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sábado, 25 de junho de 2011

O que são os transtornos de personalidade?


Os transtornos de personalidade afetam todas as áreas de influência da personalidade de um indivíduo, o modo como ele vê o mundo, a maneira como expressa as emoções, o comportamento social. Caracteriza um estilo pessoal de vida mal adaptado, inflexível e prejudicial a si próprio e/ou aos conviventes. Essas características, no entanto apesar de necessárias não são suficientes para identificação dos transtornos de personalidade, pois são muito vagas. A maneira mais clara como a classificação deste problema vem sendo tratada é através da subdivisão em tipos de personalidade patológica. Ao nosso ver, esta forma é bastante adequada, pois se verifica na prática manifestações diversas e até opostas para o mesmo problema. O leitor entenderá melhor a necessidade da subdivisão dos transtornos de personalidade lendo os textos abaixo.
Generalidades
Para se falar de personalidade é preciso entender o que vem a ser um traço de personalidade. O traço é um aspecto do comportamento duradouro da pessoa; é a sua tendência à sociabilidade ou ao isolamento; à desconfiança ou à confiança nos outros. Um exemplo: lavar as mãos é um hábito, a higiene é um traço, pois implica em manter-se limpo regularmente escovando os dentes, tomando banho, trocando as roupas, etc. Pode-se dizer que a higiene é um traço da personalidade de uma pessoa depois que os hábitos de limpeza se arraigaram. O comportamento final de uma pessoa é o resultado de todos os seus traços de personalidade. O que diferencia uma pessoa da outra é a amplitude e intensidade com que cada traço é vivido.
Por convenção, o diagnóstico só deve ser dado a adultos, ou no final da adolescência, pois a personalidade só está completa nessa época, na maioria das vezes. Os diagnósticos de distúrbios de conduta na adolescência e pré-adolescência são outros.

Transtorno de Personalidade Anti-Social

Como se caracteriza ?
Caracteriza-se pelo padrão social de comportamento irresponsável, explorador e insensível constatado pela ausência de remorsos. Essas pessoas não se ajustam às leis do Estado simplesmente por não quererem, riem-se delas, freqüentemente têm problemas legais e criminais por isso. Mesmo assim não se ajustam. Freqüentemente manipulam os outros em proveito próprio, dificilmente mantêm um emprego ou um casamento por muito tempo.
Aspectos essenciais
Insensibilidade aos sentimentos alheios
  • Atitude aberta de desrespeito por normas, regras e obrigações sociais de forma persistente.
  • Estabelece relacionamentos com facilidade, principalmente quando é do seu interesse, mas dificilmente é capaz de mantê-los.
  • Baixa tolerância à frustração e facilmente explode em atitudes agressivas e violentas.
  • Incapacidade de assumir a culpa do que fez de errado, ou de aprender com as punições.
  • Tendência a culpar os outros ou defender-se com raciocínios lógicos, porém improváveis.

Transtorno de Personalidade Borderline (Limítrofe)

Como se caracteriza ?
Caracteriza-se por um padrão de relacionamento emocional intenso, porém confuso e desorganizado. A instabilidade das emoções é o traço marcante deste transtorno, que se apresenta por flutuações rápidas e variações no estado de humor de um momento para outro sem justificativa real. Essas pessoas reconhecem sua labilidade emocional, mas para tentar encobri-la justificam-nas geralmente com argumentos implausíveis. Seu comportamento impulsivo freqüentemente é autodestrutivo. Estes pacientes não possuem claramente uma identidade de si mesmos, com um projeto de vida ou uma escala de valores duradoura, até mesmo quanto à própria sexualidade. A instabilidade é tão intensa que acaba incomodando o próprio paciente que em dados momentos rejeita a si mesmo, por isso a insatisfação pessoal é constante.

Aspectos essenciais
  • Padrão de relacionamento instável variando rapidamente entre ter um grande apreço por certa pessoa para logo depois desprezá-la.
  • Comportamento impulsivo principalmente quanto a gastos financeiros, sexual, abuso de substâncias psicoativas, pequenos furtos, dirigir irresponsavelmente.
  • Rápida variação das emoções, passando de um estado de irritação para angustiado e depois para depressão (não necessariamente nesta ordem).
  • Sentimento de raiva freqüente e falta de controle desses sentimentos chegando a lutas corporais.
  • Comportamento suicida ou auto-mutilante.
  • Sentimentos persistentes de vazio e tédio.
  • Dúvidas a respeito de si mesmo, de sua identidade como pessoa, de seu comportamento sexual, de sua carreira profissional.

Transtorno de Personalidade Paranóide

Como se caracteriza ?
Caracteriza-se pela tendência à desconfiança de estar sendo explorado, passado para trás ou traído, mesmo que não haja motivos razoáveis para pensar assim. A expressividade afetiva é restrita e modulada, sendo considerado por muitos como um indivíduo frio. A hostilidade, irritabilidade e ansiedade são sentimentos freqüentes entre os paranóide. O paranóide dificilmente ri de si mesmo ou de seus defeitos, ao contrário ofende-se intensamente, geralmente por toda a vida quando alguém lhe aponta algum defeito.
Aspectos essenciais
  • Excessiva sensibilidade em ser desprezado.
  • Tendência a guardar rancores recusando-se a perdoar insultos, injúrias ou injustiças cometidas.
  • Interpretações errôneas de atitudes neutras ou amistosas de outras pessoas, tendo respostas hostis ou desdenhosas. Tendência a distorcer e interpretar maléficamente os atos dos outros.
  • Combativo e obstinado senso de direitos pessoais em desproporção à situação real.
  • Repetidas suspeitas injustificadas relativas à fidelidade do parceiro conjugal.
  • Tendência a se autovalorizar excessivamente.
  • Preocupações com fofocas, intrigas e conspirações infundadas a partir dos acontecimentos circundantes.

Transtorno de Personalidade Dependente

Como se caracteriza ?
Caracterizam-se pelo excessivo grau de dependência e confiança nos outros. Estas pessoas precisam de outras para se apoiar emocionalmente e sentirem-se seguras. Permitem que os outros tomem decisões importantes a respeito de si mesmas. Sentem-se desamparadas quando sozinhas. Resignam-se e submetem-se com facilidade, chegando mesmo a tolerar maus tratos pelos outros. Quando postas em situação de comando e decisão essas pessoas não obtêm bons resultados, não superam seus limites.

Aspectos essenciais
  • É incapaz de tomar decisões do dia-a-dia sem uma excessiva quantidade de conselhos ou reafirmações de outras pessoas.
  • Permite que outras pessoas decidam aspectos importantes de sua vida como onde morar, que profissão exercer.
  • Submete suas próprias necessidades aos outros.
  • Evita fazer exigências ainda que em seu direito.
  • Sente-se desamparado quando sozinho, por medos infundados.
  • Medo de ser abandonado por quem possui relacionamento íntimo.
  • Facilmente é ferido por crítica ou desaprovação.

Transtorno de Personalidade Esquizóide

Como se caracteriza ?
Primariamente pela dificuldade de formar relações pessoais ou de expressar as emoções. A indiferença é o aspecto básico, assim como o isolamento e o distanciamento sociais. A fraca expressividade emocional significa que estas pessoas não se perturbam com elogios ou críticas. Aquilo que na maioria das vezes desperta prazer nas pessoas, não diz nada a estas pessoas, como o sucesso no trabalho, no estudo ou uma conquista afetiva (namoro). Esses casos não devem ser confundidos com distimia.
Aspectos essenciais
  • Poucas ou nenhuma atividade produzem prazer.
  • Frieza emocional, afetividade distante.
  • Capacidade limitada de expressar sentimentos calorosos, ternos ou de raiva para como os outros.
  • Indiferença a elogios ou críticas.
  • Pouco interesse em ter relações sexuais.
  • Preferência quase invariável por atividades solitárias.
  • Tendência a voltar para sua vida introspectiva e fantasias pessoais.
  • Falta de amigos íntimos e do interesse de fazer tais amizades.
  • Insensibilidade a normas sociais predominantes como uma atitude respeitosa para com idosos ou àqueles que perderam uma pessoa querida recentemente.

Trantorno de Personalidade Ansiosa (evitação)

Como se caracteriza ?
Caracteriza-se pelo padrão de comportamento inibido e ansioso com auto-estima baixa. É um sujeito hipersensível a críticas e rejeições, apreensivo e desconfiado, com dificuldades sociais. É tímido e sente-se desconfortável em ambientes sociais. Tem medos infundados de agir tolamente perante os outros.

Aspectos essenciais
  • *É facilmente ferido por críticas e desaprovações.
  • Não costuma ter amigos íntimos além dos parentes mais próximos.
  • Só aceita um relacionamento quando tem certeza de que é querido.
  • Evita atividades sociais ou profissionais onde o contato com outras pessoas seja intenso, mesmo que venha a ter benefícios com isso.
  • Experimenta sentimentos de tensão e apreensão enquanto estiver exposto socialmente.
  • Exagera nas dificuldades, nos perigos envolvidos em atividades comuns, porém fora de sua rotina. Por exemplo, cancela encontros sociais porque acha que antes de chegar lá já estará muito cansado.

Transtorno de Personalidade Histriônica

Como se caracteriza ?
Caracteriza-se pela tendência a ser dramático, buscar as atenções para si mesmo, ser um eterno "carente afetivo", comportamento sedutor e manipulador, exibicionista, fútil, exigente e lábil (que muda facilmente de atitude e de emoções).

Aspectos essenciais

  • Busca freqüentemente elogios, aprovações e reafirmações dos outros em relação ao que faz ou pensa.
  • Comportamento e aparência sedutores sexualmente, de forma inadequada.
  • Abertamente preocupada com a aparência e atratividade físicas.
  • Expressa as emoções com exagero inadequado, como ardor excessivo no trato com desconhecidos, acessos de raiva incontrolável, choro convulsivo em situações de pouco importância.
  • Sente-se desconfortável nas situações onde não é o centro das atenções.
  • Suas emoções apesar de intensamente expressadas são superficiais e mudam facilmente.
  • É imediatista, tem baixa tolerância a adiamentos e atrasos.
  • Estilo de conversa superficial e vago, tendo dificuldades de detalhar o que pensa.

Transtorno de Personalidade Obsessiva (anancástica)

Como se caracteriza ?
Tendência ao perfeccionismo, comportamento rigoroso e disciplinado consigo e exigente com os outros. Emocionalmente frio. É uma pessoa formal, intelectualizada, detalhista. Essas pessoas tendem a ser devotadas ao trabalho em detrimento da família e amigos, com quem costuma ser reservado, dominador e inflexível. Dificilmente está satisfeito com seu próprio desempenho, achando que deve melhorar sempre mais. Seu perfeccionismo o faz uma pessoa indecisa e cheia de dúvidas.

Aspectos essenciais

  • O perfeccionismo pode atrapalhar no cumprimento das tarefas, porque muitas vezes detém-se nos detalhes enquanto atrasa o essencial.
  • Insistência em que as pessoas façam as coisas a seu modo ou querer fazer tudo por achar que os outros farão errado.
  • Excessiva devoção ao trabalho em detrimento das atividades de lazer.
  • Expressividade afetiva fria.
  • Comportamento rígido (não se acomoda ao comportamento dos outros) e insistência irracional (teimosia).
  • Excessivo apego a normas sociais em ocasiões de formalidade.
  • Relutância em desfazer-se de objetos por achar que serão úteis algum dia (mesmo sem valor sentimental)
  • Indecisão prejudicando seu próprio trabalho ou estudo.
  • Excessivamente consciencioso e escrupuloso em relação às normas sociais.

Tricotilomania



O que é?
A tricotilomania é um distúrbio do controle dos impulsos caracterizado pela crônica tendência a puxar ou arrancar os próprios cabelos. Tem sido caracterizada como um transtorno do espectro do transtorno obsessivo compulsivo. O alvo é direcionado para qualquer tipo de pêlo do corpo e geralmente há mais de um foco, como por exemplo cabelos e sobrancelhas. O início pode ocorrer na infância ou adolescência e continuar ao longo da vida. Ansiedade e depressão frequentemente acompanham o quadro.
Como é o paciente com tricotilomania?
Acompanhado o ritual de arrancamento dos pêlos geralmente as pessoas com esse transtorno fica alisando, enrolando e puxando os pêlos alvos. Esse ritual pode ser realizado enquanto se assiste à TV, dirige um carro, fala ao telefone, enquanto lê ou mesmo durante conversas com pessoas mais íntimas. Enquanto se realiza esse ritual a tensão se eleva e um desejo incontrolável de arrancar o pêlo se impôe, após o arrancamento há imediatamente uma sensação de alívio da tensão seguida de culpa por tê-lo feito. Muitas pessoas depois de arrancar o cabelo ou os pelôs põem-no naboca e engolem. Como o arrancamente é realizado sobre locais específicos logo surge uma região de visível falta de pêlos levando a pessoa a adotar um comportamento para escondê-lo, principalmente quando é na cabeça. Situações que podem expor a calvície como programas em piscinas e praias por exemplo. Apesar dos prejuízos pessoais o comportamento continua. Algumas vezes o remorço por ter arrancado o cabelo leva a um comportamento de auto-punição, e como punição arranca-se mais cabelos.
Qual o curso dessa patologia?
O curso é variável, os casos de início cedo ou de leve intensidade podem ser contornados com mudanças no ambiente do paciente, tornando-o mais harmônico. Os casos de início tardio ou mais severos tendem a ser crônicos, requerendo intervenção médico-psicológica.
Sobre quem a tricotilomania costuma incidir?
Acreditava-se ser um transtorno raro, mas sabe-se hoje que aproximadamente 4% da população apresenta tricotilomania. As mulheres são 4 vezes mais acometidas do que os homens. O início geralmente se dá antes dos 17 anos de idade. Início precoce é considerado antes dos 6 anos de idade, nessa fase a incidência é igual para ambos os sexos, a intervenção psicológica costuma ser bem sucedida quando o início se dá nessa época. Após os 13 anos é considerado início tardio e nessa fase ocorre mais em meninas sendo de mais difícil controle.
Tratamento
As ténicas comportamentais, a hipnose e os antidepressivos estão entre as condutas que obtêm melhores resultados. Os antidepressivos inibidores da recaptação da serotonina apresentam bons resultados no início do tratamento mas não mantêm o benefício. Tentativas têm sido feitas com outros psicofármacos associados a esses antidepressivos como o lítio e a pimozida. Os resultado foram encorajadoes mas precisam ser confirmados. Aconselha-se que as medicações sejam administradas em conjunto com psicoterapia.

Esquizoafetivo


Esta é uma categoria psiquiátrica controvers. Alguns pesquisadores contestam sua existência, efetivamente é um quadro pouco comum e de difícil diagnóstico. Por definição um paciente esquizoafetivo é aquele que não é esquizofrênico, embora psicótico, com marcantes sinais de transtornos afetivos, ou seja, com evidentes períodos em que se apresenta como deprimido ou maníaco e sem sintomas psicóticos, e fases em que fica psicótico sem sintomas afetivos, são pacientes que apresentam critérios de diagnóstico para dois distúrbios simultaneamente. Os pesquisadores julgaram melhor criar um novo tipo de transtorno do que afirmar que certos pacientes têm duas doenças mentais ao mesmo tempo, surgindo então a categoria "transtorno esquizoafetivo". Por outro lado existe também a psicose da fase maníaca, quando o paciente bipolar assemelha-se mais ao esquizofrênico do que ao maníaco, sem deixar de ser maníaco; e também a depressão esquizofrênica, em que o paciente não deixa de ter o diagnóstico de esquizofrenia mas acrescenta-se de forma transitória o de depressão.
Na medida em que as diferenças de diagnóstico são pequenas, a certeza diagnóstica enfraquece. Como ninguém gosta de incertezas a categoria de transtorno esquizoafetivo costuma ser evitada por muitos psiquiatras. Os pacientes que possuem este diagnóstico não devem se preocupar porque seu tratamento independe do nome do diagnóstico: depende sim dos sintomas apresentados, este é o aspecto direcionador do trabalho do médico. Estima-se que esse transtorno existe em aproximadamente 0,3 a 5,7 pessoas por 100.000 habitantes.

Compreendendo o Lítio - equilibrio no Humor



 



O QUE É O LÍTIO?
O Lítio é um elemento mineral que ocorre na natureza.
Os comprimidos são fabricados por um processo especial sob a forma de carbonato o que assegura a libertação a níveis controlados do lítio no sangue, durante um período de 24 horas. Isto significa que o doente pode tomar o Lítio uma a duas vezes por dia.
COMO ME PODERÃO AJUDAR OS COMPRIMIDOS DE LÍTIO?
Muitos anos de pesquisa cuidadosa e uso clínico extenso demonstraram que o Lítio, quando tomado na dose correcta, normaliza a vida do doente.
O medicamento ajudá-lo-á a evitar as recaídas das depressões ou da fase de euforia.
COMO FUNCIONA O LÍTIO?
É complexo, intervindo no Sistema Nervoso Central com uma acção estabilizadora do humor.
QUAL A RAPIDEZ COM QUE O LÍTIO FUNCIONA?
Varia de doente para doente e depende da fase da doença. Em alguns tipos de crise podem ser obtidos resultados no pequeno espaço de 7 a 14 dias. Por outro lado, se o médico está a tratar o doente com Lítio para evitar a recorrência da doença, podem ser necessários 6 a 12 meses, antes de se conseguir uma eficácia completa.
DURANTE QUANTO TEMPO SE TOMA O LÍTIO?
Na maioria dos doentes o Lítio é usado tanto para tratar a doença como para evitar a sua recorrência.
Assim, e tal como o médico recomendará, deverá temar Lítio durante um longo período.
O QUE ACONTECERÁ SE O DOENTE PARAR DE TOMAR LÍTIO?
Em muitos casos ocorrerá uma situação de doença.
O doente só poderá parar o tatamento a conselho do médico.
QUAL A FREQUÊNCIA COM QUE NECESSITA DE TOMAR LÍTIO?
Numa dose única, ou em duas doses diárias, numa média de 1 a 4 comprimidos por dia.
TERÁ O DOENTE DE TOMAR SEMPRE O MESMO NÚMERO DE COMPRIMIDOS DE LÍTIO POR DIA?
De tempos a tempos, e por variadas razões, o médico pode decidir alterar a dose diária de Lítio entre meio e um comprimido por dia.
PODE ESMAGAR OU DISSOLVER O LÍTIO CASO TENHA DIFICULDADES EM ENGOLIR?
Não. Os comprimidos de Lítio podem ser engolidos com água ou então com uma bebida fria. Nunca esmagar, mastigar ou dissolver, dado que estas acções destruirão a sua composição especial. Se a sua dose diária é, por exemplo, dois comprimidos e meio, é perfeitamente adequado para o doente dividir o comprimido. Cada comprimido tem uma ranhura, para auxiliar o doente a dividir o comprimido adequadamente.
O QUE DEVERÁ FAZER CASO SE ESQUEÇA DE TOMAR A DOSE DIÁRIA DE LÍTIO?
Deve tomar a sua dose normal na altura devida no dia seguinte. Não tomar uma dose dupla.
O QUE DEVERÁ FAZER CASO SE ESQUEÇA DE TOMAR UM CERTO NÚMERO DE DOSES DE LÍTIO?
Caso se esqueça de tomar várias doses de Lítio, é aconselhável reiniciar, tomando a sua dose normal diária, na altura habitual, no dia em que se lembra. Se nos dias seguintes, se tem de deslocar ao médico para fazer a análise de doseamento de Lítio no sangue, é importante que lhe fale acerca das doses omitidas.
QUAL A FINALIDADE DAS COLHEITAS DE SANGUE?
Se está a obter benefício com o Lítio, deverá manter um certo nível de Lítio no sangue. De modo diferente da maioria dos medicamentos o nível sanguíneo do produto activo é facilmente determinado. O nível que dá os melhores resultados varia de doente para doente. Depois do médico ter estabelecido o melhor nível para o doente, as colheitas de sangue regulares rapidamente detectam qualquer alteração, permitindo ao médico ajustar a dose de comprimidos adequadamente.
QUAL A FREQUÊNCIA COM QUE TERÁ DE FAZER A ANÁLISE DE SANGUE?
A primeira análise é em geral efectuada 4 a 5 dias após o doente ter iniciado o Lítio, e então em intervalos regulares até estabilizar o tratamento.
Deverá fazer-se então um controle periódico.
PODE TOMAR O LÍTIO SEM EFECTUAR TESTES DE SANGUE?
Não.
DEVE-SE FAZER O TESTE DE SANGUE NA MESMA ALTURA DO DIA?
É melhor fazer o teste de sangue na mesma altura do dia. Por razões práticas nem sempre é possível.
Nesse caso, deixar sempre um intervalo de 12 horas entre a última dose de Lítio e a altura da colheita. Assegurar-se se o médico tem conhecimento deste intervalo.
PODE O LÍTIO TER EFEITOS SECUNDÁRIOS?
Os medicamentos mais potentes produzem efeitos secundários num pequeno número de doentes, e, no caso do Lítio, eles podem ocorrer em fases precoces do tratamento quando os níveis se estão a estabilizar, ou, mais tarde, após ficarem estabilizados. Crises de vómitos, diarreia, sonolência, ou volumes aumentados de urina, são motivos para consultar o seu médico, o qual decidirá o tipo de acção a ser tomada. A maioria das pessoas tomam o Lítio sem qualquer interferência de efeitos secundários.
EXISTEM DOENTES QUE NÃO DEVERÃO TOMAR O LÍTIO?
Sim. Eles formam uma pequena minoria, bem conhecida do médico.
Podem, quaisquer das das doenças com febre, a gripe, as gastroentrites e as infecções urinárias podem alterar a quantidade de Lítio que circula no organismo. Caso o doente desenvolva quaisquer destas infecções, diarreias, náuseas, vómitos ou um tremor intenso, deverá informar o médico imediatamente. O doente deve dizer ao médico que está a ser tratado com Lítio, no caso deste o desconhecer.
PODEM-SE TOMAR OUTROS MEDICAMENTOS DURANTE O TRATAMENTO COM LÍTIO?
Sim, mas sempre com controle médico.
PODE-SE CONDUZIR OU TRABALHAR COM MÁQUINAS ENQUANTO TOMA LÍTIO?
Sim.
É NECESSÁRIA UMA DIETA ESPECIAL ENQUANTO SE TOMA LÍTIO?
Não são necessárias nenhumas restrições dietéticas, mas o doente deverá ter refeições regulares e manter a ingestão normal de sais e líquidos. Deverá consultar o seu médico antes de tomar medicamentos, ou começar qualquer dieta de emagrecimento. Um pequeno número de doentes aumentam de peso enquanto tomam LÍTIO. Caso tenha um aumento de sede, deve beber água ou bebidas não açucaradas.
PODE-SE BEBER ÁLCOOL, ENQUANTO TOMA LÍTIO?
A ingestão de álcool em excesso aumenta a perda de água e sal no organismo e ambas as perdas podem ter efeitos prejudiciais no tratamento com LÍTIO. É melhor aconselhar-se sobre este assunto junto do seu médico.
AFECTARÁ O LÍTIO A VIDA SEXUAL?
Não.
DEVERÁ O DOENTE PARAR O LÍTIO CASO DESEJE TER UM FILHO?
Sim, após prévio aconselhamento médico.
SE UMA DOENTE ENGRAVIDA E ESTIVER A TOMAR LÍTIO, O QUE DEVE FAZER?
Parar imediatamente de tomar os seus comprimidos. Deve informar o médico caso pense que está grávida e aconselhar-se junto dele.
PODE AMAMENTAR O SEU BEBÉ ENQUANTO TOMA LÍTIO?
Não. A amamentação normalmente não é aconselhada, dado que algum LÍTIO pode estar presente no leite da mãe, e o médico em geral recomendará que o seu filho seja alimentado artificialmente.
CASO TENHA UM ACIDENTE OU OUTRA URGÊNCIA MÉDICA, ATÉ QUE PONTO É IMPORTANTE QUE OS MÉDICOS SAIBAM QUE TOMA O LÍTIO?
Os médicos que trabalham nas urgências são bastante ajudados pelo conhecimento dos medicamentos que o doente toma regularmente, sendo útil que este seja portador da indicação dos medicamentos que toma.
O QUE DEVE FAZER CASO COMECE A SENTIR ALTERAÇÕES DO HUMOR (EUFÓRICAS OU DEPRESSIVAS) MESMO TOMANDO O LÍTIO?
Se a alteração persiste durante 2 dias, deverá ir ao médico. Pode ser necessário modoficar a dose de LÍTIO.
DEVERÁ O DOENTE IR AO MÉDICO, MESMO QUANDO SE SENTE BEM?
Sim, para uma avaliação periódica em consulta médica.





























sábado, 11 de junho de 2011

O que é uma “doença mental”?


“Doença mental” engloba um amplo espectro de problemas patológicos que afectam a mente, usualmente provocando grande desconforto interior e alterando comportamentos. Provoca uma enorme variedade de sintomas entre as quais queixas a nível do humor, ansiedade, memória, percepção e pensamento. Diferentes sinais e sintomas reúnem-se e evoluem no tempo, caracterizando as diferentes doenças mentais, que têm em comum tornarem a pessoa disfuncional, a nível pessoal, familiar, social e laboral, alterando, tanto pela intensidade como pela persistência, o dia-a-dia da pessoa que sofre.


 O que causa uma “doença mental”?
A doença mental, tal como a maioria das doenças, é multifactorial, ou seja, resulta da combinação de diferentes factores. Assim é na conjugação da nossa base genética com o meio que nos envolve e seus momentos ou períodos importantes (facilitadores/desencadeadores) que a doença pode surgir, repentinamente ou de forma mais insidiosa. Uma das clássicas formas de olhar para as causas da doença mental, subdivide-as em doenças de causa endógena (resultado de factores hereditários e constitucionais), em doenças de causa exógena, sendo que estas, ao contrário das primeiras, são mais reactivas ao acontecimentos do dia-a-dia e menos dependentes da nossa genética, biologia e fisiologia. Seja qual for a causa existe sofrimento psicológico usualmente com repercussões a nível físico.
 
  
Mitos associados às doenças mentais
1. As pessoas que sofrem de doenças mentais nunca irão recuperar
As doenças mentais tratam-se e a maior parte dos doentes recuperaram a saúde. As doenças mentais devem ser encaradas do mesmo modo como se olha para as doenças físicas.
2. Pessoas com doenças mentais são perigosas e devem ser excluídas da família, da comunidade e da sociedade?
Não. Os doentes mentais não representam perigo acrescido para a família, comunidade ou sociedade. Por esse motivo, devem ser tratadas adequadamente e inseridas na comunidade, sem medo ou exclusão. Assim, dentro das suas limitações, poderão levar uma vida normal, feliz e produtiva.
3. A doença mental deve-se à pobreza e/ou pouca inteligência
Em geral a doença mental, tal como outras doenças físicas, pode afectar qualquer pessoa, independentemente da sua idade, emprego ou habilitações escolares; claro que há doenças que afectam a inteligência e que se procuram tratar.
4. A doença mental é causada por fraqueza individual
Estas pessoas não escolhem ficar doentes, trata-se de uma doença e não de uma fraqueza de carácter.
5. A doença mental é uma doença rara
Doenças mentais (ansiedade, depressão, esquizofrenia, etc.) podem afectar qualquer pessoa em qualquer época da sua vida. Podem causar mais sofrimento e incapacidade que qualquer outro tipo de problema de saúde. A Organização Mundial de Saúde, em 2001, refere que 1 em cada 4 pessoas poderá ser afectada, ao longo da sua vida, por uma doença mental.


Estigma das doenças mentais
As pessoas com doença mental descompensada agem de forma diferente devido à sua doença. São marcados como diferente e dificilmente aceites pelos demais. Pessoas nestas condições atraem medo, hostilidade e desaprovação em vez de compaixão, apoio e compreensão. Com o tempo, começam a sentir-se como estranhos e excluídos da sociedade. O estigma relacionado com a doença mental provém do medo do desconhecido e de um conjunto de falsas crenças originadas pela falta de conhecimento e compreensão dos diferentes tipos de patologias.

Assim, o estigma são como que rótulos negativos usados para identificar pessoas que sofrem de doenças mentais, criando barreiras que impedem os indivíduos e suas famílias de procurar ajuda, pelo medo de serem excluídos. A exclusão e discriminação é pois o resultado dos estigmas e preconceitos contra o doente e a doença mental e são um grande obstáculo à recuperação do doente mental e sua participação na sociedade, pois restringem as oportunidades a que as pessoas com doenças mentais têm direito. Lembre-se:

- Não há nada de que se envergonhar.
- O estigma abarca tudo e todos os que se relacionam com a pessoa que sofre de uma doença mental.
- A sociedade em geral está menos preparada para aceitar e ajudar as pessoas com doença mental do que as pessoas com doença física.
Cuidar sim, discriminar não. Cada ser humano nasce e desenvolve-se de maneira única. Nenhuma pessoa é igual à outra, reconhecer isso é fundamental para compreender e respeitar os diferentes.

Há qualquer coisa que não está bem com alguém que conheço

 
Está preocupada(o) com a alteração de comportamento de alguém que conhece?
Se alguém que conhece começou a ficar confuso, evita as pessoas, tem ideias que não estão de acordo com as de todas as outras pessoas, comporta-se de forma diferente do que seria de esperar, então é importante falar com um médico para se ter orientação e ajuda…
A razão para estas mudanças pode estar no desenvolvimento de uma doença, pelo que quanto mais cedo for consultado um(a) médico(a) melhor.

 Lista de pistas importantes a considerar:
» Deixou de falar com familiares ou amigos
» Perdeu a vontade e motivação para as actividades habituais
» Começou a ficar com medo(s) ou com desconfianças sem motivo
» Deixou de se alimentar, come às escondidas
» Dorme mal ou não consegue dormir toda a noite
» Começou a ter ideias estranhas
» Ouve vozes que mais ninguém consegue ouvir
» Tem graves dificuldades de concentração
» Diz ou escreve coisas que não fazem sentido
» Abusa de álcool ou drogas


Como conseguir ajuda?
» Incentivar a pessoa a procurar um médico
» Oferecer suporte, acompanhando a pessoa ao médico
» Sugerir que se escreva algumas notas em conjunto, para ajudar a explicar o que se passa na consulta
» Se a pessoa recusa tratamento, procure o médico para poder ter conselho e orientação.

E quanto às drogas?

Por vezes os familiares ou amigos ficam preocupados sem saber se a alteração de comportamentos está relacionada com o consumo de drogas, o que se verifica em alguns casos. Algumas pessoas que começam a desenvolver problemas psiquiátricos consomem álcool ou drogas para se sentirem melhor ou como um sinal de que precisam de ajuda. Embora estes consumos possam fazer com que essa pessoa se sintam momentaneamente bem, o que realmente acontece é um agravamento dos sintomas e uma maior dificuldade na recuperação.
Dificultando ainda mais estas questões, há que dizer que as drogas podem produzir sintomas semelhantes às queixas das doenças psicóticas como a esquizofrenia. Por exemplo, o álcool ou o haxixe podem produzir uma perda da noção da realidade e a sensação de que se é vigiado, perseguido ou atacado. Se os sintomas são devidos ao consumo de drogas (psicose secundária ao consumo) deverão desaparecer completamente após o fim do consumo, quando a droga for eliminada do corpo.
Já o uso prolongado de certas drogas pode produzir efeitos de longa duração. Se o consumo de drogas começar a interferir no dia-a-dia, causando problemas em casa, na escola ou no trabalho, a ajuda médica deve ser procurada quanto antes. O Médico de Família pode fazer uma avaliação clínica para saber se existe algum problema psiquiátrico que origina esses consumos e que deve ser tratado, ou se as pessoas devem ser desde logo encaminhadas para centros de tratamento de álcool ou drogas. Algumas vezes pode existir mais de uma doença psiquiátrica.
Pode ser muito difícil para os familiares perceberem a influência do álcool ou drogas no comportamento do indivíduo. Estes assuntos são complicados e não há nada como procurar ajuda de especialistas.
Incentive a consulta a um(a) médico(a)
 
Algumas vezes isto pode ser muito difícil, pois a/o doente sente que criticam o seu comportamento, sente que os outros estão contra si e pode estar com medo ou revoltada(o). Algumas das vezes também se podem encontrar confusos, tendo problemas para ordenar os pensamentos de maneira a explicar o que se pode estar a passar consigo… ou podem-se estar a sentir com muito medo ou ansiosos… ou podem não ter a consciência que estão doentes.
» Fale destes problemas quando sentir que a pessoa está calma, momento em que é mais provável que haja cooperação da parte desta. Ex: gostava de poder falar contigo acerca de um assunto importante – é boa altura agora ou é melhor falar mais tarde?
» Peça a outra pessoa que fale com o familiar ou amigo se sente que este não confia ou antipatiza consigo. Deve-se focar no que a outra pessoa deve estar a sentir, mantendo-se imparcial. Inicialmente é melhor centra-se nos problemas que a outra pessoa se sente à vontade para falar. Ex: eu sei que nos últimos dias tens tido problemas para dormir e estar concentrado. Gostarias de falar com o médico?
» Leve as pessoas a pensar que o médico é alguém que ajuda a resolver situações difíceis e que não vai julgar os comportamentos.
» Sugira que a ida ao médico é apoiada por si e por outras pessoas.
» Discuta a situação com o médico, especialmente se há resistência por parte do outro. Lembre-se de registar de forma simples e claras as suas preocupações.
Se há muita resistência a ir visitar o médico, consulte-o primeiro para discutir e planear soluções. Poderá ser possível e útil o médico ir a casa avaliar a pessoa. Se não for possível, o médico poderá sempre dar esclarecimentos e ajudar os amigos e familiares que estão preocupados. Em Portugal existe uma lei que obriga a pessoa a ser tratada mesmo contra a sua vontade, sempre que, após a avaliação médica, se concluir que a pessoa tem uma doença mental grave, que a pessoa não se apercebe da gravidade da doença, que a pessoa não se quer tratar e que o estado clínico em se encontra pode ser perigosa para si ou para outros.
Para isso, é necessário que alguém (familiar, amigo, vizinho) procure ajuda no delegado de saúde da área de residência. Lembre-se sempre que o primeiro passo é o mais difícil.
Como saber mais?
Para mais informações consulte o seu médico, que se achar necessário orientará para uma consulta de especialidade. Em caso de urgência, dirija-se ao serviço de urgência da sua área de residência. Não se acomode. Quando algo está mal, procure ajuda!

Testemunhos

M.M. 22 anos
Assisti a uma conferência há 2/3 anos dada pela Dra Filipa Palha, cujo objectivo era apresentar a Encontrar-se. Confesso que gostei da sua exposição, daí ter procurado mais informações acerca da associação. Infelizmente já tive 2 problemas psiquiátricos graves, em que perco a minha identidade, tornando-me completamente dependente de alguém que cuide de mim. Aconteceu isto quando tive uma Depressão e uma Rotura Psicótica devido a Stress Interpessoal. Foram tempos horríveis, em que só me lembro de alguns episódios soltos, e em que, devido à medicação ou pelo próprio estado em que me encontrava, muita coisa esqueci.
E ainda bem. Sei que, felizmente, estou bem melhor, apesar de ainda medicada para evitar possíveis recaídas e por ser, por natureza, uma pessoa ansiosa. Nunca estive internada (porque a minha mãe não deixou e preferiu ficar ela comigo, abdicando do seu emprego durante algum tempo), mas sei o que custa sofrer ou ter sofrido de uma doença psiquiátrica grave e, por isso, fico feliz que esta associação exista. Tive sorte no meio do azar, apesar de ter sido mal diagnosticada primeiramente, mudei de psiquiatra e melhorei a olhos vistos.
Aconselho quem sofrer de alguma doença deste foro a procurar bons profissionais, já que, infelizmente, nem todos o são. Hoje em dia consigo ser a pessoa que sempre fui, mais madura talvez, acho que se aprende sempre que estas doenças batem à porta.. Consigo acordar todos os dias com um sorriso e agradecer por estar como estou. Tenho amigos, família e, acima de tudo, saúde! É o bem mais precioso que podemos ter.. o resto, o amor, a felicidade, o sentimento de plenitude e de realização pessoal e profissional.. vem por acréscimo! Obrigada a todas as pessoas que me ajudaram a ultrapassar os problemas mais graves da minha vida.. sobretudo à minha mãe e ao meu médico.
Sofia – 32 Anos
A Sofia tem 32 anos, tem formação superior e fala-nos da sua experiência com a “depressão, com traços bipolares” que diz, “ainda ter…”
Deixamos aqui a transcrição do seu email onde nos conta um pouco da sua experiência com a doença mental.
“Obrigada por existirem. Faz falta um trabalho sério. Confesso que foi das coisas que mais senti falta e que me fez sentir mais desamparada. Principalmente quando fui confrontada com a bipolaridade.
Procurei associações, linhas de apoio. Além de ter sido atendida em associações por pessoas sem qualquer formação, a frustração foi maior quando numa noite de desespero tentei apoio numa linha que supostamente evita suicídios. Ninguém atendeu! Como tudo começou é algo que procuro descobrir há já alguns anos. Identifico como ponto de viragem da minha vida a saída da minha terra natal e, por conseguinte, de casa de meus pais, para estudar em Lisboa. Mas acho que tudo já estava dentro de mim. E a minha natureza acabaria por se revelar.
Em quase 15 anos, têm sido várias as depressões
Vário os medicamentos. Muitos deles completamente ao lado e que só pioraram o meu estado
Inúmeras crises
Muitos cortes, muitas marcas no corpo
Muito álcool. Alguns excessos
Muitos gastos incontrolados
Vários diagnósticos
Muitas fugas para a frente
Duas tentativas de suicídio. Com a última cheguei mesmo a morrer, para ser depois trazida de volta
Muita luta
Muita solidão e incompreensão. Por parte das mais variadas pessoas: colegas, familiares, marido, amigos, médicos… da sociedade!
Uma perna partida é fácil entender, mas afinal quem tenta entender o que não vê? Para compreender o que nunca experiênciou? Para compreender o outro?
E “afinal que razões pode ter uma mulher, bonita, inteligente, simpática, educada, saudável, com família, amigos, para deprimir? Deve ser falta do que fazer! Eu cá não tenho tempo para isso!!!” Quantas vezes ouvimos isto…
Confesso que já estou habituada aos altos e baixos.
O pior foi a minha última grande depressão ter-me custado a vida que tinha e que tanto lutei para alcançar. Por causa da minha doença mental, de mau diagnóstico e pior acompanhamento perdi o tudo o que tinha alcançado e deixei a vida que sempre sonhei para mim, o meu emprego de sonho, a minha carreira, “amigos”. Por pouco perdia também o casamento. É como se um dia tivesse adormecido feliz, meio doente talvez, mas com a minha tão sonhada toda no sítio; mais tarde acordo, doente, com a vida num frangalho, irreconhecível.
Actualmente estou bem acompanhada, bem medicada. Durmo! Que sensação
Tenho evoluído! Sinto-me mais segura, mais tranquila, mais consciente de mim, da minha doença, dos riscos, de como ir controlando cortes e desesperos agudos. Hoje abraço e tenho orgulho na minha diferença, que tantas vezes me valeu o rótulo de “fora da norma”
Só ainda não consegui reconstruir a minha vida profissional e financeira…
Sempre tive muita esperança, muita certeza e acreditar no amanhã!
Talvez pareça incoerente, mas no meio do sofrimento, da solidão, da incompreensão, sempre soube que há uma luz ao fundo do túnel. Sei que estou neste mundo para ser feliz. E vou sê-lo. Só há momentos muito difíceis. Que quando se soma e se faz um balanço, parecem ser o real somatório de tudo.
Os cortes, as tentativas de suicídio… no fundo mais não são que tentativas de pôr fim à dor imensa que por vezes toma conta de mim e por momentos atinge proporções insustentáveis. Mas quando o Sol brilha, como este amanhecer de hoje promete, vejo que há realmente coisas muito boas. Por muito que tenha perdido o rumo e ande hoje tão perdida, vale a pena lutar e estar cá!
Sonho-me tranquila, segura, feliz!
Sonho-me de volta ao meu sucesso, de volta à minha vida preenchida e interessante!
Sonho com uma vitória desta luta conta o estigma e o preconceito associados às doenças mentais!”
P.S. Só uma última nota relativamente à falta de apoio que temos neste país: na minha última tentativa de suicídio, o psiquiatra do hospital deu-me alta logo no dia seguinte. Falou comigo 5 minutos e mandou-me pra casa, sem medicação, sem apoio, apenas confiando que eu não iria tentar novamente. Aliás, numa altura tão complicada como uma tentativa de suicídio, senti-me muito maltratada no hospital, pois qualquer enfermeiro e/ou auxiliar que passasse perto da minha cama, comentava a minha tentativa de uma forma pejorativa. Chegaram a vir-me perguntar, ainda toda entubada e ligada, o que tinha na cabeça!
M.H 50 anos
Chamo-me M.H., tenho 50 anos e sofro de PERSONALIDADE BORDERLINE GRAVE NIVEL 3, estando a ser seguida no Hospital Magalhães Lemos desde 2003. Ontem por casualidade fui a um café em Leça e destaquei uma folha duma revista em que fala da UPA.
Fiquei deveras feliz. Feliz porque não estou só nesta longa caminhada que são estas doenças do foro psiquiátrico e mais, pela discriminação que sofremos cada um de nós que padece desta s doenças sem telas pedido.
Falo pela experiência.
Andei desde 2000 no Hospital de S. João em Psiquiatria por sofrer de anorexia nervosa. Tinha lá uma excelente Médica, mas mudaram-me para um Médico que era o extremo oposto; não digo aqui os nomes pois respeito os nomes e a individualidade das pessoas que lá me trataram, mas falo de pessoas que com quem convivi aqui perto de casa, pois moro na Senhora da Hora, E chamaram-me de drogada pelo aspecto magro que tinha; anormal, maluca; agora deu-lhe para isto; enfim não acabaria aqui de enumerar as palavras ditas por pessoas sem escrúpulos e eu comecei cada vez mais a isolar-me a exclui-las e não falar.
Curei-me da anorexia e em 2003 passei para o Magalhães Lemos aonde encontrei pessoas que me dignificaram, que não me apontam os dedos, mas sim que me tratam com zelo e carinho, pois afinal somos todos iguais. Tenho o meu corpo todo auto-mutilado por razões que eu ainda não sei tenho alturas em entrar em pânico ansiosa e vêm a cabeça ideias de cortar-me e tenho de passar ao acto, mesmo com a medicação, mesmo pedindo ajuda ao médico; ai corto-me e sinto um alívio como se tivesse tomado uma caixa de valium’s. è u m paradoxo mas é a realidade.
Agora quando ando na rua tenho que ter os braços tapados, pois senão todos me olham e perguntam o que tem nos braços; há alturas em que digo foi um acidente, mas há sempre aquele olhar que nos mata. É uma realidade que somos postos de lado. A nossa sociedade ainda não se consciencializou para estas doenças. Pensa que quem anda num hospital psiquiátrico ou num psiquiatra é maluca ou doido.
Fico feliz por existirem.
Ter-me-ão junto de vós.
Perdi pessoas que amava e amei durante anos… mas ganhei o carinho e o exemplo das suas vidas.
Perdi momentos únicos da minha vida porque em vez de sorrir chorava.
Mas a vida é um baile e tenho de seguir em frente mesmo com as quedas e falhas aprenderei com os erros como lições de vida

ASSOCIAÇÃO DE APOIO ÀS PESSOAS COM PERTURBAÇÃO MENTAL GRAVE – www.encontrarse.pt

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A força do nosso PENSAMENTO - um ensinamento fundamental para se curar



Para alcançarmos a felicidade, uma vida plena, usufruindo de todas as benesses que esta vida nos oferece, devemos ter conhecimento, dentro de nossa condição de discernimento, como funciona esta máquina maravilhosa que é o ser humano.
Devemos entender que nossas ações, no dia a dia, passam por influências que fogem do nosso comando, mesmo que seja naquele momento em que necessitamos acionar nosso mecanismo de ação corporal e mental.
Uma simples sede passa a ser um ato complexo que aciona outra gama de mecanismos do nosso organismo, influenciado por determinações, no primeiro momento fora de nossa consciência.
A vontade externa, isto é, a consciência de beber água veio de uma necessidade interna de nosso organismo que naquele momento necessita dessa água.
Cientistas têm descoberto que muitos atos que no primeiro momento acreditamos ser de nossa vontade consciente surgem primeiramente do nosso inconsciente.
Nosso organismo possui células das mais variadas, que tem inteligência e função própria independente.
Todas as células têm função específica em nosso organismo, sem nosso conhecimento e domínio.  Algumas  células produzem secreção por contra própria.
As células dos testículos secretam o sêmem, as células dos rins secretam  a urina.
Há células que tem a função de soldados que defendem o corpo das investidas ou ataques de matérias venenosas ou de germes.
Essas células detectam tais organismos estranhos e os expulsam de nosso corpo.
Há células que tem a função de transportar os alimentos  para os tecidos e órgãos.
Assim entendendo, as células fazem seu trabalho sem nosso conhecimento e vontade.
Essas funções são controladas pelo sistema nervoso simpático que os mantêm conectados e em comunhão com nosso cérebro. Todos os impulsos cerebrais são transmitidos às células.
Sendo assim, passamos a entender que nosso organismo depende de nosso estado cerebral e está diretamente ligado e enormemente afetado pelas condições de nosso estado de ânimo.
Se houver em nosso cérebro estado de desânimo, depressão e outras emoções e pensamentos negativos, de imediato essas influências serão absorvidas  por cada célula de nosso corpo.
Desta forma, fica criada uma confusão e um desconforto que serão sorvidos pelo nosso sistema nervoso, e as células soldados entram em descompasso, criando um estado de pânico, perdendo suas funções, tornando-se ineficientes, ocasionando as doenças do corpo e da mente.
A força vital passa a não funcionar satisfatoriamente, baixando o nível de sua vitalidade, criando em nossa mente, pelo descompasso do funcionamento das células, o desânimo, a infelicidade, a desarmonia, a ansiedade e outros malefícios da mente e do corpo.
Passamos assim a entender que o pensamento é a maior força do universo, e a arma mais poderosa de que se tem notícia. O pensamento move montanhas, transforma e edifica, quando é constituído de forma construtiva, sadia.
Sendo assim, precisamos aperfeiçoar nossa técnica para utilizar nossa força do pensamento.
O pensamento passa a ser palpável, sentido.
O pensamento é uma grande força que tem a capacidade de mover e criar coisas.
O pensamento é dinâmico e sutil. 
Através do pensamento você se torna poderoso, criador e destruidor, conforme a direção dada a esse pensamento.
Quando  aprende a controlar o pensamento em busca de seus objetivos  e sonhos, você passa a ser uma pessoa poderosa, provida de uma força descomunal.
O mundo é movido por pensamentos.
Toda a exteriorização da realidade é em virtude do pensamento.
O bem, o mal, o amigo, o inimigo, a virtude, o malefício existem somente em sua mente.
O homem cria em sua mente um mundo do bem ou do mal, da alegria e da felicidade, do sofrimento e da paz.
Toda situação em que se possa encontrar uma pessoa parte de sua imaginação, de sua criação mental.
Sendo assim, devemos estar atentos e vigilantes para a qualidade de pensamento que aflora à nossa mente.
Só e somente dessa forma podemos alcançar a felicidade tão almejada por todos.



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Escrito por Luiz Roberto Teixeira de Siqueira   

segunda-feira, 9 de maio de 2011

A dor emocional - Uma forma de gratidão pelo que ela nos ensinou


 Podemos localizar em nossa vida fases em que uma doremocional permanece instalada em nós por um longo período - um ano e meio, pelo menos. Vamos dormir sabendo que, ao acordar, sentiremos a mesma dor no peito. Geralmente isso ocorre quando vivemos algo maior do que nossa capacidade de elaborar. A meta de transformar o sofrimento em autoconhecimento faz com que nos sintamos íntimos da nossa dor, tão próximos dela que, às vezes, sentimos pena de deixá-la. 


Eu me lembro claramente da primeira vez que senti nostalgia por perceber que uma dor emocional estava para acabar. Cheguei a perguntar para Gueshe Sherab: Será que sem esta dor continuarei aprendendo tanto quanto aprendi ao senti-la?. Ele riu e me respondeu: Você não precisa chamar a dor para evoluir, pode ter certeza que sempre haverá sofrimento suficiente para aprender algo com ele. Quando a mente não está sobrecarregada com uma dor intensa, pensa melhor. Se estivermos sofrendo pela mesma dor há muito tempo, devemos identificar o momento de nos desapegarmos dela. É necessário sentirmos a dor apenas enquanto ela nos ajudar a aprender mais a nosso próprio respeito, ou seja, enquanto ela representar uma forma de ampliarmos a visão acerca de nós mesmos. 




Parece óbvio que ninguém deseja se apegar à dor. Na realidade, porém, desapegar-se dela talvez seja um de nossos maiores desafios. Aceitar a necessidade de abandonar um padrão emocional, mesmo que ele implique sofrimento, pode ser tão difícil quanto aceitar a morte de um ente querido, pois sentimos como se perdêssemos algo de nós mesmos. Em ambos os casos devemos aprender a fazer o luto.

Como escreve Christine Longaker em Esperança diante da morte (Ed.Rocco): O processo de recuperação da nossa dor pode nos ajudar a viver de maneira mais plena e apreciar cada dia e cada pessoa, como uma dádiva insubstituível. No luto, devemos por fim nos desapegar da pessoa que se foi; no entanto, podemos manter o seu amor conosco. Não somos abandonados na perda; podemos nutrir nossas memórias de amor, e permitir que o amor continue fluindo na nossa direção. Do mesmo modo, quando nos separamos de um padrão emocional dolorido com o qual convivemos por tantos anos, devemos manter a consciência de sua importância em nosso processo de autoconhecimento: uma forma de gratidão pelo aprendizado. 

Sogyal Rinpoche sugere o contato com a natureza como um potente método de pôr fim à dor: Um dos métodos mais poderosos que conheço para aliviar e dissolver o sofrimento é ir para a natureza, contemplar uma cachoeira, em especial, deixando que as lágrimas e a dor saiam de você e o purifiquem como a água que flui. Pode também ler um texto tocante sobre a impermanência ou o sofrimento, e deixar a sabedoria contida em suas linhas trazer-lhe consolo. 

Aceitar a dor e pôr-lhe fim é possível. (O livro Tibetano do Viver e Morrer, Ed. Talento ) Quando aceitarmos o fato de que podemos experimentar conscientemente nossa dor, então, estaremos prontos para nos liberar dela! Finalmente romperemos o hábito de autocomiseração e estaremos aptos para sermos felizes. A intensidade da dor de uma emoção possui um tempo que lhe é próprio, mas que também tem seu fim. Se ela continuar presente depois de um tempo prolongado é porque a estamos invocando em demasia. É melhor pararmos de invocar essa dor e abrirmo-nos para o desconhecido, perguntando-nos: Como serei sem esta dor? Muitas vezes encontramos justificativas nobres para não mudar, quando, na realidade, estamos é precisando ser mais sinceros com nossa fraqueza. A sinceridade é um antivírus contra as interferências interiores e exteriores, pois quando somos sinceros não fazemos rodeios. A sinceridade nos dá coragem e abertura para lidar com qualquer situação, agradável ou desagradável. Desta forma, nos abrimos para o mundo. A falta de foco é um modo de nos protegermos das exigências do mundo, e de adiarmos nossa participação nele. 

Ao saber quem somos, podemos adquirir a flexibilidade de perceber igualmente as nossas necessidades e as dos outros sem privilegiar nenhuma das partes. Assim, não estaremos amarrados a nós mesmos, nem nos confundiremos com os desejos dos outros.  


Extraído do livro O livro das Emoções de Bel Cesar, Ed. Gaia.

domingo, 8 de maio de 2011

MUDA POR TI



 O maior medo do ser humano, depois do medo da morte, é o medo da dor. Dor física: um corte, uma picada, uma ardência, uma distenção, uma fratura, uma cárie. Dor que só cessa com analgésico, no caso de ser uma dor comum, ou com morfina, quando é uma dor insuportável. Mas é a dor emocional a mais temível, porque essa não tem medicamento que dê jeito.

 

 Uma vez, conversando com uma amiga, ficamos nessa discussão por horas: o que é mais dolorido, ter o braço quebrado ou o coração? Uma pessoa que foi rejeitada pelo seu amor sofre menos ou mais do que quem levou 20 pontos no supercílio? Dores absolutamente diferentes.
Eu acho que dói mais a dor emocional, aquela que sangra por dentro. Qualquer mãe preferiria ter úlcera para o resto da vida do que conviver com o vazio causado pela morte de um filho.

As estatísticas não mentem: é mais fácil ser atingida por uma depressão do que por uma bala perdida. Existe médico para baixo
astral? Psicanalistas. E remédio? Anti-depressivos. Funcionam? Funcionam, mas não com a rapidez de uma injeção, não com a eficiência de uma cirurgia. 

Certas feridas não ficam à mostra. Acabar com a dor da baixa auto-estima é bem mais demorado do que acabar com uma dor localizada.

Parece absurdo que alguém possa sofrer num dia de céu azul, na beira do mar, numa festa, num bar. Parece
exagero dizer que alguém que leve uma pancada na cabeça sofrerá menos do que alguém que for demitido. Onde está o hematoma causado pelo desemprego, onde está a cicatriz da fome, onde está o gesso imobilizando a dor de um preconceito?
 
Custamos a respeitar as dores invisíveis, para as quais não existem
prontos-socorros. Não adianta assoprar que não passa.

Tenho um respeito tremendo por quem sofre em silêncio, principalmente pelos que sofrem por amor.
Perder a companhia de quem se ama pode ser uma mutilação tão séria quanto a
sofrida por Lars Grael, só que os outros não enxergam a parte que nos falta, e
por isso tendem a menosprezar nosso martírio.
Nenhuma fisgada se compara à dor de um destino alterado para sempre. 

sábado, 30 de abril de 2011

TRANSTORNO DA PERSONALIDADE NARCISISTA





Características Diagnósticas:

A característica essencial do Transtorno da Personalidade Narcisista é um padrão invasivo de grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos.

Os indivíduos com este transtorno têm um sentimento grandioso de sua própria importância (Critério 1). Eles rotineiramente superestimam suas capacidades e exageram suas realizações, freqüentemente parecendo presunçosos ou arrogantes. Eles podem presumir que os outros atribuem o mesmo valor a seus esforços e surpreender-se quando não recebem o louvor que esperam e julgam merecer.

Um menosprezo (desvalorização) da contribuição dos outros freqüentemente está implícito na apreciação exagerada de suas próprias realizações. Essas pessoas constantemente se preocupam com fantasias de sucesso ilimitado, poder, inteligência, beleza ou amor ideal (Critério 2). Elas podem ruminar acerca de uma admiração e privilégios a que teriam direito e comparar a si mesmos com vantagem sobre pessoas famosas e privilegiadas.

Um indivíduo com Transtorno da Personalidade Narcisista se acredita superior, especial ou único e espera ser reconhecido pelos outros como tal (Critério 3). Ele pode achar que somente consegue ser compreendido e apenas deve associar-se com outras pessoas especiais ou de situação elevada, podendo atribuir qualidades de "singularidade", "perfeição" ou "talento" àqueles a quem se associa. Os indivíduos com este transtorno acreditam ter necessidades especiais, que estão além do entendimento das pessoas comuns. Sua própria auto-estima é amplificada (isto é, "espelhada") pelo valor idealizado que atribuem àqueles a quem se associam. Eles tendem a insistir em ser atendidos apenas pelos "melhores" (médicos, advogados, instrutores, cabeleireiros) ou em afiliar-se às "melhores" instituições, mas podem desvalorizar as credenciais daqueles que os desapontam.

Os indivíduos com este transtorno geralmente exigem admiração excessiva (Critério 4). Sua auto-estima é, quase que invariavelmente, muito frágil. Eles podem preocupar-se com o modo como estão se saindo e no quanto são considerados pelos outros. Isto freqüentemente assume a forma de uma necessidade de constante atenção e admiração. Eles podem esperar que sua chegada seja recepcionada com grande alarde e ficar perplexos pelo fato de os outros não cobiçarem tudo o que possuem. Eles podem "caçar" elogios constantemente, por vezes de maneira muito cativante. Um sentimento de intitulação manifesta-se na expectativa irracional destes indivíduos de receber tratamento especial (Critério 5).

Eles esperam ser adulados e ficam desconcertados ou furiosos quando isto não ocorre. Eles podem, por exemplo, pensar que não precisam esperar na fila e que suas prioridades são tão importantes que os outros lhes deveriam mostrar deferência, e ficam irritados quando os outros deixam de auxiliar em "seu trabalho muito importante". Este sentimento de intitulação, combinado com uma falta de sensibilidade para com os desejos e necessidades alheias, pode resultar na exploração consciente ou involuntária dos outros (Critério 6).

Essas pessoas esperam que lhes seja dado o que desejam ou julgam precisar, não importando o que isto possa significar para os outros. Por exemplo, esses indivíduos podem esperar grande dedicação da parte dos outros e sobrecarregá-los de trabalho sem levar em conta o impacto que isto possa ter sobre suas vidas. Eles tendem a formar amizades ou relacionamentos românticos somente se vislumbrarem a possibilidade de que a outra pessoa vá ao encontro de seus objetivos ou de outro modo aumente sua auto-estima. Eles freqüentemente usurpam privilégios especiais e recursos extras, que julgam merecer por serem tão especiais.

Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Narcisista em geral carecem de empatia e têm dificuldade em reconhecer os desejos, experiências subjetivas e sentimentos dos outros (Critério 7). Eles podem presumir que os outros se preocupam integralmente com seu bem-estar, e tendem a discutir suas próprias preocupações em detalhes inadequados e extensos, deixando de reconhecer que os outros também têm sentimentos e necessidades. Estes indivíduos freqüentemente desprezam e se impacientam com outras pessoas que falam de seus próprios problemas e preocupações. Eles podem não perceber a mágoa causada por seus comentários (por ex., dizer alegremente a um ex-companheiro: "Agora encontrei o amor de minha vida!"; alardear saúde diante de alguém que está enfermo). Quando reconhecem as necessidades, desejos ou sentimentos alheios, tendem a vê-los como sinais de fraqueza ou vulnerabilidade. Aqueles que se relacionam com indivíduos com Transtorno da Personalidade Narcisista tipicamente descobrem neles uma frieza emocional e falta de interesse mútuo.

Estes indivíduos freqüentemente invejam os outros ou acreditam que os outros têm inveja deles (Critério 8). Eles podem guardar rancor pelos sucessos ou posses dos outros, achando que seriam mais merecedores destas realizações, admiração ou privilégios. Eles podem desvalorizar rudemente as contribuições dos outros, particularmente quando estes receberam reconhecimento ou elogios por suas realizações. Comportamentos arrogantes e insolentes caracterizam estes indivíduos. Eles freqüentemente exibem atitudes esnobes, desdenhosas ou condescendentes (Critério 9).

Por exemplo, um indivíduo com este transtorno pode queixar-se da "estupidez" ou "babaquice" de um garçom desajeitado ou concluir um exame médico avaliando o clínico de modo condescendente.
Características e Transtornos Associados:

A vulnerabilidade da auto-estima torna os indivíduos com Transtorno da Personalidade Narcisista muito sensíveis a "mágoas" por críticas ou derrotas. Embora possam não demonstrar abertamente, as críticas podem assolar esses indivíduos e levá-los a se sentirem humilhados, degradados e vazios. Sua reação pode ser de desdém, raiva ou contra-ataque afrontoso. Essas experiências freqüentemente levam a um retraimento social ou a uma aparência de humildade que pode mascarar e proteger a grandiosidade.

As relações interpessoais [522]tipicamente são comprometidas pelos problemas resultantes do sentimento de intitulação, da necessidade de admiração e do relativo desrespeito à sensibilidade alheia. Embora a ambição e a confiança ufanista possam levar a altas realizações, o desempenho pode ser perturbado em virtude da intolerância a críticas ou derrotas. Às vezes o desempenho profissional pode ser muito baixo, refletindo uma relutância para assumir riscos em situações competitivas ou de outra espécie, nas quais a derrota é possível. Sentimentos persistentes de vergonha ou humilhação e a autocrítica pertinente podem estar associados com retraimento social, humor deprimido e Transtorno Depressivo Maior ou Distímico.

Por outro lado, períodos persistentes de grandiosidade podem estar associados com um humor hipomaníaco. O Transtorno da Personalidade Narcisista também está associado com Anorexia Nervosa e Transtornos Relacionados a Substâncias (especialmente relacionados à cocaína). Os Transtornos da Personalidade Histriônica, Borderline, Anti-Social e Paranóide podem estar associados com o Transtorno da Personalidade Narcisista.
Características Específicas à Idade e ao Gênero:

Os traços narcisistas podem ser particularmente comuns em adolescentes, não indicando, necessariamente, que o indivíduo terá um Transtorno da Personalidade Narcisista. Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Narcisista podem ter dificuldades especiais no ajustamento ao início das limitações físicas e ocupacionais inerentes ao processo de envelhecimento. Os homens perfazem 50 a 75% dos indivíduos com o diagnóstico de Transtorno da Personalidade Narcisista.

Prevalência:

As estimativas da prevalência do Transtorno da Personalidade Narcisista variam de 2 a 16% na população clínica e são de menos de 1% na população geral.
Diagnóstico Diferencial:

Outros Transtornos da Personalidade podem ser confundidos com o Transtorno da Personalidade Narcisista, por terem certos aspectos em comum, de modo que é importante distinguir esses transtornos com base em seus aspectos característicos. Entretanto, se um indivíduo tem características de personalidade que satisfazem os critérios para um ou mais Transtornos da Personalidade além do Transtorno da Personalidade Narcisista, todos podem ser diagnosticados.

O aspecto mais útil para a discriminação entre o Transtorno da Personalidade Narcisista e os Transtornos da Personalidade Histriônica, Anti-Social e Borderline, cujos estilos de interação são, respectivamente, sedutor, indiferente e carente, é a grandiosidade característica do Transtorno da Personalidade Narcisista. A relativa estabilidade da auto-imagem, além da relativa ausência de autodestrutividade, impulsividade e preocupações com abandono, também ajudam a distinguir o Transtorno da Personalidade Narcisista do Transtorno da Personalidade Borderline.

O excessivo orgulho por realizações, uma relativa ausência de manifestações emocionais e um desdém pela sensibilidade alheia ajudam a distinguir o Transtorno da Personalidade Narcisista do Transtorno da Personalidade Histriônica. Embora os indivíduos com Transtornos da Personalidade Borderline, Histriônica e Narcisista possam exigir muita atenção, aqueles com Transtorno da Personalidade Narcisista precisam, especificamente, que esta atenção se manifeste como admiração. Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Anti-Social e Transtorno da Personalidade Narcisista compartilham uma tendência a serem insensíveis, superficiais, exploradores e não-empáticos.

Entretanto, o Transtorno da Personalidade Narcisista não inclui, necessariamente, características de impulsividade, agressão e engodo. Além disso, os indivíduos com Transtorno da Personalidade Anti-Social podem não necessitar tanto da admiração e inveja dos outros, e as pessoas com Transtorno da Personalidade Narcisista em geral não possuem uma história de Transtorno da Conduta na infância ou comportamento criminoso na idade adulta. Tanto no Transtorno da Personalidade Narcisista quanto no Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva, os indivíduos podem professar um compromisso com o perfeccionismo e acreditar que os outros não conseguem fazer as coisas tão bem quanto eles.

Em contraste com a autocrítica que acompanha os indivíduos com Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva, os indivíduos com Transtorno da Personalidade Narcisista estão mais propensos a crer que atingiram a perfeição. Desconfianças e retraimento social geralmente distinguem os indivíduos com Transtorno da Personalidade Esquizotípica ou Paranóide daqueles com Transtorno da Personalidade Narcisista. Quando essas qualidades estão presentes em indivíduos com Transtorno da Personalidade Narcisista, elas originam-se principalmente do medo de que sejam reveladas suas falhas ou imperfeições. A grandiosidade pode emergir como parte de Episódios Maníacos ou Hipomaníacos, mas a associação com uma alteração do humor ou prejuízos funcionais ajuda a fazer a distinção entre esses episódios e o Transtorno da Personalidade Narcisista.

O Transtorno da Personalidade Narcisista deve ser diferenciado de uma Alteração da Personalidade Devido a uma Condição Médica Geral, na qual os traços emergem devido aos efeitos diretos de uma condição médica geral sobre o sistema nervoso central. Ele também deve ser diferenciado de sintomas que podem desenvolver-se em associação com o uso crônico de substâncias (por ex., Transtorno Relacionado à Cocaína Sem Outra Especificação).

Muitos indivíduos altamente bem-sucedidos exibem traços de personalidade que poderiam ser considerados narcisistas, porém estes traços somente constituem um Transtorno da Personalidade Narcisista quando são inflexíveis, mal-adaptativos e persistentes e causam prejuízo funcional significativo ou sofrimento subjetivo.
Critérios Diagnósticos para F60.8 - 301.81 Transtorno da Personalidade Narcisista:

Um padrão invasivo de grandiosidade (em fantasia ou comportamento), necessidade de admiração e falta de empatia, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, indicado por pelo menos cinco dos seguintes critérios:

(1) sentimento grandioso da própria importância (por ex., exagera realizações e talentos, espera ser reconhecido como superior sem realizações comensuráveis)
(2) preocupação com fantasias de ilimitado sucesso, poder, inteligência, beleza ou amor ideal
(3) crença de ser "especial" e único e de que somente pode ser compreendido ou deve associar-se a outras pessoas (ou instituições) especiais ou de condição elevada
(4) exigência de admiração excessiva
(5) sentimento de intitulação, ou seja, possui expectativas irracionais de receber um tratamento especialmente favorável ou obediência automática às suas expectativas
(6) é explorador em relacionamentos interpessoais, isto é, tira vantagem de outros para atingir seus próprios objetivos
(7) ausência de empatia: reluta em reconhecer ou identificar-se com os sentimentos e necessidades alheias
(8) freqüentemente sente inveja de outras pessoas ou acredita ser alvo da inveja alheia
(9) comportamentos e atitudes arrogantes e insolentes

  DSM

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