Ferreira Leite, do Hospital das Clínicas de São Paulo, "é importante não dispensar uma investigação psicológica, além dos outros tipos de tratamento".

Remédios, terapia comportamental, relaxamento autógeno, psicoterapia e psicanálise. Seja qual for o caminho, o importante é saber que existem saídas. "É possível encontrar ajuda e ser feliz", garante a dona de casa Lya Williams, de 50 anos. Com análise, terapia e medicação, ela livrou-se das crises que a atormentaram de 1988 a 1994. Como Lya, muitas vítimas podem recuperar a paz.

Conheça os sintomas:
Os sinais do pânico podem ser confundidos com os de hipertireoidismo, asma, diabete, epilepsia, dependência de drogas, alterações cardíacas e alcoolismo. Só quando esses males são excluídos é que se começa a pensar para valer na hipótese da síndrome.

O fato de alguém entrar em pânico não significa que tenha o distúrbio. Afinal, 10% da população está sujeita a ter uma crise ou outra de terror algum dia. O que caracteriza a doença, porém, é enfrentar mais de três ataques por mês.

Além disso, é preciso sentir pelo menos quatro dos seguintes sintomas: falta de ar, tontura, tremores, palpitação, sudorese, náusea, formigamento, despersonalização (sensação de deixar o corpo), ondas de calor ou de frio, desrealização (tudo parece um filme), medo de enlouquecer ou de morrer e urgência de ir ao banheiro.

Como amenizar os ataques:
É possível amenizar os ataques de medo. "Deve-se pensar que o desconforto vai passar e fazer respiração abdominal, mais profunda e demorada, para evitar tontura, tremor e formigamento", ensina a psiquiatra paulista Valéria Lauriano. "O ideal é treinar os movimentos em casa, deitado e com um livro sobre a barriga."

A psicóloga Rosana Laiza, presidente da Associação Nacional da Síndrome do Pânico, indica mudanças no estilo de vida. "É bom controlar o estresse e ser mais flexível consigo e com os outros".

Por: Dra. Elaine Marini

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Compreender a depressão e o seu impacto nas relações






A depressão afecta toda a família... Todos nos sentimos tristes ou “em baixo” de vez em quando — isto é uma parte normal da vida. Sentimentos tristes ou negativos que tornam difícil lidar com o dia a dia, podem assinalar uma doença chamada depressão.

A depressão pode causar um verdadeiro sofrimento — tanto para a pessoa afectada como para os membros da família e outros entes queridos. Quando uma pessoa está deprimida, pode achar difícil ir trabalhar, cumprir as tarefas diárias e até levantar-se da cama. Algumas vezes, a pessoa deprimida também acha difícil dar o primeiro passo na busca de ajuda.
Aqueles que estão ligados a quem sofre de depressão são frequentemente vítimas ignoradas, uma vez que o impacto da depressão nas suas vidas é pouco valorizado.
As pessoas que sofrem de depressão podem suscitar sentimentos de frustração, culpa ou mesmo irritação nos que lhes são queridos, os quais podem ressentir-se dos problemas da pessoa deprimida ou ter dificuldade em compreender as suas causas. Estes sentimentos são normais, mas ajuda ter meios saudáveis para lidar com eles.

Felizmente, a depressão é uma doença que se trata - e apreender o máximo que se puder acerca desta perturbação e do seu tratamento poderá ajudar. Esta brochura descreve situações concretas relacionadas com a depressão e dá sugestões práticas que podem ajudar toda a família a lutar contra os efeitos da depressão.

Qual a importância das relações familiares na depressão?


As relações de apoio entre membros da família (incluindo os cônjuges) são vitais no tratamento diário desta doença.


Reconhecer a depressão...
os sintomas podem ser por
vezes surpreendentes

A depressão afecta o humor da pessoa, a visão sobre a vida, o comportamento e até algumas funções corporais, tais como dormir, comer ou o próprio nível de energia. A pessoa depressiva sente quase sempre tristeza ou preocupação, e está frequentemente irritável ou ansiosa. Muitas pessoas com depressão costumam ter baixa da auto-estima e pensamentos negativos (noutras palavras, elas poderão pensar frequentemente, “Eu não consigo fazer isso” ou “Isto não vai resultar”).
A depressão tem diversos sintomas — alguns mais fáceis de reconhecer e outros mais difíceis. O primeiro sinal de depressão é, muitas vezes, uma mudança do comportamento normal da pessoa — podendo, por exemplo, tornar-se irritável e afastar-se ou começar a ter problemas com o sono ou o apetite. Sintomas comuns de depressão incluem3:

  • Sensação de tristeza, desânimo, melancolia
  • Perda de interesse por coisas que eram apreciadas (sexo ou outras actividades)
  • Perda de apetite ou peso (ou, por vezes, aumento de peso)
  • Dificuldade em dormir ou dormir em demasia
  • Agitação ou lentificação psicomotoras
  • Sensação de cansaço, lentidão ou inquietação
  • Sensação de incapacidade ou culpabilidade
  • Problemas em concentrar-se, pensar, recordar ou tomar decisões
  • Pensamentos de morte ou suicídio

Dois casos muito diferentes de Depressão

O modo como estes sintomas se manifestam pode variar de pessoa para pessoa.
Por exemplo, a Joana, de 19 anos, embora não se sentisse cansada, confessou ao seu médico que estava a ser difícil cumprir com o seu trabalho e compromissos sociais.
A sua mãe contou que a Joana andava a dormir 10 a 12 horas todos os dias, muito mais do que as suas normais 7 a 8 horas.
Tinha dores de cabeça, outras dores e problemas de estômago.
Embora possa parecer surpreendente, sintomas físicos como estes são comuns em pessoas com depressão.
Marcos, de 51 anos, contou que se encontrava frequentemente rabugento e sentia que ele e a sua esposa estavam sempre a discutir. Também referiu que a sua esposa era muito crítica em relação a ele e que era frequentemente hostil e se zangava. Além disso, Marcos sentia dificuldades em dormir à noite e estava a perder peso. 
O aumento da irritabilidade e das discussões andam muitas vezes de mãos dadas com a doença depressiva: em parte é por isto que a depressão num membro da família tem um impacto significativo nas emoções e no comportamento de outros membros da família — e no relacionamento do casal ou de toda a família.
O diagnóstico de depressão é feito normalmente quando uma pessoa sente cinco (ou mais) dos sintomas habitualmente descritos para a definir. Tais sintomas, ocorrem quase todos os dias durante, pelo
menos, 2 semanas. É obrigatório que pelo menos um dos sintomas seja o humor depressivo ou a perda de interesse ou prazer. 
Crianças e adolescentes podem ficar irritáveis em vez de tristes. Se algum destes sintomas ocorrer – e se se mantiver – é importante falar com o seu médico para se certificar se poderão corresponder a sinais de depressão.

Quem é afectado pela depressão
A depressão pode atingir todos os tipos de pessoas. Certos grupos podem ser mais propensos a deprimir-se. Por exemplo, as mulheres têm quase duas vezes maior probabilidade de terem sintomas da depressão do que os homens. Crianças e adolescentes podem também deprimir-se. Os sintomas da  depressão num adolescente são semelhantes aos do adulto, mas podem também incluir comportamentos inapropriados ou uma diminuição no desempenho escolar.
Aproximadamente 5% da população sofre, por ano, de alguma forma de depressão,
e muitas mais sentem os efeitos da depressão no seio da família6. Felizmente, o tratamento pode reduzir a gravidade e extensão dos episódios depressivos na maior parte das pessoas.

Causas da depressão
A depressão não é fruto de um único factor. Alguns acontecimentos com significado existencial — como um divórcio ou a perda de alguém querido — podem despoletar sintomas de depressão. Mas algumas pessoas deprimem mesmo quando a sua vida corre bem. A tendência para deprimir pode ocorrer numa família e parece haver um factor genético (ou herdado) em muitos casos de depressão4. Por exemplo, se um gémeo tem uma Doença Depressiva Major, há uma probabilidade de cerca de 50%
de que o outro exiba também sintomas de depressão, alguma vez, durante a sua vida. Além disso, filhos pais e parentes de uma pessoa com uma Doença Depressiva Major são duas ou três vezes mais propensos a terem este tipo de depressão, do que os parentes em primeiro grau de pessoas sem esta doença.
Causas físicas podem também contribuir para o desencadeamento da depressão e acredita-se que os sintomas possam também ser despoletados pelo desequilíbrio ou diminuição do nível de substâncias químicas (chamadas neurotransmissores, que incluem a serotonina e a noradrenalina) ou dos sinais que estas transportam para o cérebro. Muitos dos actuais medicamentos antidepressivos actuam regulando o nível destes neurotransmissores. Outras doenças, o uso de certos medicamentos e
a ingestão excessiva de álcool ou drogas, podem também contribuir para o desenvolvimento da doença depressiva4.
As causas da depressão são diferentes para cada indivíduo. Contudo, é importante que todos os membros da família compreendam que a pessoa não é “culpada” pela depressão e que, simplesmente, “tentar reagir” não irá resolver o problema.
E, quaisquer que sejam as causas, a maior parte das pessoas tratadas começam a sentir-se melhor após algumas semanas de tratamento médico. A depressão não é causada por uma fraqueza pessoal ou por falta de controlo – é uma doença médica que pode ser tratada.

Existe mais do que um tipo de depressão?
Sim. Na Doença Depressiva Major há perda de interesse por coisas que antes eram apreciadas, sensação de tristeza, desânimo, melancolia e ainda pelo menos três dos seguintes sintomas: perda ou aumento de peso; insónia ou hipersónia; agitação ou lentificação psicomotoras; sensação de cansaço ou inquietação; sentimentos de incapacidade; problemas na concentração e pensamentos suicidas.
Algumas pessoas têm um tipo diferente de Doença Afectiva, conhecido como Doença Bipolar, ou Doença Maníaco-Depressiva.
As pessoas com esta perturbação sofrem um ou mais episódios maníacos (um estado anormal de humor que se encontra persistentemente exaltado, eufórico, expansivo ou irritável e que aparece conjuntamente com outros sintomas), os quais podem ser seguidos ou precedidos de episódios depressivos major.
Existem tratamentos eficazes para as Doenças Afectivas. Um profissional de saúde é a pessoa a consultar para que o diagnóstico seja efectuado e para que se tome a decisão mais apropriada em relação ao tratamento. O plano de tratamento tem de envolver um médico, caso a medicação seja considerada necessária.

A importância do Tratamento
A depressão responde bem ao tratamento. Hoje em dia, existem muitas opções de tratamento eficazes, e a maior parte dos doentes com depressão pode esperar uma melhoria com o tratamento. O objectivo da terapêutica medicamentosa é controlar
os sintomas e tratar a doença, permitindo que a  pessoa deprimida se sinta melhor
e retome a sua rotina diária normal.
A psicoterapia pode ser usada para ajudar a pessoa e a família a aprender novos comportamentos e estratégias de actuação. A psicoterapia (falar sobre as emoções e a depressão com um profissional qualificado), pode também ajudar a reduzir e tratar os sintomas. O programa de tratamento varia de pessoa para pessoa e cada caso deve ser avaliado individualmente. Por vezes, a combinação de tratamentos resulta numa melhoria mais consistente a curto e longo prazo.

Quanto tempo demora a ficar-se melhor?

Muitas pessoas começam a sentir-se melhor 3 a 4 semanas após o início da terapia. Contudo, é importante ter em conta que a recuperação de uma depressão nem sempre se processa de forma linear — por outras palavras, o doente depressivo poderá viver uma mistura de “bons” e “maus” dias, mesmo após os sintomas começarem a diminuir.

O profissional  responsável pelo tratamento pode sugerir que a pessoa deprimida mantenha um diário que a ajude a verificar se os sintomas estão a melhorar.
Por exemplo, o Dr. Kelsey, Professor do Departamento de Psiquiatria e Ciências Comportamentais, da Universidade de Medicina Emory, usa uma escala de depressão  para ajudar os seus doentes a terem a noção de como se sentem. Nesta escala, 0 — indica “Sinto-me pior do que alguma vez me senti”; 1 — “Sinto-me mal a maior parte do tempo”; 2 — “Sinto-me triste/infeliz algumas vezes”;  3 — “Sinto-me contente a maior parte do tempo” e 4 — “Sinto-me melhor do que alguma vez me senti”.

Tomar breves notas acerca dos padrões de sono ou de outras actividades diárias pode também ser útil.
O cônjuge ou outro membro da família podem dar uma ajuda preciosa nesta área, uma vez que alguns doentes deprimidos podem sentir-se demasiado tristes ou cansados para registarem os seus próprios sintomas (pelo menos nos primeiros dias ou semanas da terapia).
A depressão pode também ser uma doença recorrente. Estudos mostraram, contudo, que o tratamento médico contínuo pode ajudar a prevenir o regresso dos sintomas (uma recaída ou nova ocorrência). O tratamento pode também aumentar a probabilidade de uma pessoa permanecer bem. Os tratamentos para a depressão incluem medicação, psicoterapia, ou a combinação de ambos.
Os medicamentos para o tratamento da depressão são conhecidos como antidepressivos. Existem muitos tipos de medicamentos antidepressivos e cada um actua de um modo ligeiramente diferente do outro. É importante que os membros da família compreendam que pode levar algum tempo até encontrar o medicamento que melhor actua e que é mais fácil de tomar — seja paciente e lembre-se que um tratamento eficaz pode trazer verdadeiros benefícios.
As medicações antidepressivas podem ajudar a normalizar os desequilíbrios químicos por vezes associados à depressão. Como foi anteriormente mencionado, pensa-se que estes medicamentos actuam regulando o nível de substâncias químicas especiais (neurotransmissores) que transmitem sinais no cérebro. Existem numerosos antidepressivos. Os medicamentos mais antigos incluem os antidepressivos tricíclicos tais como a amitriptilina, a nortriptilina, a imipramina, a clomipramina e os inibidores da monoaminoxidase (MAOIs). Os antidepressivos tetracíclicos antigos incluem a trazodona e a maproptilina.
Nos últimos anos, um número de novos medicamentos têm sido introduzidos.
Estes, incluem os inibidores da serotonina (SSRI) como a fluoxetina, paroxetina, fluvoxamina e sertralina, os inibidores da serotonina e da noradrenalina como a venlafaxina, além de outros compostos.
Devido ao facto de todos estes agentes serem bastante eficazes e bem tolerados, são agora vulgarmente utilizados no tratamento da depressão. O seu médico pode fornecer-lhe informações mais completas sobre a medicação antidepressiva.

Quais são alguns  dos efeitos secundários que podem ocorrer durante o tratamento com antidepressivos?

Os antidepressivos tricíclicos podem causar sonolência, boca seca, aumento de peso, visão turva, obstipação, e tonturas, entre outros efeitos secundários.
Os novos antidepressivos podem causar náuseas, diarreia, alterações do peso, tremores, insónia e outros efeitos secundários. Muitos destes efeitos secundários desaparecem ou diminuem com o decorrer do tempo. Geralmente, os novos antidepressivos são bem tolerados pela maioria dos doentes deprimidos.
Quando surgem efeitos secundários, é importante informar o médico. Muitas vezes, uma simples mudança – como ajustar a dosagem ou tomar o medicamento com (ou sem) comida – pode eliminar o problema. Alternativamente, uma vez que existe uma variedade de medicamentos eficazes disponíveis, o médico poderá aconselhar a mudança para outra medicação. Como membro da família, é importante apoiar a pessoa deprimida que sofre com os efeitos secundários, encorajando-a a falar com o médico.
Como se constatou anteriormente, a psicoterapia pode também ajudar a reduzir os sintomas e a tratar  depressão. O terapeuta e o doente podem discutir experiências, relações, acontecimentos, sentimentos e percepções importantes para o doente, o que poderá ajudar a clarificar questões penosas.
Uma vez que a depressão “mexe” com outros membros da família, a participação de toda a família em algumas sessões de aconselhamento poderá  ser útil. O doente e seus familiares poderão discutir esta hipótese com o terapeuta responsável pelo tratamento.
Para algumas pessoas, particularmente aquelas com depressões mais ligeiras, a psicoterapia poderá ser o único tratamento a seguir. O médico psiquiatra poderá ajudar a decidir se a psicoterapia é adequada ao tratamento do doente.

Como posso falar dos meus problemas quando estou deprimido?


O estigma associado aos sintomas depressivos impede muitas pessoas de procurarem ajuda mas, como esta brochura mostra, existem numerosos tratamentos eficazes.
É por isso que é necessário encontrar um médico, psicólogo ou outro profissional de cuidados de saúde com o qual se sinta à vontade para conversar. Poderá necessitar de falar de questões delicadas, uma vez que a depressão pode afectar todos os aspectos da vida familiar – desde a rotina normal da família até ao relacionamento sexual entre o casal. Encontrar uma solução é importante! Trata-se da sua saúde e da sua vida. A educação e o esclarecimento irão ajudar a combater a depressão.

Para iniciar uma conversa ou discussão, poderá achar útil apontar algumas questões antes de se dirigir ao consultório médico ou à sessão de aconselhamento.
Durante a visita, não hesite em tirar notas. Desse modo poderá rever o que o médico ou terapeuta lhe foi dizendo.

Como familiar de que modo posso ajudar?


É importante que os familiares possam fornecer à pessoa deprimida um ambiente carinhoso e de apoio. É natural que se espere que os sintomas da depressão desapareçam rapidamente, mas é preciso reconhecer que o doente irá progredir ao seu próprio ritmo. Tente não se colocar a si e à pessoa deprimida em situações que possam provocar desapontamentos e tente não pressionar o doente a animar-se.
Lembre-se que o primeiro tratamento pode não ser a melhor resposta para a depressão e que o processo de tentativa e erro pode levar algum tempo. Encoraje a pessoa com depressão. Registe quaisquer melhorias. Considere uma reavaliação posterior com o médico, ou até a procura de uma segunda opinião se as semanas passarem e os sintomas permanecerem inalteráveis ou piorarem.
Algumas pessoas têm de experimentar mais do que um tratamento ou trabalhar com mais de um profissional de saúde, antes de encontrar a combinação certa entre a relação pessoal e o tratamento indicado.
O desânimo provocado pela depressão pode levar o doente a pensar que não vale a pena consultar um médico ou tomar medicação. Ajude-o a seguir as instruções
do médico.
Finalmente, procure ser sensível. Trate a pessoa tão normalmente quanto possível, mas não o faça como se nada se passasse. A pessoa depressiva apreciará que não se ignore a sua doença.
Lembre-se que procurar tratamento é um sinal de força e é o primeiro passo para se sentir melhor. Reconheça que a melhoria sintomática é uma etapa em direcção a um objectivo mais global — resolver os problemas relacionados com o episódio depressivo, melhorando o relacionamento e os aspectos afectivos e emocionais que terão conduzido à depressão. Este processo demora algum tempo, mas pode levar a uma vida mais saudável e feliz.

O modo como a depressão afecta os comportamentos e as Relações
A depressão está muitas vezes ligada a uma mudança no comportamento. Os doentes deprimidos revelam muitas vezes dificuldade em se relacionar com os outros. Além disso, dão sinais subtis a que se deve estar atento: por exemplo, há estudos que mostram que as pessoas depressivas mantêm menos contacto visual
e falam mais baixo ou lentamente. Podem também falar num tom monocórdico.
A sua conversação pode ser dominada por pensamentos negativos, incluindo a tristeza e o desespero.

A depressão pode também ter um impacto significativo no padrão de comportamento dos outros membros da família. Por exemplo, a depressão é muitas vezes acompanhada por um aumento das discussões conjugais. Os cônjuges de pessoas deprimidas têm tendência a ficarem frustrados com estes.
No geral, as relações das pessoas deprimidas com os seus cônjuges são caracterizadas por um maior nível de irritação e hostilidade.
Os problemas conjugais parecem ter uma forte influência no decurso da depressão. Contudo, um apoio conjugal forte, poderá resultar em melhorias mais rápidas e  duradoiras dos sintomas depressivos. De igual modo, o apoio e participação de outros familiares pode ser essencial na diminuição desses sintomas. A colaboração de todos os familiares poderá ajudá-los a lidar com os seus sentimentos e a fortalecer a sua relação.
A depressão pode também afectar a ligação entre pais e filhos. As pesquisas sugerem que os pais depressivos têm mais dificuldades em interagir com os seus filhos e poderão retirar menos prazer da paternidade. O impacto da depressão poderá ter efeitos duradoiros no bem-estar psicológico e social dos filhos.

Reconhecendo como o humor afecta as relações


O humor afecta as relações criando um padrão negativo de comportamento. Todas as tardes, depois do trabalho, Isabel costumava perguntar a seu marido Samuel, como tinha corrido o trabalho. Samuel, habitualmente, apenas queria descansar e esquecer o trabalho e por isso limitava as suas respostas a pequenas frases, como “correu bem, querida”. Isabel sentia que Samuel estava propositadamente a esconder-lhe como tinha decorrido o dia. Uma vez que a depressão encorajava os pensamentos negativos, ela começou a acreditar que ele não a achava suficientemente importante para partilhar a sua vida e passou a sentir-se rejeitada. Isto veio agravar o seu desânimo e a diminuir a sua auto-estima.

Ressentimento como resultado da sobre–compensação da pessoa depressiva.
Depois de um casamento de 10 anos, o Nuno e a Susana mudaram-se para uma nova cidade, para a qual o Nuno tinha sido transferido pela sua empresa. A Susana, que era professora, teve dificuldade em encontrar um emprego na nova cidade. Várias semanas após a mudança, começou a ficar menos activa na procura de emprego e a encontrar poucos motivos para sair de casa. Nenhum dos dois conhecia muitas pessoas na nova cidade. Mas, enquanto o Nuno se relacionava diariamente com os seus novos colegas, a Susana passava a maior parte do seu tempo sozinha e isolada.
No espaço de 6 meses, Susana passou a dormir 10 a 12 horas por dia e a queixar-se de cansaço. Foi-lhe diagnosticada uma depressão. Tentando ajudar, Nuno parou de fazer “jogging” três vezes por semana de modo a ficar em casa e apoiar a Susana.  Isto, por sua vez, fez com que ele se sentisse ressentido e zangado.

Alguns estudos têm mostrado que o envolvimento e apoio familiar pode ter grande influência no decurso da doença depressiva.
Quando apropriado, encoraje toda a família a envolver-se no processo de recuperação e, se possível, peça o apoio de amigos se os membros da família não estiverem disponíveis. Algumas famílias beneficiam da participação em terapia familiar ou aconselhamento. Trabalhar com um terapeuta pode também ajudar os casais e famílias a aprenderem estratégias de comunicação mais eficazes e a melhorar a maneira de combater a depressão em casa. Um grupo de apoio para pessoas com doença depressiva e seus familiares pode também tranquilizar e informar, assim como serem encorajados por outros que tenham vivido experiências semelhantes.

Responder à ameaça de suicídio


As pessoas com depressão têm um maior risco de suicídio.
Se um familiar com depressão expressou pensamentos suicidas, chame o seu psiquiatra imediatamente. Perante um perigo iminente, não hesite em chamar o 112 ou levar o doente deprimido à urgência. Não menospreze nem espere pura e simplesmente que a crise passe, embora seja importante não entrar em pânico nesta situação. Mantenha uma comunicação aberta com o seu familiar, colocando questões directas e que mostrem a sua preocupação. Deixe que a pessoa deprimida saiba que a vida dela é muito importante e valiosa para si. Lembre-lhe que estes pensamentos suicidas são sintomáticos de uma doença médica e que existem tratamentos disponíveis e eficazes.
Uma vez que nem sempre é possível prevenir o suicídio, torne-o mais difícil, removendo de casa armas, álcool e medicamentos desnecessários. Se um familiar depressivo tentar o suicídio, procure não atribuir culpas. Os seus sentimentos são sintomas de uma doença. Os membros da família devem procurar aconselhamento para serem ajudados perante o choque que é ter um membro da família com uma doença que pode levar ao suicídio.

Estratégias de luta para toda a Família
Quando alguém está com sintomas de depressão, a melhor forma de lidar com a doença é estar preparado. E isso significa aprender acerca da depressão e dos seus efeitos, para ajudar a compreender o que está a acontecer e desenvolver estratégias de actuação. A seguinte lista do que Deve e Não deve fazer elaborada pelo Dr. Kelsey oferece um ponto de partida. Lembre-se que nem todas as sugestões se podem aplicar a uma determinada situação particular, mas muitas vezes a ideia pode ser adaptada de modo a ajustar-se a necessidades específicas. Poderá também ser útil discutir estas sugestões com um profissional de saúde – quer o médico de família, o psiquiatra ou o terapeuta – porque ele poderá estar apto a fornecer mais ideias  ou a mostrar modos de usar estas sugestões, no seio de um ambiente familiar específico.

Deve:
Estar atento aos hábitos de dormir. O aumento ou a diminuição do sono podem ser sintomas de depressão. Alguns passos simples podem melhorar os seus hábitos de sono:
  • Mantenha horas certas para se deitar e para se levantar de manhã.
  • Reduza ou elimine a ingestão de cafeína (vigie a cafeína dos refrigerantes, café ou chá).
  • Durma num quarto fresco (o que pode ajudar ao sono).
  • Evite o exercício extenuante antes da hora de dormir.
  • Use a cama apenas para dormir ou para actividade sexual (não leia, não veja televisão ou trabalhe na cama).
Tentar fazer escolhas de vida saudáveis sempre que possível (isto ajuda a pessoa deprimida e a família a lidar com a doença).
  • Evite a ingestão de álcool.
  • Faça exercício regularmente (lembre-se de consultar um médico antes de começar um novo programa de exercícios).
  • Tenha em atenção a ingestão de comida. Muitas pessoas com depressão têm um apetite reduzido e, nestes casos, uma nutrição apropriada é essencial. Outros sentirão uma necessidade compulsiva de comida, como chocolates ou hidratos de carbono, mas depois sentem-se culpados por se permitirem estes excessos.
Reconhecer que a pessoa está doente e que o tratamento é prioritário.

Reconhecer que os sintomas da depressão podem mudar o comportamento de uma pessoa e porque a depressão é uma doença médica, a pessoa pode não ser capaz de controlar o seu comportamento mesmo após o diagnóstico da depressão ter sido feito. Todos nós sabemos que uma pessoa com uma perna partida continua a sentir dores e a ter dificuldades em andar mesmo depois do raio-x ter mostrado a causa da dor, mas podemos não nos lembrar que uma pessoa com o diagnóstico de depressão pode continuar a sentir-se mal.

Ter em atenção que o doente deprimido tem uma visão negativa da vida. A tendência para pensar que tudo é mau ou irremediável pode ser parte do estado depressivo. Os familiares necessitam de compreender e de tentar encontrar maneiras para lidar com a frustração que poderá surgir de vez em quando.

Reconhecer que os membros da família podem ter de se ajustar à partilha de responsabilidades em casa. Quando a depressão diminui a capacidade de uma pessoa no desempenho das suas tarefas em casa, os familiares poderão ter dificuldades em se adaptarem à nova situação.
Às vezes poderá ser útil tornar mais flexível a manutenção da casa e preparar refeições mais simples. O cônjuge ou os filhos poderão assegurar mais tarefas domésticas.

Reconhecer que os membros da família estão a passar por um período desgastante. Os familiares não deverão ficar surpreendidos se se sentirem mais fatigados ou menos tolerantes, uma vez que a depressão pode ser acompanhada de um aumento do nível de stress na família. Torna-se, por isso, muito importante que os familiares mantenham as suas rotinas normais e que dispensem tempo para cuidarem de si próprios.

Discutir abertamente com o médico os progressos e efeitos do tratamento.

E EM RELAÇÃO AOS FILHOS?

As crianças são muito sensíveis ao modo como os pais se relacionam um com o outro e, normalmente, sentem quando alguma coisa está errada. Além disso, muitas crianças têm uma imaginação muito activa e podem imaginar que uma situação é pior do que realmente é, ou que a depressão é por sua culpa. O doente deprimido deverá falar directamente com a criança sobre a doença ou poderá pedir a um amigo próximo ou ente querido que o faça. A idade e a maturidade emocional dos filhos deverá orientar a decisão do que deve ser dito.

Explique aos filhos o que se está a passar.


Se existirem crianças na família, reserve-lhes algum tempo para lhes explicar a situação. Um pai poderá dizer à criança: ”Tenho andado doente ultimamente, não tenho? Tenho uma doença chamada depressão. O médico está a ajudar-me a ficar melhor.  Mas, entretanto, poderei não ser capaz de passar tanto tempo contigo como gostaria. Continuo a gostar muito de ti.” Ou o companheiro poderá dar uma explicação:
“A vossa mãe está doente. Os médicos estão a ajudá-la a ficar boa, mas por vezes ela vai sentir-se triste ou mal humorada.  Não foi nada que vocês tenham feito, mas ela precisa da vossa paciência e compreensão.”

Se a criança tiver idade suficiente, ajude-a a compreender a depressão. O objectivo é deixar os filhos expressarem os seus sentimentos e fazer perguntas sobre depressão. É natural que queira proteger os seus filhos de situações dolorosas, mas é-lhes mais fácil lidar com a dor que compreendem do que com os males que imaginam. Sem conhecerem algo sobre a depressão, os filhos poderão ficar magoados ou confusos por uma aparente falta de atenção ou por pedidos e exigências descabidas.

Permita a participação da criança nas sessões de aconselhamento familiar
. Se a criança tiver idade suficiente, poderá ser útil para ela conversar com um terapeuta acerca dos seus sentimentos.
Tal poderá também servir como uma oportunidade para a criança aprender sobre a depressão.

Não Faça:

  • Não exclua a pessoa deprimida dos assuntos ou discussões familiares.
  • Não tente fazer tudo pela pessoa deprimida, embora possa parecer que é a melhor maneira de a ajudar. Embora o doente depressivo possa não ser capaz de fazer tudo, aceitar algumas responsabilidades pode melhorar a sua auto-estima. Cuidado com palavras como “deixa estar, eu faço isso”, depois da pessoa deprimida já ter iniciado a tarefa. Tente dar ao doente deprimido, pelo menos, a oportunidade de completar a tarefa.
  • Não critique ou culpe a pessoa pelo comportamento depressivo.
  • Não espere que a pessoa “saia dessa” sem mais nem menos.
  • Não tenha receio de colocar questões. Com a depressão, muitas pessoas precisam de aprender a pedir e aceitar ajuda exterior pela primeira vez nas suas vidas.
    Um médico, os hospitais, uma biblioteca e os grupos de apoio são boas fontes de informação sobre a depressão.
  • Não tome decisões importantes sobre a sua vida (casar-se ou divorciar-se, mudar de emprego ou de residência) durante uma doença depressiva, se tal for possível evitar.
  • Não tente remediar todos os maus hábitos durante a recuperação da depressão.
    À medida que os sintomas da depressão vão melhorando e o indivíduo se sente bem com as mudanças que estão a acontecer na sua vida, o doente deprimido tem uma tendência natural para pensar que é uma boa altura para deixar de fumar ou para abandonar hábitos pouco saudáveis.

MÉTODOS CONSTRUTIVOS DE LUTA

Aumente a quantidade de tempo gasto com alguém querido na realização de tarefas agradáveis. Tente fazer uma lista de pequenas acções que podem ser feitas frequentemente durante o dia e que mostram sentimentos positivos e carinhosos.  Por exemplo, diga “obrigado” após a realização de uma tarefa ou “isso estava mesmo bom”, quando algo foi bem feito. Outra boa maneira de aumentar a empatia é dar à pessoa querida um abraço ou uma palmada casual nas costas. Mas seja sincero.
Procure ser melhor ouvinte. Resuma o que a outra pessoa disse para ter a certeza que ambos se compreenderam e coloque questões para as clarificar. Um médico ou terapeuta pode ajudar esta prática familiar e melhorar estas aptidões.
Faça um esforço consciente para cooperar na resolução dos problemas. Lembre-se que as soluções em que ganham ambos são sempre melhores do que as soluções em que um cônjuge ou familiar “perde” algo do que queria. Na resolução dos problemas dever-se-á definir a questão, pensar em soluções e avaliar se essas soluções se adequam às necessidades.
Transforme a expressão de preocupação e estima pelos seus familiares num hábito. Sinta-se livre para tecer elogios e esteja atento aos aspectos positivos das pessoas que lhe estão próximas.

Encontrar ajuda e apoio
Lidar com a depressão na família pode ser um grande desafio... mas também representa uma oportunidade para as pessoas queridas se tornarem mais próximas e ganharem uma maior compreensão das forças e fraquezas de cada um. Quando um casal ou família se une para ultrapassar os tempos difíceis, todos beneficiam. Durante a recuperação, o apoio e a ajuda dos outros (fora da família) pode ser inestimável.

Referências:
  1. Gotlib IH, Whiffen VE. The interpersonal context of depression: implications for theory and research. Advances in Personal Relationships. 1991:3:177-206.
  2. Lish JD, Dime-Meenan S, Whybow PC, Price RA, Hirschfeld RMA. Bipolar disor-der: self portrait of an illness. Results of the National DMDA/APA first ever survey of the impact on people's lives. Presented during the scientific symposium "The Experience of Bipolar Disorder" at the American Psychiatric Association 146th Annual Meeting; May 24, 1993; San Francisco, Calif. Executive summary.
  3. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders: DSM-IV. 4th ed. Washington, DC: American Psychiatric Association; 1994:317-391.
  4. Kaplan HI, Sadock BJ, Grebb JA. Mood disorders. In: Kaplan and Sadock's Synopsis of Psychiatry: Behavioral Sciences, Clinical Psychiatry. 7th ed. Baltimore: Williams & Wilkins; 1994:516-572.
  5. Kaplan HI, Sadock BJ, Grebb JA. Mood disorders and suicide. In: Kaplan and Sadock's Synopsis of Psychiatry: Behavioral Sciences. Clinical Psychiatry. 7th ed. Baltimore: Williams & Wilkins: 1994:1116-1123.
  6. Regier DA, Narrow WE, Rae DS, et al. The de facto US mental and addictive disorders system. Epidemiologic catchment area prospective 1-year prevalence rates of disorders and services. Arch Gen Psychiatry. 1993:50:85-94.
  7. Gotlib IH, Beach SRH. A marital/family model of depression: implications for therapeutic intervention. In: Jacobson NS, Gurman AS, eds. Clinical Handbook of Couple Therapy. New York: Guilford Press; 1995:411-436.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Um relato, apenas, de Dor na Alma








Droga em dor maior

Autor: vanessa

Eu olhava para esse mundo um mundo imenso,olho a noite que parece ser infinita,mais lá vem ela pela estrada das sombras ela vem humilde e cativante e o pavor já se insinua já posso ouvir vozes do nada,de onde vem e para aonde vai me levar!
pouco a pouco vem o silencio as luzes da cidade se apagam e eu ainda ali com ela;ao amanhecer volto para casa ainda com ela no meu sangue em minha alma,cansada com sono e na consciência um medo por saber que minha noite passada foi censurada onde somente eu e ela sabemos o que lá aconteceu em que caminho eu percorrer para encontrá-la,mais tento esquecer daquela noite mais lá vem a noite novamente;e mais uma noite com ela.
Olho-me no espelho vejo meu rosto refletido junto dela,ela vem como um fastas ma em minha vida em minha imagem,parece que está presa a esse mundo sem fim,por muitas vezes gostaria que o espelho pudesse se refletir as minhas melhores imagens de alegria e de felicidade que ficaram para trás pois tudo que vivi antes foi esquecido apartes do momento que conheci as drogas.
hoje olho e vejo a imagem de uma menina triste e sem vida apenas na busca constante por ela,vivendo com rancor de ser uma viciada com uma tristeza de ver minha família sendo destruída por causa das drogas ver o sorriso de uma mãe quebreira e que sempre fez de tudo por mim que me ama acima de tudo com um olhar de desgosto e tristeza e ainda escutar ela falando (MINHA FILHA VOCÊ VAI MORRER).
Olhar e ver um pai que sempre lutou para me criar de tudo do bom e do melhor com seus limites é claro mais sempre fazendo de tudo para me ver feliz e ver que hoje os sonhos dele foi destruídos porque sua filha foi fraca e caiu no mundo das drogas um mundo que ele mais temia,criticava,me proibia até mesmo de falar com quem fumavam maconha falava que era marginal,ele gostava muito de falar de quem usava drogas e eu que não tinha nada com isso fiquei e pago até hoje.
A droga é cruel o mundo que ela te leva é pior ainda nesse mundo você é por você ninguém faz nada por você atual por nada é um mundo ilegal das drogas das sombras do mau,tudo é valido roubar,matar e muito mais tudo é mesquinho e destrói uma mente fraca ou forte.
/cronicas-artigos/droga-em-dor-maior-5107815.html

Perfil do Autor
muito alegre e animada


a droga apenas é mais uma doença, de quem perdeu as ilusões da Vida, de quem perdeu as forças, algures, num  momento da sua Vida, e encontrou nela uma tábua de salvação que lhe retirou, por momentos a dor sentida dentro...
uma pessoa que não sabia o seu poder destrutivo, e que se ancorou nela para se sentir melhor, esqueçer e arranjar forças sentindo-se em extase por momentos!

não podemos criticar, apontar, sequer desvalorizar quem assim decidiu, apenas compreender que foi uma pessoa que fraquejou  porque não tinha mais ninguém que lhe retirasse a sua dor interna e lhe desse carinho, compreensão e uma mão, lhe ajuda-se a encontrar uma outra saída!!

todos eles precisam de alguém, de algo, de se sentir válidos, quando pensam que não são ninguém e que estão sózinhos, e são os seres humanos que mais sofrem, descriminados pela cruel sociedade, 

apenas precisam de AMOR e carinho...

ANALUZ

A MAIOR DOR DO MUNDO




Faça de tudo para não decepcionar alguém e também não espere muito das pessoas para não se decepcionar, porque não existe dor maior no mundo  M.Silva

"A dor maior do mundo é ter que passar o dia num velório, ter que ver um caixão entrar na sala e saber que é ela lá dentro, ter que ver o mesmo caixão descer na terra e ser coberto e ter que se controlar pra não se jogar junto. A dor maior do mundo é isso: é ouvir a voz dela na minha cabeça 24h por dia e saber que nunca mais vou ouvir essa voz nos meus ouvidos; é não poder abraçar ela, beijar ela, bater na bunda dela, apertar o nariz dela; é dormir e descobrir que a minha cama (nossa cama) é enooorme sem ela e que é horrível não levar nenhum tapa, nenhum chute e não ouvir nenhuma fungada durante a noite; é colocar o porta retrato dela pra dormir; é colocar só 4 lugares na mesa; é assistir um filme e ter uma crise de choro pq ela não viu e não vai poder ver; é lembrar dela em tudo e ver que não existe um futuro para nós; é não ter com quem dançar gafieira e thriller, não ter com quem jogar stop, pega-varetas, adedanha; é não ter com quem ser criança; é não ter graça pra mais ninguém e perceber que só ela ria das minhas besteiras; é não ter quem sente na minha barriga qdo a cólica é forte; é não ter quem tente me ensinar a dançar axé.... É tudo isso e muito mais.

Cura? Não há. Não tem remédio, tratamento, cirurgia, nada. A dor maior do mundo é pra sempre, te acompanha, diminui e aumenta, mas vai estar sempre em você."


Autor: desconhecido
mas uma pessoa que sentiu realmente, uma dor maior quer o mundo, que não para de doer,

.... e você que sofre, e se quer matar e desistir de tudo, pense, pense sempre e tenha sempre em mente

Há sempre alguém que o ama muito (mesmo que você não saiba) e vai sofrer (morrer em vida) porque você desistiu de SI !!!


LUTE, por favor, a vida dá sempre muitas VOLTAS!!


ANaluz

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Por que adoecemos?

Psicossomática IV: Por que adoecemos?















Quando ficamos doentes pensamos em nos curarmos e nem sequer pensamos nos motivos que nos levaram a tal doença, mas é muito importante entender as motivações que nos fazem adoecer. Afinal, por que adoecemos? Essa com certeza não é uma resposta fácil de ser respondida, mas as pessoas adoecem porque têm necessidade de adoecer, ainda que inconsciente, por mais difícil que seja aceitar esse fato. Por que haveria a necessidade para o adoecer? Vamos analisar alguns fatores desencadeantes do adoecer:
- fuga
- incapacidade de expressar as emoções
- desejo de autopunição
- necessidade de atenção (muito comum em crianças e idosos)
- estresse

- Fuga:
A doença pode ser uma válvula de escape dos conflitos emocionais. De alguma forma, ao adoecer somos "obrigados" a nos retirar da rotina para buscar a cura, é como se fosse uma maneira de nos cuidarmos, e que muitos deixam esse importante quesito para a manutenção da saúde em segundo plano. Por exemplo, o caso de um empresário que sofre um infarto quando se depara com a falência de sua empresa. Muitas vezes a doença pode ser mais destrutiva que a agressão original, mas que naquele momento não foi mais possível suportar. Se a pessoa se encontra num momento de fragilidade, ou seja, sem mecanismos de defesa, mais facilmente ela adoecerá. O mais indicado é não negar o sofrimento ou o conflito pelo qual se passa, mas nem sempre a própria pessoa consegue identificar o que sente. A dor tem que ser sentida e esgotada, pois só assim será superada.

- Incapacidade de expressar as emoções:
A incapacidade de expressar as emoções é um fator importante na origem das doenças orgânicas. Em nossa sociedade, apesar de que nos últimos anos, felizmente, está realidade tem mudado, não há espaço para manifestações de afeto, exteriorização das emoções ou do sofrimento psíquico. Em nossa cultura é muito mais aceitável, por exemplo, uma justificativa pela ausência da pessoa no trabalho, em função de alguma doença física do que por alguma dificuldade emocional. É mais aceitável um enfarte, onde todos ficam comovidos e preocupados; do que uma depressão, ou outro sofrimento psíquico, que geralmente é visto como "frescura". Claro que isso acontece muito mais em função da falta de conhecimento, da ignorância, do que pelo fato em si. Essa postura intolerante diante do sofrimento psicológico fica evidente no comportamento de algumas pessoas que convivemos. A doença física parece ser mais merecedora de atenção e cuidados do que aquele que sofre sem apresentar alterações orgânicas. Isso faz com que muitas pessoas tenham vergonha de sua dor psíquica, não tendo muitas vezes, espaço nem coragem, para expressar seu sofrimento, escolhendo assim, ainda que inconscientemente, a expressão pelo físico.

Como no exemplo citado do empresário, diante das dificuldades e não suportando seu sofrimento e angústia, ao sofrer um infarto, ele sabe que todos lhe darão amparo e cuidados; mas se ele se colocasse a chorar e lamentar-se por sua dor, poderia receber desprezo e ser visto como alguém fraco.
É comprovado que as pessoas que suportam suas dores sozinhas adoecem com maior freqüência e de maneira mais grave que aquelas que verbalizam suas dores. Algumas pessoas criam dentro de si verdadeiras prisões emocionais. A incapacidade de comunicar com palavras seus sentimentos faz com que o corpo expresse esses sentimentos, ou seja, o adoecer é a forma inconsciente de mostramos nosso sofrimento de uma maneira mais aceitável ou quando não conseguimos fazê-lo de outra maneira.

- Autopunição:
A autopunição surge para aliviar a ansiedade causada por um sentimento de culpa, derivado de um comportamento real ou imaginário, onde a pessoa se agride internamente. São pessoas que inconscientemente se sentem culpadas e merecedoras de castigo. Geralmente com a culpa, sempre vem a autopunição.
Quando há um conflito, mesmo que não tenhamos consciência de sua existência, será motivo de muito sofrimento, e se não for adequadamente resolvido, resultará em um estado de desequilíbrio do organismo a que chamamos doença. Como nem sempre conseguimos modificar a realidade, temos que nos adaptarmos a ela. Esse processo de adaptação não ocorre impunemente. Os meios que nossa psique lança mão para controlar o conflito são através dos mecanismos de defesa, que podemos entender como válvulas de escape de uma panela de pressão, que se não existirem, a panela explode. A explosão seria a doença, pois nem sempre os mecanismos de defesa conseguem ser eficazes.

- Necessidade de atenção:
A doença surge como uma forma de obter atenção, principalmente em crianças e idosos.
A opção pelo adoecer se faz pelo que chamamos de ganhos secundários. Para muitas pessoas a doença e o repouso na cama satisfazem suas necessidades de dependência, e até de descanso, como o ambiente hospitalar, que oferecem a oportunidade de satisfação parcial ao serem alimentados, cuidados e protegidos no mundo exterior. Ou as visitas constantes ao médico, tendo que as ouça e lhes dê um pouco de atenção, principalmente entre os idosos.

Se quando crianças ficávamos doentes e éramos atendidos, quando adultos podemos relacionar ficar doente com obter atenção, buscando preencher as carências e necessidades. Quando ficamos doentes não ficamos mais carentes de atenção, colo, carinho? Isso acontece porque um dos mecanismos de defesa muito comum durante a doença é a regressão, onde passamos a ter comportamentos próprios da infância. A regressão significa uma dificuldade em enfrentar ou controlar as situações de conflito. É como se, voltando a agir como criança, desistíssemos de lutar e nos entregamos aos cuidados dos outros.

- Estresse:
O estresse é um conjunto de reações que o organismo desenvolve quando submetido a uma situação que exige esforço para sua adaptação. É uma tensão emocional constante e quando essa tensão se torna intensa e prolongada, poderá haver falha nos mecanismos de defesa e surge a doença.
A expressão corporal constitui o primeiro e mais primitivo meio de comunicação e de defesa que o ser humano dispõe, principalmente nos momentos que as defesas estejam bloqueadas.
A vinculação entre estado psicológico e baixa das defesas do organismo baseiam-se nas alterações orgânicas que as situações do estresse provocam: maior produção de cortisona (hormônio produzido pelas supra-renais), que ocorre nessas situações, levaria à maior destruição das células de defesa do organismo. A relação entre o estado psicológico e as doenças não ocorre apenas nas situações de estresse, mas também de tristeza, ou toda sobrecarga de tensão emocional.

Diante do exposto acima, podemos perceber que as origens das doenças podem ser muitas, mas se analisarmos mais profundamente podemos perceber que a necessidade de adoecer está sempre relacionada com a falta de amor a si mesmo, e a necessidade desesperada de reconhecimento e atenção do mundo exterior. E ainda mais, percebemos como é importante expressarmos nossas emoções!

Rosemaire Zago

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O que é TOC? você têm?




O TOC (transtorno obsessivo-compulsivo) é um transtorno psiquiátrico que se caracterizam pela presença de pensamentos, dúvidas, imagens ou impulsos desagradáveis e difíceis de afastar (obsessões) e por comportamentos repetitivos (compulsões e rituais) que são realizados em reposta ao sofrimento resultante das obsessões ou de acordo com regras rígidas.

Quais os sintomas do TOC?
Os sintomas do TOC são muitos, mas tendem a se agrupar em alguns tipos mais gerais, incluindo:
- Obsessões com conteúdos agressivos, religiosos e sexuais e compulsões de checagem;
- Obsessões de simetria e compulsões de ordenação, contagem e repetição dos rituais;
- Obsessões de contaminação e compulsões de lavagem ou limpeza;
- Obsessões e compulsões de acumulação (“colecionismo”).
Muitas pessoas tem sintomas obsessivo-compulsivos que, no entanto, não tomam seu tempo, não resultam em sofrimento e não atrapalham o seu funcionamento diário. Estas pessoas não sofrem de TOC. Acredita-se que somente em 2 a 2,5% da população em geral os sintomas descritos acima alcancem gravidade suficiente a ponto de merecer o diagnóstico de TOC.

Quais são as causas do TOC?
Ainda não se sabe exatamente. No entanto, suspeita-se que o TOC seja causado tanto por fatores inatos quanto por eventos ambientais. Por exemplo, sabe-se que até 30% dos pacientes com TOC apresentam histórico familiar de sintomas obsessivo-compulsivos, sugerindo que, às vezes, o TOC pode ser em parte uma doença herdada.
Em contrapartida, em pacientes sem história familiar de TOC, fatores ambientais (como acontecimentos traumáticos ou infecções de garganta) podem ter um papel mais importante.
De qualquer forma, acredita-se que estes fatores biológicos e psicológicos levam a um desequilíbrio químico de alguns circuitos cerebrais, chamados cortico-estriato-tálamo-corticais. Estes circuitos conectam a superfície (ou córtex) dos lobos frontais ao estriado (estrutura cerebral localizada abaixo do córtex) e tálamo (estrutura cerebral mais profunda e central) e daí de volta ao córtex frontal. O uso de medicamentos que aumentam o nível de serotonina na sinapse (espaço de comunicação entre os neurônios) resulta no reequilíbrio (diminuição) da atividade destes circuitos e melhora dos sintomas obsessivo-compulsivos. O mesmo efeito ocorre com tratamento psicoterápico (não medicamentoso) adequado.

Quais doenças que podem ser confundidas com o TOC?
Existe uma série de transtornos psiquiátricos que se assemelham muito ao TOC e por isso são chamados de transtornos do espectro obsessivo-compulsivo. Muitas vezes, esses transtornos são tratados de forma semelhante ao TOC. O maior exemplo deste grupo é o transtorno dismórfico corporal (o ‘sofrimento da feiúra imaginária’), onde o paciente se queixa de uma deformidade física e apresenta vários comportamentos compulsivos, como checar sua suposta deformidade no espelho e buscar, repetidamente, confirmação de amigos e familiares quanto à inexistência de uma anormalidade física.
Frequentemente, as pessoas se referem a indivíduos que abusam de álcool ou drogas, que comem muito, que tem problemas com jogo, ou outros comportamentos excessivos, como “compulsivos”. No entanto, os comportamentos apresentados por estes indivíduos são mais “impulsivos” e não indicam a presença de TOC.
Enquanto os comportamentos de pacientes com TOC reduzem, transitoriamente, a ansiedade e o sofrimento, os comportamentos de pacientes com abuso de álcool, drogas ou jogo são realizados, ao menos no início da doença, para a obtenção de prazer. Nada impede, no entanto, que pacientes com TOC propriamente dito também desenvolvam alguns comportamentos.
Pacientes com depressão, assim como pacientes com TOC, se queixam de pensamentos repetitivos e desagradáveis. No entanto, na depressão estes pensamentos geralmente consistem em ruminações auto acusatórias e não em pensamentos tipicamente obsessivos. Embora sejam dois transtornos psiquiátricos diferentes, até dois terços dos pacientes com TOC apresentam um episódio de depressão ao longo da vida.
A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica grave e crônica, na qual o indivíduo costuma perder o contato com a realidade e não reconhecer a irracionalidade de seus sintomas, como delírios, alucinações e isolamento social. Ao contrário, pacientes com TOC geralmente apresentam boa crítica em relação aos seus pensamentos e rituais, e tentam resistir a eles.

Como é feito o diagnóstico de TOC?
O diagnóstico só pode ser feito por um médico, preferencialmente psiquiatra. O diagnóstico envolve a coleta cuidadosa da história clínica do paciente e o exame de seu estado mental.
Caso suspeite de alguma outra causa médica para os sintomas, o médico pode solicitar alguns exames (como exames de sangue, tomografia ou ressonância magnética do crânio). No entanto, na grande maioria dos casos de TOC, esses exames complementares não são necessários.

sábado, 25 de junho de 2011

PÂNICO


 


O transtorno do pânico é definido como crises recorrentes de forte ansiedade ou medo. As crises de pânico são entendidas como intensas, repentinas e inesperadas que provocam nas pessoas, sensação de mal estar físico e mental juntamente a um comportamento de fuga do local onde se encontra, seja indo para um pronto socorro, seja buscando ajuda de quem está próximo.
A reação de pânico é uma reação normal quando existe uma situação que favoreça seu surgimento. Estar num local fechado onde começa um incêndio, estar afogando-se ou em qualquer situação com eminente perigo de morte, a sensação de pânico é normal. O pânico passa a ser identificado como patológico e por isso ganha o título de transtorno do pânico quando essa mesma reação acontece sem motivo, espontaneamente. Nas situações em que a própria vida está ameaçada o organismo toma medidas que normalmente não tomaria, perdendo o medo de pequenos perigos para livrar-se de um perigo maior. Para fugir de uma cobra podemos subir numa árvore mesmo tendo medo de altura ou fazendo esforços incomuns, sofrendo pequenos ferimentos que no momento não são percebidos. O estado de pânico é portanto uma reação normal e vantajosa para a auto-presenvação. Aqueles que fogem mais rapidamente do perigo de morte têm mais chances de sobreviver.

O diagnóstico
O diagnóstico do transtorno do pânico possui critérios bem definidos, não podemos classificar como transtorno do pânico qualquer reação intensa de medo. Assim sendo estão aqui apresentados os critérios usados para fazer este diagnóstico.
a) Existência de vários ataques no período de semanas ou meses.Quando houve apenas um ataque é necessária a presença de significativa preocupação com a possibilidade de sofrer novos ataques ou com as consequências do primeiro ataque. Isto é demonstrado pela preocupação com doenças, intenção de ir ao médico e fazer exames, vontade de informar-se a respeito de manifestações de doenças.
b) Dentre vários sintomas pelo menos quatro dos seguintes devem estar presentes:
1- Aceleração da frequência cardíaca ou sensação de batimento desconfortável.
2- Sudorese difusa ou localizada (mãos ou pés).
3- Tremores finos nas mãos ou extremidades ou difusos em todo o corpo.
4- Sensação de sufocação ou dificuldade de respirar.
5- Sensação de desmaio iminente.
6- Dor ou desconforto no peito (o que leva muitas pessoas a acharem que estão tendo um ataque cardíaco)
7- Náusea ou desconforto abdominal
8- Tonteiras, instabilidade sensação de estar com a cabeça leve, ou vazia.
9- Despersonalização* ou desrezalização**.
10- Medo de enlouquecer ou de perder o controle de si mesmo.
11- Medo de morrer.
12- Alterações das sensações táteis como sensação de dormências ou formigamento pelo corpo.
13- Enrubescimento ou ondas de calor, calafrios pelo corpo.
*A despersonalização é uma sensação comum nos estados ansiosos que pode surgir mesmo fora dos ataques de pânico. Caracteriza-se por dar a pessoa uma sensação de não ser ela mesma, como se estivesse saindo de dentro do próprio corpo e observando a si mesmo.
**A desrealização é a sensação de que o mundo ou o ambiente em volta estão diferentes, como se fosse um sonho ou houvesse uma núvem.
Essas duas sensações ocorrem em aproximadamente 70% da população geral não significando como ocorrencia isolada uma manifestação patológica.
c) Há substâncias que podem geral reações de pânico como os estimulantes. Quando o pânico ocorre sob esse efeito não se pode dar este diagnóstico assim como também não pode ser dado em decorrência de outros estados ansiosos anteriores como um ataque de pânico secundário a uma exposição forçada de um fóbico social por exemplo.

Causas
As causas dos ataques de pânico são desconhecidas. Contudo cada um dos pensamentos teóricos vigente possue suas próprias teorias. Observa-se também que os pacientes ao procurarem o psiquiatra pela primeira vez geralmente possuem suas próprias teorias ou explicações para o que está acontecendo consigo. Por enquanto a única recomendação que o médico pode dar aos seus pacientes é de não pensarem a respeito pois como não existem bases comprovadas para se especular a respeito das causas do pânico, qualquer idéia tem muito mais chances de estar errada do que certa. O paciente deve preocupar-se em seguir o tratamento e levar sua vida normalmente ao invés de descobrir as causas de seu transtorno.
 
Teorias
Neuroanatômica:
Baseando no princípio de que o ataque de pânico é uma perturbação do sistema fisiológico que regula as crises normais de medo e ansiedade, cientistas elaboraram hipóteses do fluxo de acontecimentos no cérebro dos pacientes com pânico. Na figura abaixo está indicado que a reação de pânico começa no locus ceruleus (LC) porque sua estimulação produz quase todas as reações fisiológicas e autonômicas do pânico. O LC por outro lado se conecta ao nervo vago que se estende a regiões do tórax e abdômen, podendo explicar a origem do mal estar abdominal, sensação de sufocação e taquicardia tão frequentes nas crises de pânico. A ponte, onde está localiozado o LC, possui amplas conecções com o sistema límbico logo acima e é neste sistema onde se localizam as reações de medo e ansiedade. A ponte é também caracterizada por estar fora da área onde se pode exercer influência voluntária como na córtex, isto poderia explicar a origem inesperada e incontrolável das crises.

Comportamental
Para o modelo comportamental a teoria neuroanatômica é insuficiente. Vários princípios comportamentais estão envolvidos no desenvolvimento do pânico: o condicionamento clássico, o princípio do medo do medo, a teoria da interpretação catastrófica e a sensibilidade a ansiedade. No princípio do condicionamento clássico o paciente desenvolve o medo a partir de um determinado estímulo e sempre que exposto a esse estímulo, a recordação de medo é evocada fazendo com que a pessoa associe a idéia do medo ao local onde se encontra. Por exemplo, ao passar num túnel caso sinta-se mal por qualquer motivo passa a relacionar o túnel ao mal estar e gerando equivocadamente nova reação de ansiedade, que passa a ser reforçada pelo alívio da saído do túnel. Este modelo não pode explicar todas as crises de pânico nem é pretenção do pensamento comportamental explicar tudo a partir de uma só teoria comportamental.
Psicanalítica
A teoria psicanalítica afirma que as crises de pânico se originam do escape de processos mentais inconcientes até então reprimidos. Quando existe no inconsciente um processo como uma idéia, ou um desejo, ou uma emoção com o qual o indivíduo não consegue lidar, as estruturas mentais trabalham de forma a manter esse processo fora da consciência do indivíduo. Contudo quando o processo é muito forte ou quando os mecanismos de defesa enfraquecem, os processos reprimidos podem surgir "desautorizadamente" na consciência do indivíduo pela crise de pânico. A mente nesse caso trabalho no sentido de mascarar a crise de tal forma que o indivíduo continue sem perceber conscientemente o que de fato está acontecendo consigo. Por exemplo o indivíduo tem uma atração física por uma pessoa com quem não pode estabelecer contato, por exemplo a própria irmã. Este desejo então fica reprimido porque a real manifestação dele causaria intensa repulsa, raiva ou nojo de sí próprio. Para que esses sentimentos negativos permanecem longe da consciência a estrutura mental do indivíduo a mantém o desejo reprimido. Caso esse desejo surja apesar do esforço por reprimir, o aparato mental o transforma o desejo noutra imagem, podendo esta ser uma crise de pânico. Uma vez que o equilíbrio mental foi ameaçado o funcionamento mental inconsciente transforma o conteúdo da repressão numa crise de pânico.
Grupos de Risco
Aproximadamente 1,5 a 2% das pessoas é afetada por esse transtorno, o que significa uma prevalência alta, sendo ainda mais alto, de 3 a 4% se os critérios para diagnóstico não forem inteiramente preenchidos, ou melhor, se considerarmos as crises parciais e os quadros de ataques de ansiedade atípicos. As mulheres são mais afetadas do que os homens, sendo aproximadamente o dobro a incidência do transtorno do pânico sobre as mulheres em relação aos homens, a proporção então é de duas mulheres para cada homem. A idade de início concentra-se em torno dos trinta anos, podendo começar durante a infância ou na velhice. A mulher de 30 anos é o grupo sobre o qual observa-se maior incidência desse transtorno.
Tempo de Duração
O curso do pânico é imprevisível, tanto pode durar alguns meses como pode durar vários anos. Desde que o pânico começou a ser estudado, há poucas décadas, ainda não foi possível se verificar em que percentagem ele dura a vida toda. Os estudos de longo seguimento chegam a perto de uma década e aproximadamente 10% dos pacientes continua sintomático após esse período, ou seja, continua tendo ataques de pânico quando as medicações são suspensas. É importante notar que o tratamento não cura o pânico, apenas suprime os sintomas e permite o paciente ter uma vida normal, mas a suspenssão do tratamento leva a uma recaída caso não tenha ocorrido uma remissão espontânea do transtorno. Mesmo bem conduzido o tratamento não há nenhuma garantia de cura, ou os sintomas remitem sozinhos ou permanece a necessidade de utilização das medicações. Há relatos de casos de remissão espontânea durante a gestação
Medicações
O tratamento mais recomendado para o bloqueio das crises são os psicofármacos. Os antidepressivos de todos os grupos e os tranquilizantes são eficazes no controle das crises. Atualmente mediante a disponibilidade de vários psicofármacos, dificilmente um paciente não melhora com alguma medicação. Todos os grupos de antidepressivos testados mostraram-se eficazes, os tricíclicos e tetracíclicos, os inibidores da recaptação da serotonina e os inibidores da MAO. Apesar de todos os grupos terem sido testados com sucesso nem todas as medicações de cada grupo foi cientificamente testada, presume-se apenas que sejam eficazes. Assim, também os tranquilizantes benzodiazepínicos foram testados e dependendo da dose, todos obtiveram sucesso. A decisão quanto a escolha da medicação deve obedecer a critérios básicos como outras doenças presentes no paciente, portadores de glaucoma não podem tomar tricíclicos, por exemplo. Interações com outras medicações já em uso, história de reação indesejável a determinadas medicações em escolha, características individuais como os pacientes obesos devem optar preferencialmente pelos inibidores da recaptação da serotonina, os pacientes muito magros por tricíclicos. Pessoas com problemas sexuais devem evitar os inibidores da recaptação da serotonina. Por fim como há entre essas medicações marcante diferença de preços é válido considerar isso como critério de escolha desde que não seja feita em detrimento do bem estar do paciente.
Quanto a estratégia de uso das medicações, é recomendável que os antidepressivos sejam evitados isoladamente no início do tratamento. Como essas medicações só passam a bloquear as crises após duas semanas em média, e provocam uma piora do pânico no começo, é preferível que nesta fase seja dado junto ao antidepressivo, um tranquilizante, que tanto poderá ser suspenso depois, como continuar sozinho em monoterapia. Os tranquilizantes de escolha são os de alta potância, embora os de baixa potência podem ser usados em doses mais elevadas.
Terapias
A terapia cognitivo-comportamental é a única que pode ser indicada para o tratamento do pânico, contudo as medicações são mais rápidas no bloqueio das crises. Há pesquisadores que contestam o uso da terapia cognitivo-comportamental para o transtorno do pânico, indicando apenas para o tratamento da agorafobia.
Consequências do pânico
Frequentemente encontramos entre os paciente com pânico certas reações distintas do próprio pânico mas oriundas dele. A mais comum é a agorafobia que possui uma seção especial a ela dedicada. A ansiedade antecipatória é uma ocorrência comum em outros transtornos de ansiedade, trata-se simplemente da preocupação excessiva que antecede o eventos às vezes por alguns dias. Como o paciente com pânico nunca sabe quando sofrerá nova crise está sempre apreensivo, quando relaciona a crise a determinado local ou situação passa a ter ansiedade referentes a eles. A evitação é o comportamento decorrente da atribuição do local a sua crise, quem tem medo de ter crises em túneis por exemplo dá voltas maiores para evitá-lo. Por fim, a hipocondria é uma manifestação frequente no transtorno do pânico, apesar de encontrarmos poucas referências nos livros a esse respeito, na prática é uma relação bastante comum. Como as crises são fortes e muitas vezes associadas a mal estar cardíaco, os pacientes acreditam que sofrem algum mal cardiológico e por isso são encontrados nos consultório e laboratórios de exames cardíacos, além das emergências gerais quando julgam estarem tendo um ataque cardíaco.
Coração
A ligação entre o pânico e doenças cardíacas é nula conforme diversos estudos mostraram, ou seja, não existem evidências de que os ataques de pânico com forte dores no peito venham a provocar qualquer tipo de doença cardíaca, nem as doenças cardíacas por outro lado podem causar pânico.
O prolapso da válvula mitral é um alteração anatômica cardíaca inócua frequentemente encontrada dentre os pacientes com pânico. Não se sabe ainda se existe alguma ligação genética entre o prolapso e o pânico, não há nenhuma prova de que o pânico leve a formação do prolapso nem o prolapso cause pânico pois, muitas pessoas têm prolapso sem terem pânico. A concomitãncia entre essas duas manifestações médicas é reconhecida e não muda em nada a evolução, o tratamento e a gravidade do pânico, assim como o pânico não agrava o prolapso.
Como a sintomalotogia aparentemente cardíaca é grande no transtorno do pânico, a frequência desses paciente nos consultórios cardiológicos é grande. Muitos pacientes mesmo depois de convencidos de que não têm nada no coração continuam indo às emergências com receio de infarto do miocárdio, isto demonstra o caráter de incontrabilidade do transtorno do pânico como ocorre em todas perturbações mentais.
Problemas gerais que podem se parecer com ataques de pânico
Nenhuma doença mental é letal nem provoca sequelas, mas outras doenças médicas podem, por isso, sempre que há suspeitas da existência de algum problema clínico causando uma manifestação parecida ao pânico, é imprescidível investigar outros problemas médicos. As doenças mais parecidas aos ataques de pânico são:
  1. Hipertireoidismo ou hipotireoidismo
  2. Hiperparatireoidismo
  3. Feocromocitoma
  4. Disfunções vestibulares
  5. Convulsões
  6. Intoxicação do sistema nervoso central
  7. Doenças cardíacas
1. As alterações da tireoide geralmente possuem vários outros sintomas inexistentes no pânico, como alterações significativas do peso, do dinamismo, da pele por exemplo, além de poder ser diagnosticada através da dosagem dos hormônios sanguíneos. As crises do pânico pelas alterações da tireoide podem até ceder com um tratamento, mas isso não melhora o estado para o organismo. O tratamento do pânico pode ser realizado enquanto se procede o devido controle hormonal.
2. O hiperparatireoidismo é menos comum, mas alterações metabólicas podem fazer com o que o paciente tenha fortes perturbações físicas que se exteriorizam como crises de pânico.
3. O feocromocitoma é raro, trata-se do excesso de adrenalina e outras catecolaminas circulantes. Além de crises de pânico o paciente pode sentir tremores, cefaléia, taquicardia, sudorese, ansiedade, ruborização, hipertensão, de forma que é muito parecido aos sintomas do pânico. Através da dosagem das catecolaminas, em 24h este problema pode ser descartado.
4. As disfunções vestibulares são as perturbações do vestíbulo auditivo e o cerebelo. As perturbações vestibulares cursam com tonteiras, enjôos, vômitos e desequilíbrios mas não proporcionam sensação de medo. Apesar disso pode ser confundida com o pânico.
5. Convulsões por serem inesperadas e de curta duração podem se parecer com crises de pânico. As covulsões que cursam com perda dos sentidos e queda podem ser descartadas porque o pânico não provoca isso, somente as crises que não provocam perda de consciência podem ser consideradas como possíveis crises de pânico.
6. O uso de certas substâncias como cocaína ou estimulantes podem levar a crises de pânico típicas, mas não provocam o transtorno do pânico, ou seja, uma vez eliminadas as substâncias psicotrópicas as crises de ansiedade cessam sem deixar esse tipo de sequela.
7. Os problemas cardíacos devem sempre ser descartados. Um paciente com quadro clínico compatível com transtorno do pânico e queixas cardíacas deve ser encaminhado rotineiramente para o atendimento cardiológico. Caso surja algum problema será uma mera coincidência, mas é melhor errar por excesso de zelo do que esperar consequências danosas para o coração. É recomendável que isso seja feito pois muitas medicações que tratam o pânico provocam pequenas alterações no ritmo cardíaco.
Aos parentes
Frequentemente os paciente com pânico sofrem muito duas vezes, a primeira por causa dos ataques e suas consequências e a segundo por causa da incompreensão de que são vítimas. Como médico canso-me de ouvir de meus pacientes que seus filhos, pais, cônjugues criticam-no por causa das crises achando que são frescuras, que está na verdade precisando apanhar...!!!??? É verdade, a primeira coisa que os parentes têm que fazer é compreender, aceitar e apoiar os pacientes. O transtorno do pânico é uma doença como outra qualquer, o paciente não escolheu tê-la, nem pode evitá-la.
Aqui estão algumas recomendações às pessoas que convivem com quem tem pânico:
Nunca diga:
Reaxe, acalme-se...
Você pode lutar contra isso...
Não seja ridícula(o)!
Não seja covarde!
Você tem que ficar (quando o paciente quer sair de onde está)
Recomendações
1. Não faça suposições a respeito do que a pessoa com pânico precisa, pergunte a ela.
2. Seja previsível, evite surpresas
3. Proporcione a quem sofre de pânico a paz necessária para se recuperar.
4. Procure ser otimista para com quem pânico, procure aspectos positivos nos problemas.
5. Não sacrifique sua própria vida pois acabará criando ressentimentos.
6. Não entre em pânico quando o paciente com pânico tiver um ataque.
7. Seja paciente e aceite as dificuldades de quem tem pânico mas não se conforme como se ela(e) for uma inválida(o).

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